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Os Melhores e Piores Filmes de 2019

Como fica difícil partir do critério de ano de produção, pelo fato de que vários longas do ano anterior só passarão por aqui meses após o início 2020
Os Melhores e Piores Filmes de 2019

Mais um ano passou, como também a década (ou não, já que aprendemos na escola que cada uma começa em um ano terminado em 1 e termina em outro com o final 0, portanto essa acabaria no fim de 2020, a não ser que se vá pela ISO... enfim, essa matéria da BBC explica melhor). Enquanto não fazemos listas dos últimos 10 anos, vamos pela tradicional dos melhores e piores do ano de 2019.

Como fica difícil partir do critério de ano de produção, pelo fato de que vários longas do ano anterior só passarão por aqui meses após o início 2020 (quando nem sequer estreiam), a escolha será por lançamento no circuito comercial brasileiro, com a grade se iniciando em 03/01/19 e terminando em 26/12/19. Portando, terei de deixar de fora alguns títulos (como é o caso da tragédia The Fanatic, estrelado por John Travolta, que certamente seria o pior deles). Fora isso, vou também contemplar os que saíram no ano em plataformas de streaming.

Lembrando que essa lista reflete a opinião do autor (João Rafael), e não do site todo com seus outros colaboradores (então pode ser que a crítica de outro autor não corresponda exatamente à minha lista pessoal). Mesmo assim, os links com as matérias serão disponibilizados para quem quiser conferir.

OS 10 MELHORES DE 2019 (sem ordem de preferência):


A Favorita (Yorgos Lanthimos, EUA e Irlanda, 120 min)



O cineasta grego de ótimos e estranhos longas como Dente Canino, O Lagosta e O Sacrifício de Servo Sagrado, retorna com uma história aparentemente mais “tradicional” que seus outros trabalhos. O palco escolhido é a corte britânica do séc XVIII, mais precisamente a que envolve o reinado da debilitada rainha Ana (Olivia Colman, vencedora do Oscar de Melhor Atriz). É uma trama complexa, divertida em seus momentos de humor, mas também  tensa e incômoda pela direção cheia de personalidade de Lanthimos (além de ter um plano final excepcional).



Varda Por Agnès (Agnès Varda, França, 116 min)



O canto do cisne da lendária cineasta francesa não poderia ter sido mais emocionante e inventivo, como foi toda sua carreira. Um dos principais nomes da Nouvelle Vague, seguiu se reinventando e sempre atravessando as barreiras da linguagem em cada projeto, sejam eles em longas ficcionais ou em seus documentários pessoais e, parafraseando o crítico Pablo Villaça, repletos de empatia. Varda Por Agnès é uma investigação do próprio fazer cinematográfico da diretora por ela mesma ao mesmo tempo em que reflete sobre sua arte, suas técnicas e visão de mundo. É uma espécie de continuação do também belo As Praias de Agnès (2008). Ah, e se eu havia gostado da cena final do filme anterior da lista, a desse me destruiu.


Era Uma Vez em... Hollywood (Quentim Tarantino, EUA, 165 min)



Eu confesso que quando saí da sala de cinema, minha primeira reação foi a de ter visto mais um ótimo filme de um diretor que nunca fez um trabalho ruim (mediano pode até ser, mas não ruim), mas nada que justificasse o hype. À medida que o tempo foi passando e eu o revisitava na minha cabeça, revendo algumas sequências e refletindo um pouco, ele foi crescendo e se tornando um dos melhores do ano. Não dá para negar o esmero narrativo do homem, que a gente já esperava. Porém, me surpreendi em como a paixão pelo cinema americano do fim dos 60 (quando se iniciava o fértil período da Nova Hollywood) transborda nas situações e nos personagens, especialmente na inesperada maneira que Tarantino arruma de homenagear não só Sharon Tate, mas o significado que ganha sua imagem diante da história conhecida e da fuga fictícia da obra.



Coringa (Todd Phillips, EUA, 122 min)



Um dos vilões mais famosos dos quadrinhos da DC Comics ganha um filme solo, mas que não se parece com aquilo que você esperaria. Centrada na jornada degradante de Arthur Fleck através de uma cidade violenta e da negligência quanto às suas doenças mentais, a trama é um estudo de personagem fascinante, angustiante e elevada por uma atuação fantástica de Joaquim Phoenix.



Parasita (Bong Joon-ho, Coreia do Sul, 132 min)



Conhecido por Okja, Expresso do Amanhã, O Hospedeiro e o excepcional thriller Memórias de um Assassino, o diretor sul coreano retorna com um dos trabalhos mais interessantes dos últimos anos. É até complicado classifica-lo, já que sua trama é repleta de reviravoltas (muito bem costuradas), é lindamente conduzido e ainda traz um subtexto social riquíssimo e orgânico. Vale assistir e revisitar outras vezes.



O Irlandês (Martin Scorsese, EUA, 210 min) - Netflix



Aqui aconteceu algo semelhante com a minha reação a Era Uma Vez em... Holywood: saí gostando do filme (tive a oportunidade de vê-lo no cinema), mas não estava compartilhando de toda a adoração que parecia circundá-lo no meio cinéfilo – especialmente porque eu tenho certeza que algumas conclusões já haviam sido feitas mesmo antes do filme chegar como forma de tomar parte na briguinha estúpida entre fãs da Marvel e do Scorsese. O fato é que alguém do calibre dele não precisa provar mais nada e sua invejável filmografia já fala por si só. Ainda assim, revi o filme na Netflix e é preciso reconhecer que o subgênero filmes de máfia acabou de ganhar mais uma camada de excelência por quem foi um dos responsáveis por moldá-lo no cinema moderno. Aliás, chama-lo de “filme de máfia” é reduzir a obra, que usa uma abordagem longe daquela de Os Bons Companheiros e Cassino, claramente mais dinâmicas e estilizadas, voltada pra uma trama bem mais crua e centrada nas consequências da vida do crime para os personagens de um universo violento e que parecia inalcançável pelo fim da vida.


A Vida Invisível (Karim Ainouz, Brasil, 149 min)



Frequentemente apontado como um melodrama (inclusive, pelo próprio diretor em debate após sessão em Brasília), a história de Eurídice (Carol Duarte) e Guida (Julia Stockler) pode ser classificada como algo mais... tradicional, no sentido de que o cinema brasileiro vem produzindo continuamente obras sempre dispostas a inovar em suas narrativas; mas o filme é bem mais que isso. Embora sua estrutura e escolhas de trama sejam, de fato, característicos dessa abordagem, Karim Ainouz faz muito mais ao injetar também a crueza da realidade feminina na década de 50, no Rio de Janeiro, quando os sonhos das irmãs Gusmão são sufocados por uma sociedade que tratava seus anseios pessoais e profissionais como caprichos. É um belo trabalho de época, com uma montagem excelente, um design de som preciso (e operante nos detalhes importantes da narrativa), um uso de cores inteligente e atuações sólidas. E claro, há Fernanda Montenegro usando o pouco tempo para mostrar porque é Fernanda Montenegro.



Entre Facas e Segredos (Rian Johnson, EUA, 130 min)



Pode-se até debater se o filme realmente é um dos 10 melhores do ano por vários motivos, mas o que realmente me fez colocá-lo aqui é que ele me divertiu imensamente durante seus 130 minutos. Conduzido pela habilidade costumeira que Rian Johnson já havia demostrado em A Ponta de Um Crime, Looper, Star Wars: Os Últimos Jedi (um dos melhores da saga) e o melhor episódio de Breaking Bad (Ozymandias); o filme é uma divertida e bem escrita homenagem às histórias de assassinato (os whodunits) ao melhor estilo contos de Agatha Christie. Pensando melhor, ele é sim um dos 10 melhores e por todos os possíveis motivos cinematográficos.



História de um Casamento (Noah Baumbach, EUA, 136 min) - Netflix



Finalmente gostei de um filme dele (não acho graça absolutamente nenhuma em Frances Ha, Mistress America e Os Meyerowitz; a exceção é Enquanto Somos Jovens), e como gostei. Consigo pensar em poucos exemplos de obras recentes que tenham explorado o processo de um divórcio de forma tão devastadora como essa. Scarlett Johansson e Adam Driver estão excepcionais (talvez os melhores trabalhos de ambos até hoje) e o filme sabe disso, depositando tudo para que funcione em cima deles e do ótimo texto.


Homem Aranha no Aranhaverso (Bob Persichetti Peter Ramsey e Rodney Rothman, EUA, 117 min)



Decidi reservar um lugar para as animações e esta foi não só a melhor como um dos melhores exemplares de super-herói dos últimos anos. Usando o mote dos múltiplos universos dos quadrinhos, o personagem ganha mais uma gama de representações divertidas em um filme cheio de energia e estilo.



Pra demostrar como sempre acho difícil escolher e quantificar (por isso mesmo nem arrisco a colocar em ordem), porque isso envolve comparar obras de arte com propostas totalmente distintas uma das outras, os próximos cinco poderiam facilmente compor um top 15 ou entrar no lugar de alguns anteriores:

Perdi Meu Corpo (Jérémy Clapin, França, 81 min) - Netflix
Pássaros de Verão (Ciro Guerra e Cristina Gallego, Colômbia, Dinamarca e México, 125 min)
Bacurau (Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, 131 min) - Crítica 
I Am Mother (Grant Sputore, EUA, 113 min) - Netflix
Midsommar (Ari Aster, EUA, 147 min) - Crítica 


Outros destaques nacionais e estrangeiros:   


Los Silencios (Beatriz Seigner, Brasil, 88 min) - Crítica 
Luna (Cris Azzi, Brasil, 89 min)
Pastor Claudio (Beth Formaggini, Brasil,  76 min)
Torre das Donzelas (Suzanna Lira,Brasil,  97 min) - Crítica 
Anos 90 (Jonah Hill, EUA, 84 min)
Fora de Série (Olivia Wild, EUA, 105 min)
Bixa Travesty (Claudia Priscilla e Kiko Goifman, Brasil, 75 min)
Dois Papas (Fernando Meirelles, EUA, 105 min) - Netflix
Guerra Fria (Pawel Pawlikowski, Polônia, 88 min) - Crítica  
Clímax (Gaspar Noé, Bélgica e França, 95 min)
Dor e Glória (Pedro Almodóvar, Espanha, 103 min) - Crítica 
Creed 2 (Steven Caple Jr., EUA, 130 min) - Crítica 
Se a Rua Beale Falasse (Barry Jenkins, EUA, 117 min) - Crítica 
A Mula (Clint Eastwood, EUA, 116 min) - Crítica 
Vingadores: Ultimato (Anthony e Joe Russo, EUA, 182 min) - Crítica 
John Wick 3 (Chad Stahelski, EUA, 130 min) - Crítica  
Toy Story 4 (Josh Cooley, EUA, 100 min)
Doutor Sono (Mike Flanagan, EUA, 152 min) - Crítica 
Ford vs Ferrari (James Mangold, EUA, 153 min) - Crítica 
Suspiria (Luca Guadagnino, EUA e Itália, 152 min) - Crítica 


OS 10 PIORES DE 2019 (sem ordem de tristeza):


Sai de Baixo – O Filme (Cris D'amato, Brasil, 83 min)



Sendo bem sincero, nem o tempo conseguiu muito salvar o programa clássico, aquele que gostamos de falar que “foi uma das melhores comédias da tv aberta”. Experimente uma revisão e verá que o humor datou rápido e que os erros de gravação se convertiam nos melhores momentos ao se tornarem um show de improvisações que não iam ao ar no tempo normal. Passa pra hoje e parece que tudo piorou: o longa é o que há de pior das comédias ruins que são lançadas todo ano no Brasil. Os personagens são esboços de outrora e os atores não parecem à vontade. A narrativa é um compilado de esquetes ruins e os 83 minutos parecem ter a duração de O Irlandês.


Calmaria (Steven Knight, EUA, 107 min)



No início, até que parece que tudo era uma brincadeira com um gênero icônico dos 40 e 50 (Calmaria, o noir da pescaria). As interpretações afetadas de Anne Hathaway e Matthew McConaughey são justamente uma espécie dos arquétipos que se esperaria de uma homenagem (meio sátira). Mas o filme decide tentar ser esperto e traz um dos plot twists mais estúpidos dos últimos anos, transformando a coisa toda numa comédia involuntária.



Cópias - De Volta à Vida (Jeffrey Nachmanoff, EUA, 107 min)



Keanu Reeves esteve em um dos melhores filmes de 2019 (John Wick 3), mas também se juntou à essa patacoada que jura ser uma ficção científica instigante e repleta de questões filosóficas. Uma das piores atuações de sua carreira (convenhamos, sempre foi limitadíssimo, a não ser quando direcionado para o projeto certo).



Ma (Tate Taylor, EUA, 99 min)



Lá no fundinho de Ma, existia uma ideia boa para que Octavia Spencer pudesse usar seu talento num thriller instigante sobre uma mulher solitária e misteriosa que começa a perseguir adolescentes. Só que, no caminho, não havia um roteiro. Não havia um roteiro no meio do caminho. Só situações cada vez mais artificiais e uma trama tola.



Obsessão (Neil Jordan, EUA, 98 min)



Com um nome até respeitado em Hollywood por causa de filmes que fizeram barulho na década de 90 (Entrevista Com o Vampiro, Traídos Pelo Desejo), Neil Jordan traz um suspense sobre uma garota novata em Manhattan, Frances (Chloe Grace Moretz), que faz amizade com Greta (Isabelle Huppert) quando devolve uma bolsa a ela que havia encontrado em um metrô. A intenção era criar um clima de suspense, especialmente pela personagem doentia de Huppert, mas o roteiro é mais furado que a porta do trailer de Jesse e Walt, tornando o longa uma bobagem que pode até te divertir... se você acha realmente que é proposital.



As Trapaceiras (Chris Addison, EUA, 94 min)



Rebel Wilson conseguiu estar em duas bombas de 2019 (a outra é ainda pior) junto com Anne Hathaway (olha só, ela também). Um remake de Os Safados (1988), com Steve Martin e Michael Caine, essa “comédia” é mais uma onde Wilson usa de maneira desastrosa seu físico para tentar arrancar numa abordagem que parou no tempo (o mesmo com sua outra bomba). Já Hathaway não tem muito o que fazer para salvar um filme que se tem vontade de largar antes da metade.


Medo Profundo – O Segundo Ataque (Johannes Roberts, Reino Unido, 98 min)



O primeiro longa até que conseguia, aos trancos e barrancos, alguma qualidade (mesmo que também não passe do mediano) numa obra pronta para ser um genérico do genérico de Tubarão, que investia em uma ou duas sequências mais interessantes. Este é só um amontoado dos piores clichês, com direito a personagens tomando decisões continuamente inverossímeis, uma lógica que só se aplica quando conveniente e um CGI ruim.


A Maldição da Chorona (Michael Chaves, EUA, 93 min)



Aplique mais ou menos a descrição anterior, só que no lugar de “primeiro longa” há um universo de Invocação do Mal que começou muito bem nas mãos da James Wan, e nos clichês se equivale com o que há de pior no terror. A má notícia é que o diretor vai comandar Invocação do Mal 3...



Cats (Tom Hooper, EUA, 110 min)



Adaptação do famoso musical da Broadway, esse já começou a despertar desconfiança quando foram liberados os primeiros teasers. Uma grande produção e um elenco estelar ainda seguravam as esperanças. Bom, o resultado é que o CGI problemático (mais irregular do que realmente ruim) é o menor dos problemas. O longa basicamente não possui estrutura e nem nada que ligue os vários e chatíssimos números musicais. O ritmo se arrasta e você se vê cansado já com pouco tempo de filme. O tom é estranho e parece que ninguém sabe muito bem o que fazer em cena. O alívio cômico é o pior trabalho de James Corden e Rebel Wilson em anos e o restante canta e dança como híbridos bizarros de gatos e humanos.


The Silence (John R. Leonetti, EUA e Alemanha, 90 min) - Netflix



Além de ser um genérico ruim de um suspense pós-apocalíptico, The Silence tenta emular o que deu certo no ótimo Um Lugar Silencioso. Só que se esqueceu que, ao contrário do que ocorre no longa de John Krasinski, o som (ou a falta) não deveria ser só um elemento de trama, mas de construção da narrativa. Quando alguém abre a boca para falar é para destilar os piores tipos de diálogos expositivos e a história carece de qualquer construção que desperte o interesse pelo universo proposto.


Outros que não entraram no Top 10, mas que poderiam em uma rápida revisão:

Esquadrão 6 (Michael Bay, EUA, 127 min)
Invasão ao Serviço Secreto (Ric Roman Waugh, EUA, 121 min)
Escape Room (Adam Robitel, EUA, 100 min) - Crítica
Máquinas Mortais (Christian Rivers, EUA e Nova Zelândia, 128 min)
Crimes Obscuros (Alexandros Avranas, EUA, Polônia e Reino Unido, 100 min)
Maligno (Nicholas McCarthy, EUA, 97 min) - Crítica
Hellboy (Neil Marshall, EUA, 120 min) - Crítica
Godzilla 2: Rei dos Monstros (Michael Dougherty, EUA, 132 min) - Crítica
MIB: Internacional (F. Gary Gray, EUA, 115 min) - Crítica
Rambo – Até o Fim (Adrian Grunberg, EUA, 100 min)
Os 3 Infernais (Rob Zombie, EUA, 115 min)

E um lugarzinho para Star Wars – A Ascenção Skywalker (J.J. Abrams, EUA, 141 min) que, apesar não ser necessariamente ruim, é uma grande decepção!

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