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Crítica #2: Vingadores - Ultimato (sem spoilers)

Nos minutos derradeiros a obra retorna ao seu início sentimental, mostrando que a vida segue para aqueles que ficaram, este filme é marcado pela mudança dentro do universo de heróis, o longa abre num fim de semana em família e fecha na espiada por uma janela qualquer no subúrbio de uma cidade grande com um dos momentos mais doces de toda a franquia.
Vingadores - Ultimato
Toda jornada tem seu início, meio e sua conclusão, Vingadores: Ultimato marca o fim da Saga do Infinito, uma história que se iniciou em 2008 e contou com vinte e um filmes até a chegada deste. Onze anos em que conhecemos, sorrimos e vivenciamos o Universo Cinematográfico Marvel.

Anthony e Joe Russo fizeram suas estreias no MCU assumindo a direção de Capitão América: Soldado Invernal no longínquo ano de 2014. A dupla que entregou um dos melhores filmes da franquia de heróis da Casa das Idéias recebeu como prêmio retornar em outros três longas, Guerra Civil (2015), Guerra Infinita (2018) e por fim Ultimato. Se os diretores provaram em outrora a capacidade de guiar cenas de ação e o imediatismo dos thrillers de espionagem, ou até mesmo o drama fúnebre de Guerra Infinita, na mais recente obra os dois entregam um material que sabe equilibrar Drama, Humor e contemplação.

Depois dos eventos catastróficos de Vingadores: Guerra Infinita (2018), os sobreviventes poupados pela aleatoriedade do universo, precisam aprender a lidar com suas perdas e encarar uma realidade em que metade de tudo que é vivo deixou de existir. Com ajuda dos heróis restantes, os Vingadores se unem uma última vez na tentativa de derrotar Thanos (Josh Brolin).

Dentro das maiores dificuldades do roteiro deste filme estava a missão de surpreender o espectador de uma maneira com que não ficasse óbvio o caminho pela qual o longa seguiria até sua batalha final. A solução encontrada no texto é de colocar todos os seus protagonistas e coadjuvantes dentro da famosa narrativa da Jornada do Herói, tornando cada vez mais difícil de prever quem seria de fato o grande herói da saga do infinito, ou quem se despediria da franquia.

O equilíbrio trazido nas mais de duas horas e meia de duração é capaz de gerar empatia com público ao colocar seus principais personagens na situação de vulnerabilidade. O tempo passou e não apenas os seres humanos comuns sentem a falta de seus entes queridos, todos os heróis tem um porquê lamentar, seja a perda de alguém ou seja pela sensação de ter falhado com a humanidade.

O primeiro ato se vê envolto desse clima denso causado pelos acontecimentos da obra anterior, mas ainda reserva tempo para uma pequena surpresa nos minutos iniciais. Entretanto, essa primeira parte é utilizada como uma maneira de reunir o grupo e mostrar como suas vidas seguiram depois de Thanos, apesar do sentimento de falha, a melhor coisa é que sempre existe uma segunda chance, e é isso que o começo do longa foca, a tentativa de ter uma segunda chance.

Se o humor dos filmes Marvel foram criticados por um ou outro espectador mais sisudo, diante do clima fúnebre pela série de baixas causadas pelo vilão, aqui tudo precisava ser melhor dosado e introduzido a trama, e é exatamente o que é feito, aos poucos aquela sensação de estar assistindo a um filme e se divertindo vai se tornando mais comum dentro de Vingadores: Ultimato, a característica cômica presente na obra por vezes lembra até mais as improvisações propostas por Taika Waititi em seu Thor: Ragnarok (2017) do que nos outros longas do grupo, até mesmo as cenas em que os personagens vivenciam são mais mundanas.

O segundo ato da produção mantém o estilo caricato, mas não só isso, o roteiro reserva a nostalgia para o público ao perambular por cenários já conhecidos da audiência. Neste segmento, todas as chances de brincar com seu universo são aproveitadas, seja no Hulk (Mark Ruffalo) mais controlado e envergonhado pelas suas velhas atitudes, ou no Capitão América (Chris Evans) fazendo piada com seu antigo uniforme. Uma grande contemplação pelas bases da franquia onde podemos rever personagens e situações marcantes.

Ainda na segunda parte da obra os roteiristas começam a pregar peças em seu público indicando um possível desfecho para três de seus protagonistas deixando um aperto no coração do público. Essa escolha da dupla de roteiristas é o que mantém a apreensão do espectador até a conclusão da obra, pois ficamos a todo momento com a sensação de que o fim está próximo.

O desenvolvimento foca mais na primeira geração de heróis, trazendo Thor (Chris Hemsworth), Homem de Ferro (Robert Downey Jr), Capitão América, Viúva Negra (Scarlett Johansson), Hulk e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), com tramas mais bem resolvidas; mas abre bastante espaço para o Homem-Formiga (Paul Rudd), que apesar de coadjuvante e sua participação ser reduzida, o personagem rouba alguns momentos do filme, deixando nomes muito mais badalados de lado.

O elenco principal está em plena sintonia, Tony e Steve se em algum momento entraram em conflito, isso é passado e o senso de companheirismo dos dois é funcional. O Thor traumatizado dá lugar a um personagem muito parecido com o de Ragnarok, e a relação entre Viúva Negra e Gavião Arqueiro ganha o aspecto de irmandade.

A parte final honra a expectativa gerada nesses onze anos, a batalha entre bem e mau é épica e grandiosa como sempre fora prometido, a sensação de finalidade causada pelo segmento é cada vez mais frequente à medida em que mais e mais eventos marcantes vão ocorrendo dentro do conflito; apesar disso, em alguns momentos, as lutas em computação gráfica soam repetitivas, algo que já foi visto no longa anterior.

Por fim, nos minutos derradeiros a obra retorna ao seu início sentimental, mostrando que a vida segue para aqueles que ficaram. Ultimato é marcado por mudanças dentro do universo de heróis, o longa abre num fim de semana em família e fecha na espiada por uma janela qualquer no subúrbio de uma cidade grande com um dos momentos mais doces de toda a franquia.




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