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Crítica #2: Hellboy

Numa tentativa de abordar diferentes mitologias nesse novo universo, o filme busca ainda inserir criaturas e raças que já são conhecidas pelo público e já foram usadas no cinema, ao contrário do que ocorria nas versões de Del Toro
Hellboy

Quando a primeira adaptação de Hellboy, dirigida por Guillermo del Toro, estreou em 2004, os amantes da HQ original foram unânimes, assim como no lançamento da sequência em 2008, com as críticas de que os filmes eram bons, mas se distanciavam em excesso da proposta original do personagem nos quadrinhos. O que muito ainda não se falava na época era o reforço da questão de que adaptações para novas mídias demandam novas estruturas, novos meios, e isso às vezes exige novos roteiros, enredos e mudanças consideráveis na obra original.

É este feito dos filmes de 2004 e 2008 que a nova versão de 2019 se nega a seguir. E pode ser que tal escolha tenha sido seu pior erro.

O novo longa se aproxima mais do Hellboy conhecido nas HQs, mas perde inúmeras de suas qualidades enquanto filme propriamente dito. Neil Marshall apresenta uma direção que se utiliza de misturas de elementos diversos na tentativa de adicionar algo especial ao longa, mas que acaba se tornando uma confusa salada mista.

O enredo acompanha Hellboy (David Harbour), criado pelo pai adotivo Trevor Bruttenholm (Ian McShane), um professor que estava no local onde o herói foi invocado ainda criança por um feiticeiro contratado pelo governo nazista. Quando adulto, Hellboy se torna um aliado dos humanos na batalha contra feras inimagináveis, e precisa ajudar no confronto contra a poderosa Rainha de Sangue (Milla Jovovich).

O filme investe numa abordagem mais fantástica, violenta, e, de fato, mais ousada do que os longas anteriores. A questão é que isso acaba gerando uma trama bagunçada, que busca evitar o comodismo, mas acaba se tornando uma miscelânea de plots que não se conectam. O protagonista é bom, mas o roteiro parece não saber o que fazer com ele até pelo menos metade do enredo. É como se os próprios roteiristas não enxergassem bem qual o propósito do herói.

Numa tentativa de abordar diferentes mitologias nesse novo universo, o filme busca ainda inserir criaturas e raças que já são conhecidas pelo público e já foram usadas no cinema, ao contrário do que ocorria nas versões de Del Toro, onde criaturas novas eram apresentadas e mitologias distintas eram introduzidas. Isso torna o conjunto de personagens, figurantes e antagonistas uma grande reunião de indivíduos distintos que não dispõem de tempo para se desenvolver e se relacionar adequadamente num roteiro.

A obra é mal executada, não lidando bem com os diversos plots existentes ao mesmo tempo e com as mudanças de locação ao longo do segundo ato, principalmente. Tudo isso é intensificado pela inexistência de interação ou química entre os personagens, sendo a relação entre Hellboy e seu pai o ponto mais decepcionante de toda a obra.

Ainda assim, o visual agradável, somado aos bons efeitos e ao carisma de Harbour como protagonista fazem do longa uma opção plausível para curtir o tempo. Não vale a pena gastar com um ingresso de cinema, mas em breve pode ser uma boa aposta para se assistir num domingo à tarde em uma rede de streaming que o coloque no catálogo.


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