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Crítica: A Maldição da Chorona

Mesmo com a curta duração de 93 minutos, A Maldição da Chorona, no fim, cansa pela falta de apelo que gera e peca não por ser uma obra ruim, mas sim por sua absoluta irrelevância.
A Maldição da Chorona

O diretor James Wan hoje é um nome de peso em Hollywood e mais ainda dentro da Warner Bros. O australiano acabou de fazer para o estúdio mais de 1 bilhão de dólares com Aquaman (2018) e vem colecionando sucessos - em que gasta quase nada e arrecada caminhões de dinheiro – desde Invocação do Mal (The Conjuring, de 2013). O êxito deste último motivou a criação de sua produtora, a Atomic Monster, que é a responsável por praticamente todos os filmes de terror que você ouviu falar desde 2014. Com a marca, Wan criou um selo para obras de baixo orçamento, emprestando a qualidade de seu nome para o marketing e flertando com um universo compartilhado à la Marvel Studios – se repararmos bem, poderíamos dizer inclusive que a famosa boneca Annabelle é a sua versão do mal do Nick Fury de Samuel L. Jackson. Depois das continuações de Invocação do Mal (boas) e dos derivados Annabelle (fracas) e A Freira (de 2018, interessante), agora é a vez de A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona, no original) integrar este vacilante universo de assombrações.

O título da obra no Brasil já não é dos mais assustadores. Acredito que em inglês talvez funcione melhor porque, por ser uma língua muito distante do espanhol, “la llorona” pode parecer o nome de uma entidade latina muito ameaçadora, mas “a chorona” não causa o mesmo efeito por aqui. A história é simplória: nos anos 70, Anna é uma mãe que ficou viúva recentemente (Linda Cardellini, que sempre será a Velma dos filmes de Scooby-doo para muitos de nós) e tem dificuldades de conciliar a criação de seus dois filhos com seu trabalho. Após um incidente, Anna se vê em perigo quando a maldição de uma antiga lenda mexicana recai sobre sua família. Não há mais muito o que ser explicado. No meio disso tudo, temos espaço para muitos jump scares - aqueles sustos baratos quando a câmera vira muito rápido e alguém grita - e muitas, mas muitas mandingas associadas à cultura latina graças ao curandeiro interpretado por Raymond Cruz (o “Tuco” da série Breaking Bad).

O problema é que mesmo com a produtora de James Wan por trás, A Maldição da Chorona é um filme fraco de quase tudo. A família protagonista atua bem, mas roteiro e direção são simplesmente ruins, de humor deslocado, mitologia quase patética e sem saber construir uma tensão decente para o que se espera de um filme de terror. A comparação com A Freira é imediata. Os dois filmes se passam no mesmo mundo, também baseiam toda sua história num monstro que é basicamente uma mulher diabólica e abusam de sustos previsíveis. A diferença gritante está na atmosfera que o filme de 2018 cria para envolver sua trama e a mitologia que cria para sua ameaça. Lá, o demônio Valak é mostrado como uma ameaça soturna e sempre presente, possuindo uma história envolvente que nos instiga a saber mais sobre o monstro. No novo filme, a Chorona do título tem motivações pífias e os efeitos de suas aparições são erráticos e estranhos – em alguns momentos ela é uma grande ameaça e em outros ela se contenta em berrar na nossa cara e sumir sem cumprir seus “objetivos”.

O diretor da produção é o iniciante Michael Chaves que até faz o melhor que pode, mas falha em criar um suspense aceitável para justificar seus sustos fáceis e previsíveis. O roteiro, de longe o aspecto mais aquém em questão, ironicamente é dos mesmos responsáveis pela boa adaptação do livro A Cinco Passos de Você (2019), Mikki Daughtry e Tobias Iaconis. A dupla, que possui carreira longa na televisão e está se aventurando agora na tela grande, repete alguns dos erros cometidos no romance adolescente (leia a crítica aqui) e prova que ainda não dominou a diferença na escala de acontecimentos entre o entretenimento para TV e para o cinema.

Esta junção de pequenos equívocos faz deste um filme esquecível até para os espectadores mais impressionáveis - a canastrice e o péssimo timing cômico do personagem de Raymond Cruz também colaboram muito com a má impressão a partir do terceiro ato. Mesmo com a curta duração de 93 minutos, A Maldição da Chorona, no fim, cansa pela falta de apelo que gera e peca não por ser uma obra ruim, mas sim por sua absoluta irrelevância.



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