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Crítica: Obsessão

Obsessão é um filme com falhas muito evidentes e necessita de muito investimento do público para funcionar, a atuação de Isabelle Huppert consegue conduzir bem a obra e torna o longa mais aceitável.

Filmes sobre personagens que se tornam perseguidores costumam entregar ao público uma boa dose de tensão e suspense, mas em contrapartida se moldam através de diversos clichês e soluções que fogem um pouco da lógica. Obsessão, de Neil Jordan (Traídos pelo Desejo e Entrevista com o Vampiro), quase cumpre bem a essas regras, mas falta suspense em sua obra.

O enredo é atrativo, coloca Isabelle Huppert (Elle e O Que Está por Vir) na pele da senhora viúva Greta que esquece uma bolsa no metrô, a jovem Frances (Chloe Grace Moretz), que acabara de mudar-se de Boston para Nova Iorque com a amiga Erica (Maika Monroe) e não está tão habituada ao jeito da cidade grande, devolve o objeto encontrado para sua dona, uma amizade surge dali, até Greta se transformar numa pessoa completamente diferente do esperado.

Embora a premissa e a maneira como a protagonista fisga suas vítimas sejam interessantes, a execução vai encontrando diversos furos em seu desenvolvimento, deixando a ideia de desleixo na profundidade de alguns personagens e inventando soluções constrangedoras para a trama se arrastar até o final do terceiro ato.

A primeira parte da obra desenvolve bem a dinâmica entre Frances e Erica, e melhor ainda a relação entre Greta e Frances, pequenos temas são observados de maneira satisfatória, como a paranoia de uma cidade grande pós-terrorismo – mesmo os atentados de 11 de Setembro tendo sido ocorridos a 18 anos, o filme mostra que o medo segue vigente para os Norte-Americanos – a tentativa de substituir alguém importante de sua vida com outra pessoa, e a descoberta de uma relação de amizade mais madura, algo além da curtição e bebidas presentes na vida de jovens de vinte e poucos anos longe de suas casas.

Se de alguma maneira Obsessão entrega um bom e promissor início, as mirabolâncias do segundo ato vão desconstruindo tudo de bem realizado até ali. Os temas mais “importantes” seguem presentes nessa parte da obra, por exemplo a negligência de autoridades públicas com casos de perseguição e o fato da vítima sentir-se sempre indefesa. Mas a ausência de atitudes de Erica e Frances são tão irritantes quanto a da polícia que se recusa ajuda-la. E o ponto de virada para o ato final é constrangedor, depende de toda a coincidência do mundo para se tornar plausível, além de se tornar ridículo diante de uma realidade em que estamos o tempo inteiro nos comunicando através de mídias sociais.

No trecho final a obra se recupera, mas não muito, Greta é uma senhora muito mais velha que sua vítima, uma luta corporal contra alguém mais jovem seria uma derrota certeira, e mesmo dopando-a, não existe um momento em que Frances entra em vias de fato com sua Stalker, não existe nem um tipo de defesa, a personagem está sempre reativa ou observando as ações de Greta sem tomar medidas mais radicais e isso incomoda.

Entretanto, a parte final é melhor que o meio do filme, apesar das soluções óbvias, é sempre interessante observar a maneira como a obra resolvera os problemas por ela apresentados, neste caso, sobram clichês, faltam tratamentos mais apurados na maquiagem e na cenografia, mas encerra de uma maneira digna.

Isabelle Huppert consegue transformar sua personagem em uma solitária com distúrbios mentais, e entrega camadas suficientes para a protagonista. Chloë Grace Moretz tem muito mais tempo de tela para trabalhar, mas sua personagem é fraca o suficiente para comprometer sua performance. Por fim, Maika Monroe serve de alívio cômico e voz da razão de Frances, mesmo possuindo um lado mais fútil, se mostra sagaz e mais “pronta” para a cidade grande, se sai melhor que Chloë, muito por sua personagem ser mais interessante.

Obsessão é um filme com falhas muito evidentes e necessita de muito investimento do público para funcionar, a atuação de Isabelle Huppert consegue conduzir bem a obra e torna o longa mais aceitável.


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