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Crítica: Histórias Que Nosso Cinema (não) Contava

Pessoa acerta em seu primeiro longa-metragem ao recortar e iluminar um gênero que sofre com o preconceito do público, a importância de seu filme não está só em retratar um dos períodos mais difíceis de nossa história moderna, mas também em mostrar ao público que a Pornochanchada não é só o que dizem.
Crítica: Histórias Que Nosso Cinema (não) Contava

O cinema nacional do fim da década de 1970 e meados Dos anos 1980 nos apresentou um gênero que na atualidade é visto com desdém e é tratado até de maneira pejorativa. Seu título provém da mistura dos filmes adultos com a ingenuidade burlesca de anos antes, surgindo então a Pornochanchada.

Este movimento, se é que pode ser chamado assim, contou com nomes como o de Silvio de Abreu e Carlos Reichenbach. Coincidência ou não, a Pornochanchada foi por muito tempo, auto sustentável no período do Regime Militar, o gênero aliás, se esgotou com a chegada da democracia, deixando um certo estigma por se utilizar da comédia e sexo como anestesia ao público perante as barbáries que o governo cometia.

Entretanto, engana-se quem acredita que os filmes abordavam apenas a erotização e a comédia, pois devido a nomes como os citados acima, a pornochanchada agregou outros diversos gêneros da sétima arte como drama, filme policial e terror, mas claro que de maneira mais comedida, para não serem censuradas pelo governo. E este é o intuito de Histórias Que Nosso Cinema (não) Contava, construir uma linha narrativa do período em que éramos governados pelas forças militares, e mostrar como a situação do país influenciou o gênero.

No primeiro momento o longa toma a decisão de mostrar todas as aberturas dos filmes que serão citados, algo que relativamente ajuda na identificação de um ou outro, mas assim como em Cinema Novo (2016), exige um exercício de cinefilia para saber exatamente qual filme está sendo mostrado em cada momento. Não que este exercício seja o objetivo, mas contribuí para uma melhor apreciação.

Ao longo de seus 79 minutos, o filme mostra um excelente trabalho de pesquisa, pois por mais que a crítica ao gênero por alienar o espectador seja válida para uma quantidade significativa dos filmes do gênero, não se pode dizer isso do todo, os trechos aqui selecionados passam por temas mais sérios como racismo, milagre econômico e violência contra a mulher, passando por obras mais conhecidas e por aquelas que talvez você nem saiba da existência.

O trabalho de montagem de Luiz Cruz é muito positivo. De maneira cronológica vemos através do olhar dos cineastas a real situação do país diante do regime. E sua montagem transforma todas aqueles personagens como pertencentes de um mesmo filme, por vezes vemos um personagem de um filme dizendo algo, e sendo rebatido por outro de outra obra.

A estrutura da obra também marca um ponto positivo, Fernanda Pessoa (Diretora) decide separar o longa em grandes blocos que retratam os períodos da Ditadura, mas sem deixar de mostrar a constante evolução da violência naquele período.

Pessoa acerta em seu primeiro longa-metragem ao recortar e iluminar um gênero que sofre com o preconceito do público, a importância de seu filme não está só em retratar um dos períodos mais difíceis de nossa história moderna, mas também em mostrar ao público que a Pornochanchada não é só o que dizem.


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