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Crítica: Boneco de Neve

O que talvez falte para as adaptações que surgem é nada mais, nada menos que fidelidade à obra materna.
Crítica: Boneco de Neve

Boneco de Neve é um filme que tenta segurar sua atenção nos altos e baixos da trama por se mostrar interessante e decepcionante em duas horas de exibição. Funciona como uma montanha-russa que falha em aspectos simples, disfarça com boa ambientação e intriga para que, no final, a solução seja entregue fácil demais para o público. A estreia é baseada no livro homônimo de Jo Nesbø e traz o suspense como o grande carro-chefe do longa.

Harry Hole é um detetive que está investigando o desaparecimento de uma mulher no rigoroso inverno de Oslo. As pistas são camufladas e confusas. A única marca que o assassino deixa para traz é um boneco de neve em frente ao local estratégico. Junto à sua colega Katrine Bratt, outras vítimas desaparecidas começam a apresentar vínculos parecidos e tudo leva a crer que um serial killer está à solta. Numa adaptação que foge um pouco das diretrizes do livro, o enredo constrói situações dos personagens em momentos de tensão e as carregam na expectativa do que um crime tão complexo pode resultar.

De início, vemos Michael Fassbender (Shame/Assassin’s Creed) no papel principal do detetive frio, que se vê num estado crítico em relação à família e ao caso que investiga. O ator expressa bem sua caracterização e se impõe nas ações decorrentes da trama. Rebecca Ferguson (Vida/A Garota no Trem) dá vida à investigadora que auxilia Harry em todo o processo. Em alguns momentos ela se mostra meio irrelevante, porém sua carga dramática vai crescendo assim como os minutos passam pela história de suspense. Charlotte Gainsbourg (Anticristo/Independence Day: O Ressurgimento) faz Rakel, a ex-parceira de Harry, e participa de grande parcela do filme com excelência. As demais atuações correspondem às expectativas. O filme ainda conta com nomes como Chloë Sevigny (Zodíaco/série de TV American Horror Story), Jamie Clayton (Demônio de Neon/série da Netflix Sense8) e Jonas Karlsson (Miffo/Once in a Lifetime).

O roteiro do filme parece se esvaziar em alguns momentos. Quando se percebe a sequência de ações e deduções que levam a um acontecimento, o que se espera é a coerência desta sem que fique tudo muito jogado e com excessos. Algumas falhas de lógica incomodam e o final acelerado faz com que você engula as informações muito a seco. A fotografia de Dion Beebe é boa e precede uma edição e montagem correta, estas que se mostram em cenas limpas, panorâmicas e sem muita movimentação de câmera. A música composta por Marco Beltrami e Jonny Greenwood ajuda no drama e, com a direção de Tomas Alfredson, o resultado é um filme de camadas, com um bom suspense, que engata força em algumas cenas e desacelera em outras, se enrola em partes do roteiro e finaliza de uma vez só, sem muito nexo. Todavia é um filme aceitável.

O que talvez falte para as adaptações que surgem é nada mais, nada menos que fidelidade à obra materna. Inventar, trocar ou até substituir fatos e personagens podem dar um traço diferente do intencional e seguir um rumo que desilude e não instiga a produção de futuros. Boneco de Neve pode ser aceito por aqueles que procuram um suspense nas horas vagas, mas com certeza não agrada os fãs seguidores da história original.


Divulgaí

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