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Crítica: O Círculo

The Circle buscou inspiração no clássico 1984 de George Orwell e tentou ser uma espécie de “início” para tal distopia, onde o Grande Irmão (nesse caso, o SeeChange) está de olho em tudo e em todos.
Crítica: O Círculo

A pré-distopia de O Círculo é estruturada principalmente com o uso gradual abusivo de tecnologia das pessoas em geral, adotando o bordão “conhecimento é bom, conhecimento sobre tudo é melhor”. Um mundo onde o uso da internet vai além do uso casual, quando tirar foto de sua comida para postar em seu feed era apenas uma diversão, torna-se agora algo obrigatório. Usando como base um tema já explorado por diversos filmes e séries atualmente, tais como Ela de Spike Jonze e a série britânica Black Mirror, o longa-metragem de James Ponsoldt (Smashed: De Volta a Realidade e O Maravilhoso Agora) tenta explorar um caminho ainda não explorado nessas obras. No entanto, tal caminho tomou uma curva drástica antes de chegar a seu destino, levando-o a um beco sem saída. E a um rumo desinteressante.

Mae (Emma Watson) é uma jovem universitária que está à procura de um emprego para ajudar seus pais em casa, seu pai sofre de osteoporose múltipla e necessita de muitos cuidados. Tendo a oportunidade de trabalhar na famosa empresa multimilionária The Circle, fundada por Eamon Bailey (Tom Hanks), a garota não pensa duas vezes e corre em direção ao emprego que tanto almejou. Após começar a trabalhar, passa a ser pressionada pelos funcionários, que agem de forma passiva-agressiva, “forçando-a” a criar uma conta na rede social da empresa, o TrueYou, onde o funcionário deve postar tudo o que faz. Literalmente tudo.

Além disso, The Circle acaba de apresentar uma novidade para os “circuladores” (funcionários e usuários das tecnologias da empresa), o SeeChange, que consiste em pequenas câmeras de vigilância circulares de altíssima qualidade, capazes de capturar em tempo real e com funções surreais: reconhecimento facial, padrões de clima, biometrias, qualidade do ar, situação do tráfego, entre outras formas de informações e pesquisas. Tudo será monitorado, gravado e armazenado com essa câmera - ignorando todo e qualquer direito de privacidade. Alegando que as pessoas são melhores quando estão sendo supervisionadas e defendendo o compartilhamento de experiências através de fotos e vídeos.

É comum dizer que a maioria dos filmes são divididos por três pontos chaves: o início (base da história), o meio (desenvolvimento e clímax) e o fim (solução do clímax). No entanto, em O Círculo, o roteiro parece ter misturado o início e o meio, que duram até os dez minutos finais, onde finalmente chega a solução, demasiadamente rápida e insatisfatória. São várias informações ao mesmo tempo na trama de O Círculo, mas muito mal exploradas e construídas. Há cenas que não conseguem transmitir nada para o espectador e por isso, o filme falha ao tentar se “conectar”. Não há tensão em uma cena perigosa, não há suspense na atmosfera do filme, não há emoção nos momentos dramáticos. Os arcos da família de Mae e seu relacionamento com Mercer (Ellar Coltrane) são rasos e sem base. Quase tão artificiais quanto a vida dos funcionários do The Circle com sua obsessão pela internet.

Emma Watson como a protagonista Mae deixa a desejar, forçando algumas lágrimas aqui e ali, salvando-se em poucos momentos. O veterano Tom Hanks como o fundador do The Circle está excelente no papel, destacando-se em suas cenas. O resto do elenco segue na medida, destaque para Karen Gillian como Annie e John Boyega como Ty Lafitte. A fotografia de Matthew Libatique parece mudar completamente do dia para a noite (literalmente). As cenas de dia, é possível notar uma paleta de cores voltada para a tonalidade vermelha (clássicas da The Circle), realçando os detalhes pequenos. Em contrapartida, nas cenas de noite, a fotografia assume tons demasiadamente escuras, levando o espectador a se sentir confuso com o que está acontecendo (principalmente, na cena em que Mae está de caiaque).

A montagem e edição não estão ruins, mas não tentam nada fora do previsto, tornando-se apenas totalmente simples e sem nada de interessante. A trilha sonora tem músicas cativantes e é um ponto positivo, porém novamente, não foge do normal. O roteiro veio a ser um dos maiores inimigos do filme, responsável pelos arcos desleixados e também por tornar uma história, que tinha uma premissa intrigante, em algo desinteressante e completamente sem empolgação.

The Circle buscou inspiração no clássico 1984 de George Orwell e tentou ser uma espécie de “início” para tal distopia, onde o Grande Irmão (nesse caso, o SeeChange) está de olho em tudo e em todos. No entanto, tornou-se nada mais do que um início genérico. Poderia até mesmo dizer que o filme de Ponsoldt tinha um potencial inicial, mas infelizmente, não seria verdade. O longa-metragem levanta questões interessantes sobre o uso excessivo de tecnologia e a invasão de privacidade, mas nada que nenhum outro filme ou série já tenha feito. O Círculo retratou uma história má construída para apenas chover no molhado.


Divulgaí

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