Loucos por Filmes

Loucos por Filmes

Destaques

Últimas

Navegue aqui

Crítica #2: Sonic - O Filme

Sonic: O Filme é um entretenimento, é o tipo de filme engraçadinho, mas serve bastante para limpar o paladar depois de uma maratona de longas indicados ao Oscar
 Sonic - O Filme

Popular nos Anos 80/90 na época dos videogames de cartucho, no período em que a briga de consoles era entre Nintendo e Mega Drive, Sonic era o mascote da Sega, uma espécie de Super Mario da concorrente da Nintendo, os games fizeram tanto sucesso que o ouriço azul transcendeu a barreira das jogatinas e virou personagem de diversas animações e agora chega aos cinemas pelas mãos do diretor estreante Jeff Flowler.

Na história de Sonic: O Filme, o ouriço ainda jovem é obrigado a deixar sua ilha depois de moradores quererem utilizar de seus poderes para o mal, sua guardiã então lhe entrega um saco de moedas douradas capazes de abrir portais para outros mundos, assim sempre que descoberto, Sonic pode se transportar para outro lugar. Já na Terra, mais especificamente em Green Hill, Sonic sobrevive escondido, observando a família de Tom Wachowski (James Marsden) e torcendo para um dia poder fazer parte dela. Depois de um dia ruim, Sonic usa seus poderes e o governo estadunidense chama Dr.Ivo Robotnik (Jim Carrey) para investigar o caso.

Dentro de uma trama de fácil compreensão, Sonic usa uma abordagem bem infantil para trazer o personagem dos jogos para a tela do cinema, mas o positivo disso é que funciona. Alguns dos principais elementos da personalidade do ouriço estão presentes no filme, o tom convencido dele, as piadinhas e apelidos que vemos em desenhos como Sonic X e Sonic: The Hedgehog, entretanto, toda a questão ambiental presente na gênese do personagem é descartada, no começo parece que isso será abordado quando Sonic salva uma tartaruga na beira da estrada e leva ela a um passeio, ou pelo prazer do ouriço em observar a família de Tom por causa do relacionamento deles com animais, mas a ideia para por aí. O roteiro tenta também dar peso dramático a solidão do personagem, mas isso funciona bem menos, entretanto sem estragar o restante do projeto. A amizade é um dos elementos principais da obra, a química de Tom com Sonic é difícil de aceitar, possui momentos engraçadinhos, mas não contém comoção suficiente para você se emocionar, todavia, Sonic tem carisma suficiente para que esses elementos sejam apenas detalhes que deixam a desejar.

Jim Carrey é sem dúvidas um dos grandes chamarizes do longa, desde o primeiro trailer, ainda com o visual questionável de Sonic, já víamos sinais de que o Robotnik de Carrey poderia ser uma das melhores coisas do filme, e isso se confirma em tela. O ator é extremamente magnético e seu personagem excêntrico mostram um casamento de idéias muito benéfico para a obra, Carrey entrega uma interpretação cheia de fisicalidade que lembra seus trabalho em Ace Ventura e O Máskara, as carretas de Eu, Eu Mesmo e Irene também estão de volta, e poxa, como é legal ver o ator se reerguendo com Kidding (série de tv em que Jim Carrey protagoniza) e Sonic.

O restante dos personagens tem seu valor, o destaque fica a cargo da jornada de Tom Wachowski (Marsden), ele tem alguns questionamentos sobre viver em uma cidade pequena, e sua jornada passa por esse caminho. Se a química dele com o protagonista deixa a desejar, ao menos com sua esposa Maddie (Tika Sumpter) é mais fluída e interessante, os dois são ótimos juntos. Além dos dois, Adam Pally e Natasha Rotwell tem cenas engraçadas que servem o propósito de serem alívios cômicos.

Apesar de possuir apenas 99 minutos, o filme parece ser mais longo, o que não é um bom sinal, a introdução dos personagens principais não mostra eficiência, Sonic passa pouco tem em sua ilha e logo está no planeta dos humanos sem espaço para você entender quanto tempo se passou entre ele criança e o tempo atual do filme, a apresentação de Robotinik é ainda pior, algo que poderia ser resolvido em algumas linhas de diálogos diferentes seria o suficiente para introduzir o vilão do longa de maneira mais aceitável e menos desconexa, deixa a sensação de desleixo.

O principal questionamento de algumas pessoas pode ser sobre o visual do ouriço azul, e a resposta é que funciona bem, ele tem pêlos, espinhos, o tom de azul é bem surrealista, mas é bem executado na medida do possível. O que não combinou com o restante da obra é o tom da fotografia, se utilizarmos como base Detetive Pikachu, a forma como as cores e a pouca iluminação são utilizadas para esconder possíveis defeitos criam uma atmosfera mais convincente para o longa do Pokémon, já em Sonic, as cores não parecem contribuir muito para o visual do personagem, embora as cenas diurnas deixem o tom mais leve, a ausência de contraste do azul com outras cores incomoda.

Para os fãs mais antigos dos jogos, o filme consegue encontrar maneiras de conversar diretamente com quem possui algum vínculo mais antigo, diversas referências da franquia de games estão ali, os anéis dourados, a busca por elas, os sons de quando elas caem no chão, aquela batidinha de pé que Sonic dá quando está impaciente, e diversos outros easter eggs.

Sonic: O Filme é entretenimento, é o tipo de filme engraçadinho, mas serve bastante para limpar o paladar depois de uma maratona de longas indicados ao Oscar. Jim Carrey convence, o protagonista tem carisma, algumas piadas se encaixam direitinho, e o filme ainda consegue mostrar referências suficientes para agradar os fãs mais antigos. Tem cena pós-crédito, algumas pessoas vibrarão com ela.



Deixe sua opinião:)

Mostrar comentários 💬