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Crítica: Judy - Muito Além do Arco-Íris

Quando chegamos ao fim do arco-íris, observamos uma Judy Garland que tinha apenas duas vertentes: imprudente e perigosamente fora de controle. Do começo ao fim, “Judy” se assemelha mais a uma homenagem estilizada do que a uma interpretação apurada da coisa real.
Judy - Muito Além do Arco-Íris

No grupo de ídolos condenados de Hollywood, estão nomes como James Dean, Marilyn Monroe e Judy Garland. Garland morre precocemente aos 47 anos após uma overdose acidental de barbitúricos, hábito que ela adquirira quando adolescente na MGM, graças à prática autocrática do produtor Louis B. Mayer que sobrecarregava suas jovens estrelas até o ponto de exaustão. Essa biografia excessivamente elogiosa da atriz, estrelada por Renée Zellweger e dirigida por Rupert Goold (A História Verdadeira) se concentra nos seis meses antes de sua morte, onde aos 46 anos já tinha passado do auge.

O filme mostra como ao longo da década de 1960, Garland luta para se manter lidando com casamentos fracassados ​​e se afogando em contas, pílulas e bebidas, diminuindo seu talento para desempenho no palco e prejudicando sua reputação na indústria. Enquanto tenta criar seus filhos Judy está cada vez mais desesperada porque não consegue ganhar dinheiro em Los Angeles e seu ex marido Sidney (Rufus Sewell) , ameaça tomar a custódia das crianças. Com a possibilidade de trabalhar cinco semanas na boate Talk of the Town, em Londres, Judy aceita a proposta, deixa os filhos com o pai e é confrontada com as exigências físicas e psicológicas em uma série de shows. Supervisionada pela assistente Rosalyn (Jessie Buckley), observada com cautela pelo o empresário Bernard Delfont (Michael Gambon) e cortejada por Mickey (Finn Wittrock), um americano que lhe promete oportunidades melhores, Judy luta para manter uma performance adequada em seus shows.

Boa parte do roteiro, escrito pelo escritor britânico Tom Edge, é adaptado de uma peça teatral (End of the Rainbow), de Peter Quilter e concentra-se na maior parte do tempo lá, excetuando um ou dois quadros ficcionais. Um deles é uma subtrama envolvendo dois homens gays, Dan e Stan (Andy Nyman e Daniel Cerqueira), que adoram Judy, assistem a quase todos os seus shows e se tornam amigos dela a ponto de levarem-na para casa para um prato de ovos mexidos. As cenas são bem intencionadas, acrescentam algo, mas estão terrivelmente exageradas, e funcionam mais como cena climática para tornar o personagem central mais atraente. Assim funciona também o breve casamento com Mickey, que se torna seu quinto marido e pouca força acrescenta à narrativa. Entre a montanha russa de acontecimentos rápidos que ocorrem, o roteiro dá à heroína muitas falas e alguns momentos engraçados entregando frases como se ela fosse a protagonista de uma comédia excêntrica ao mesmo tempo tratando todos ao seu redor com cordialidade superficial e condescendente.

Zellweger parece Garland, ecoa como ela e até, na melhor das hipóteses, canta como ela. Ela consegue capturar a personalidade física e vocal, com seus olhos ameaçadores e seu bico franzido. Tiques faciais exagerados à parte, com um nariz protético e dentes falsos, mas sem parecer sobrecarregado, Zellweger esforçar-se para obter o resultado e é realmente um desempenho notável. Ela está bem no microfone com uma voz poderosa, mas ainda bem abaixo do nível de envolvimento de atores que representaram cantores como Marion Cotillard em Piaf e Rami Malek em Bohemian Rhapsody. Zellweger, obviamente, não tem a gama rica, cheia e penetrante da voz de Garland. Não há como negar a sinceridade e o esforço por trás de seu desempenho, mas há algo na atmosfera de Garland que Zellweger deixa escapar. Ela faz uma interpretação impressionante de todos os maneirismos e gestos, mas o desempenho nunca ressoa como um personagem totalmente desenvolvido no nível de Jamie Foxx como Ray Charles ou Gary Oldman como Sid Vicious. A estrela em ascensão Jessie Buckley (Chernobyl) faz o que pode com um papel pouco elaborado da sobrecarregada assistente com a tarefa ingrata de garantir que Judy chegue ao local do show todas as noites.

O diretor, por estar preso a adaptação da peça, não tinha muito espaço de manobra para uma compreensão ampla dos demônios e talentos de Garland, e o resultado geral é uma prova disso. Desde o início, existe uma insistência forçada em mostrar uma Judy adolescente como vítima, recebendo uma atenção perturbadora do magnata do estúdio. Apesar de nos trazer momentos importantes de Garland quando ele era adolescente (interpretado por Darci Shaw, há pouca informação útil nesses flashbacks que podiam ser mais bem explorados.

Além disso, o filme cai na mesma armadilha de outras biografias musicais quando se empenha demais para proteger o legado de seu personagem à custa de suas qualidades. Quando o vínculo com o público está quase se desgastando, o roteiro cria um final piegas que se transforma em um mero reconhecimento emocionante de boa vontade que ela ganha ao se permitir que o público testemunhe o quanto custa a ela levar seu talento ao limite.

Quando chegamos ao fim do arco-íris, observamos uma Judy Garland que tinha apenas duas vertentes: imprudente e perigosamente fora de controle. Do começo ao fim, “Judy” se assemelha mais a uma homenagem estilizada do que a uma interpretação apurada da coisa real.

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