Loucos por Filmes

Loucos por Filmes

Destaques

Últimas

Navegue aqui

Crítica: Ad Astra - Rumo às Estrelas

Ad Astra usa uma realidade futurística para estudar e explorar os aspectos da psique humana através de um drama familiar sobre paternidade e a busca por aprovação
Ad Astra - Rumo às Estrelas

Ad Astra – Rumo às Estrelas tem atrás das câmeras um diretor que vem criando obras íntimas calcadas no drama familiar e constantemente recebem apoio do público e da crítica, como sua obra mais recente Z: A Cidade Perdida (2016). Em Ad Astra, James Gray não deve repetir a aceitação conquistada em seus trabalhos anteriores, é possível que o público espere algo diferente da melancolia e contemplação proposta pela película.

Trazendo a jornada de Roy McBride (Brad Pitt) um Major da SpaceCom que vive sempre a sombra de todo o reconhecimento heroico que seu pai Clifford McBride (Tommy Lee Jones), um astronauta que partiu em uma missão para os confins do universo em busca da resposta para uma das perguntas mais feitas desde o início dos tempos, “Estamos sozinhos no universo?”. Após complicações em sua missão Roy descobre que a origem de alguns eventos astronômicos podem estar relacionados ao projeto de seu pai desaparecido a mais de dezesseis anos.

O drama de descoberta em busca de aprovação familiar de Ad Astra é entregue travestido de jornada espacial numa embalagem melancólica e minimalista que parece se inspirar num dos maiores filmes do gênero Solyaris (1972), desde a construção de cenas sensoriais até os pequenos simbolismos de caminhar pela escuridão e pular rumo ao desconhecido. A história contada pelo longa ganha também comentários sobre a natureza humana, mas sem nunca perder a crítica ao comportamento de nossa sociedade, a exploração de “quem somos diante do universo” ganha ainda mais beleza no ato final, que apesar de frustrante encerra bem a jornada de Roy.

Ao se tratar de uma obra que possui temática espacial os primeiros comparativos são os recentes Gravidade e Interestelar, a grosso modo Ad Astra até se encontra com ambos, no visual com mais cores, na maneira como Roy se sente realizado ao ver coisas pela primeira vez, na maneira como o espaço é mostrado com grandiloquência, mas também na forma de algo assustador. Outro aspecto de ambos os filmes se assemelha com o longa de James Gray, é a questão da paternidade ou como a ausência dela pode criar traumas que serão levados por toda uma vida.

Se o estudo de personagem proposto pelo filme funciona, boa parte disso se dá pela excelente atuação de Brad Pitt. O ator trata a narração do filme como uma confissão da solidão do personagem e um diário de bordo de sua jornada, mesmo que durante alguns momentos a narração seja cansativa, ela ajuda a compôr o drama de seu personagem. A todo momento vemos um Roy McBride robótico, aceitando todas as missões que aparecem em seu caminho, como se fosse uma maneira de conquistar a aprovação de alguém ou suprir a ausência paterna, em outra escala, Roy ainda precisa se provar digno de todo o legado construído por seu pai. Brad Pitt está em quase todos os momentos filme, e isso o ajuda a ir aos longo das duas horas de projeção, mudando e dando pequenas expressões e emoções a Roy, é interessante observar como seu personagem vai se quebrando conforme sua jornada vai avançando.

O outro destaque é Tommy Lee Jones, embora Clifford tenha pouco tempo em cena, Tommy Lee é capaz mostrar diversas nuances em um personagem envelhecido em isolamento e obstinado em um objetivo de vida. O roteiro é bem verdade, ajuda muito na construção do personagem, construindo e desconstruindo sua personalidade o tempo inteiro, mas quando finalmente está na tela, Clifford é amedrontador e asqueroso com uma pequena ponta de compreensão, pois apesar de suas atitudes serem controversas, no mínimo elas possuem um objetivo de vida.

Além da direção, Ad Astra possui um visual exuberante e amedrontador. A fotografia de Hoyte Van Hoytema exibe momentos de intimidade e mostra um universo fascinante, a maneira como a ausência e presença de luz é trabalhava, também vale destaque. Não só isso, mas a trilha sonora e os efeitos sonoros colaboram para a visão triste e minimalista do filme, é interessante observar como a obra uso o silêncio do espaço sideral junto à trilha sonora para compor som onde não existe a propagação dele.

Como todas as principais obras de ficção científica, Ad Astra usa uma realidade futurística para estudar e explorar os aspectos da psique humana através de um drama familiar sobre paternidade e a busca por aprovação, apesar da narração um pouco cansativa e do tom triste escolhido para o filme, a jornada de Roy McBride é profunda e cheia de reflexões.

8.5/10

Deixe sua opinião:)

Mostrar comentários 💬