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Crítica: Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2

Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2 fica ainda mais restrito ao público infantil e não lhes entrega nada além de entretenimento célere e descartável.
Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2

As animações da Illumination Entertainment são quase uma extensão do terceiro ato dos filmes da Disney e Pixar: são aceleradas, cheias de cor e misturam ação, drama e humor ao mesmo tempo. Além disso, as criações do estúdio comandado por Chris Meledandri dependem muito mais de referências pop e apelam facilmente a sentimentos comuns no imaginário popular. Não é à toa que Pets - A Vida Secreta dos Bichos (2016) fez uma bilheteria polpuda três anos atrás ao misturar a mesma premissa de Toy Story (1996) com a amabilidade dos animais domésticos, companheiros dos trabalhadores urbanos incansáveis.

Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2 (The Secret Life of Pets 2, 2019) é ágil, colorido e dotado de um design engraçadinho como quase todos os filmes da Illumination, mas é menos feliz em replicar o espírito de ternura e consideração que o antecessor desenvolvera tão bem – em particular, no terço final da projeção.

O roteiro de Brian Lynch aposta em uma divisão de núcleos muito parecida com a de séries televisivas, o que, neste caso, resulta em uma narrativa demasiadamente fragmentada e parcamente conectada. Ainda que as tramas de Max, Ginger e Bola de Neve se unam no desfecho, a sensação que se tem durante boa parte da narrativa é a de tontura, desorientação, de estar assistindo histórias avulsas e inconsequentes.

Ademais, essa estrutura concebida por Lynch não favorece a qualidade dos causos isolados: Max passa por uma transformação e fica mais corajoso, mas o fato de sua história principal encerrar no início do terceiro ato e não ser mais retomada indica a falta de ímpeto do roteirista em relação ao personagem; Bola de Neve perde o protagonismo de sua parte ao encontrar a shih-tzu Daisy, envolvendo-se em uma situação boba e vista inúmeras vezes; Ginger se beneficia por sua história ser calcada em uma piada fundamental e bastante relacionável (deve fazer-se de gata na casa de uma velhinha cheia deles).

Sendo assim, o centro emocional – ou, ao menos, o insight – do primeiro filme não está presente aqui, nem como novidade ou lembrete. Com isso, por apostar em um texto bobo e anticlimático, Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2 fica ainda mais restrito ao público infantil e não lhes entrega nada além de entretenimento célere e descartável. A mensagem é bonitinha, mas as crianças merecem ser um pouco desafiadas em um nível acima deste aqui.




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