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Crítica #3: X-Men - Fênix Negra

X-Men: Fênix Negra é um final triste para uma das maiores franquias de heróis do cinema, é uma pena ver personagens tão legais e uma história que já dura quase duas décadas sendo encerrada assim, que o futuro dos Mutantes na Marvel seja melhor.

Quando eu era criança, X-Men dava seus primeiros passos no cinema, o que a princípio era um longa isolado dirigido por Bryan Singer num tom mais realista que anos depois foi inspirar Christopher Nolan em seu Cavaleiro das Trevas, X-Men provava que era possível realizar filmes de heróis baseados em quadrinhos sendo sérios e sem a necessidade de gozar de um tom espalhafatoso, como fora visto falhar em Batman Eternamente (1995) e Batman e Robin (1997) de anos antes.

A obra isolada de Singer se consolidou e gerou momentos marcantes ao se transformar em trilogia e posteriormente em franquia, momentos como Mercúrio salvando os alunos do Instituto Xavier, ou a primeira aparição de Noturno em X-Men 2. Embora o grupo tenha sofrido com uma cronologia bagunçada, o carisma de personagens como Wolverine e Charles Xavier mantiveram os X-Men vivos nos cinemas, mesclando o estilo adotado por Singer, mas sem deixar de lado as novas tendências de filmes do gênero.

Pois é, dezenove anos se passaram desde sua estréia, doze filmes lançados, e com a recente compra dos estúdios Fox pela Disney, a jornada dos Mutantes chega ao fim encerrando a franquia atual com um dos principais arcos dos quadrinhos dos heróis. Aliás, não é a primeira vez que os X-Men se utilizam da Fênix como fechamento de ciclo nos cinemas, vale lembrar que X-Men 3: O Confronto Final (2006) já havia de certa forma, tentado adaptar o arco.

A célebre história que conta como Jean Grey se transformou em Fênix Negra está lá, mas é necessária uma boa dose de descrença para comprar a ideia cheia de instabilidades narrativas.

Após os eventos catastróficos de X-Men: Apocalipse, finalmente Mutantes e Humanos estão convivendo de maneira pacífica, entretanto, após um resgate de missão fora da Terra, Jean Grey (Sophie Turner) recebe uma descarga de energia cósmica que a transforma em uma criatura de poder ilimitado e descontrolado.

No melhor modelo de histórias de origem, o filme volta ao passado para contar como Jean foi parar no instituto de Charles Xavier (James McAvoy), retornando aos anos 90, já com a Fênix em seu corpo ela descobre que seu mentor escondeu a verdade sobre alguns eventos de sua vida e decide fugir, sendo então seduzida por Vuk (Jessica Chastain) para se unir ao lado do mal.

Sophie Turner faz apenas sua segunda participação no universo dos mutantes, e dessa vez se parece muito mais a vontade no personagem, a atriz não tem o melhor texto para se trabalhar e a confusão da personagem é um pouco entediante, porém a atriz consegue com seu carisma guiar a história de Jean Grey, a atuação deixa a desejar, mas não é o problema principal do filme.

Tye Sheridan não funciona nem como par de Jean Grey e muito menos como Ciclope, em uma das poucas cenas de ação do personagem, Sheridan parece robótico, ensaiado numa luta que não empolga. Como Scott Summers, seu personagem branda frases motivacionais para a protagonista, diz coisas bonitas, mas é difícil de se sentir confortável, parece vazio de sentimentos.

Michael Fassbender e James McAvoy são os melhores atores da safra atual, McAvoy coleciona elogios por suas performances, assim como Fassbender. O talento dos dois se sobressai ao restante do elenco, mesmo diante de roteiro bagunçado e um texto ruim, os dois conseguem entregar performances mais consistentes.

Boa parte da culpa do elenco não alcançar o esperado, é do diretor Simon Kinberg, ele até consegue manter boas movimentações de câmera, as escolhas visuais são adequadas, mas a direção de elenco é sofrível, assim como o roteiro da obra.

Agora chega o ápice do problema de X-Men: Fênix Negra, seu roteiro. O drama que a história aposta é tão raso e limitado que serve apenas para ajudar Michael Fassbender a não aparecer chorando a cada cinco minutos, como nos outros longas da franquia. O desenvolvimento dos personagens é pífio, existem ao menos quatro deles que não dizem mais que duas frases no filme inteiro, e outros dois protagonistas que suas falas se resumem em “Não faça isso” ou “Precisamos fazer algo”, é complicado aceitar que o último filme do grupo chegou a esse ponto de erro.

Se porventura Bryan Singer insistiu em demasia em Magneto como centro das atenções, Simon Kinberg faz exatamente a mesma coisa e utiliza o personagem no mesmo estigma de começar bonzinho, desviar para o caminho do mal, e redimir-se de tudo apoiando os X-Men.

Não sei quem esteve com mais preguiça de fazer este longa, o roteirista que escreveu os diálogos de Jennifer Lawrence ou a própria atriz que parece no modo automático apenas dizendo frases que anunciam um tipo de tragédia que vai se concretizar.

Por se tratar do encerramento dos personagens do jeito como conhecemos, era de se esperar poucas novidades, mas uma grande dose de sentimentalismo, lágrimas e até mesmo medo de perder alguns daqueles personagens que aprendemos a gostar com o passar dos anos, entretanto a obra é tão previsível e vazia de sentimentos, que assim como Jennifer Lawrence parecia estar de maneira automática na produção, o espectador também se vê nessa mistura de querer gostar da obra, mas sem conseguir de fato se importar com o que está em cena. Sei lá, as vezes a lista de supermercado parece menos entediante.

O longa é uma tragédia completa? Não. Até parece ser inassistível, mas a verdade é que tem seu valor em meio a tanta coisa errada, é necessária muita suspensão de crença para comprar a ideia do longa, mas uma vez que você desisti de procurar coerência na narrativa, até que funciona.

Como era de se esperar, a fotografia é boa, os figurinos mantém aquela coisa brega dos anos 80/90, a representação de época não é tão emblemática como no longa anterior, mas ao menos nas roupas e cabelos dos personagens está presente. E a primeira sequência de resgate do grupo, é bem executada e mantém um bom grau de tensão.

X-Men: Fênix Negra é um final triste para uma das maiores franquias de heróis do cinema, é uma pena ver personagens tão legais e uma história que já dura quase duas décadas sendo encerrada assim, que o futuro dos Mutantes na Marvel seja melhor.

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