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Crítica: Kardec

Filme biográfico do pai do espiritismo é superficial e fraco
Kardec

Com direção de Wagner de Assis, Kardec, filme que conta uma parte da biografia de Hippolyte Léon Denizard Rivail, ou Allan Kardec, e protagonizada pelo ator Leonardo Medeiros, é claramente uma produção muito bem intencionada e seria uma obra interessantíssima - não só para os adeptos da religião espírita como também para os curiosos e interessados. Entretanto, a superficialidade com que o tema foi tratado somado aos vários problemas de ordem técnica fizeram com que o resultado final fosse muito fraco. O filme não funcionou.

É difícil até saber por onde começar. O tema espiritismo é complexo demais, e seria difícil de qualquer jeito rodar um filme sobre ele. A forma escolhida por Assis foi contar a trajetória do pai da religião (Allan Kardec) a partir do momento em que ele entra em contato com os fenômenos espirituais que causavam frenesi na França de meados do século XIX. Até aí tudo bem, a intenção é maravilhosa e o filme é cheio de informações desconhecidas para os leigos.

Mas parece que nada deu certo a partir de então. Em primeiro lugar, a performance de todos os atores é afetada e pouco convincente – talvez com a ressalva de Dalton Vigh, que interpreta o Sr. Dufaux. Ora, apesar de a história se passar no século XIX e de as expressões corporais e de linguagem da época serem bastante diferentes das atuais, há pouca naturalidade e falta de empatia.

E se nos voltarmos para o cenário, que é a Paris de mais de cento e cinquenta anos atrás, dá para perceber com clareza o uso de painéis durante toda a extensão do longa. Tal fato poderia ser facilmente perdoado se fossem poucas as cenas que acontecessem na capital francesa, mas já que a história se passa inteiramente lá, valia a pena que as gravações tivessem ocorrido na França... Seria um cuidado mais especial, mas não foi assim, talvez pela falta de orçamento, quem sabe.

Junte-se a isso o fato de que o filme é todo bastante escuro e que o som – eterno problema do cinema nacional – não contribui nem um pouquinho, sendo difícil até, às vezes, entender o que os personagens falam, e voilá!, temos uma obra monótona e cansativa, mesmo levando em conta a boa intenção e o bom tema.

Sendo assim, somente a curiosidade por essa parte muito interessante da vida de Kardec, que é a sua descoberta do mundo espírita, pontuadas por alguns poucos diálogos interessantes, é que segura o espectador na frente da tela. É realmente uma pena... Mas como produção cinematográfica, Kardec peca demais e não funciona.



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