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Crítica: Cemitério Maldito

Filme é mais uma prova de como é difícil trazer o universo de Stephen King para as telas
Cemitério Maldito

Quem gosta do gênero de terror sempre fica animado quando escuta o nome de Stephen King, um gigante da literatura descrito por muitos como o rei desse estilo de narrativa. Mas quando se trata da transferência de linguagem do papel para as telas do cinema, há que se tomar cuidado. E o “Kingverso” é muito difícil de se adaptar.

Cemitério Maldito é baseado num dos livros do autor, Pet Sematary, e é remake da produção de mesmo nome de 1989, dirigido por Mary Lambert. Ou seja, trinta anos depois, Kevin Kölsch e Dennis Widmyer resolveram criar uma nova adaptação... tornando a história um pouco diferente da original. E a “sacada” deles foi muito interessante, apesar de terem cometidos erros.

É fato que nas histórias de King sempre há crianças, e algumas delas possuem poderes relacionados principalmente à mediunidade – haja vista O Iluminado, outra famosíssima história do autor. Esse poder premonitório é o ponto de ligação entre Ellie, a filha mais velha de Louis – personagem principal de Cemitério Maldito -, e Dan, o filho de Jack – personagem principal de O Iluminado.

Na versão de 2019 de Cemitério Maldito os diretores quiseram dar um protagonismo maior à Ellie (Jeté Laurence), justamente para dar mais destaque e força a essa ligação, já que em 1989 a garota tem um papel bem mais secundário. E essa foi a melhor coisa de todo o filme.

Falando como alguém que não leu o livro de Stephen King, fez muito mais sentido ser Ellie a protagonista dos acontecimentos sinistros que se sucedem na história do que Gage, seu irmão mais novo, como acontece no filme original. E os diretores nos enganaram direitinho até certo ponto, já que o enredo estava parecidíssimo com o de Mary Lambert até o fatídico atropelamento na estrada.

Referências a outras histórias de Stephen King também podem ser observadas no decorrer do longa, como quando Rachel (Amy Seimtz) aparece usando uma camisa onde se lê “’Maine” e uma placa, apontando, o caminho para Derry aparece na estrada – todas referências ao local em que se desenvolvem os acontecimentos de It: A Coisa.

Todos esses são pontos positivos da trama, mas, como já foi dito, adaptar King não é fácil, já que ele é um autor muito psicológico e boa parte de seus textos acontecem dentro da cabeça dos personagens, o que é muito mais difícil de se fazer transparecer no audiovisual do que no livro.

Muitas coisas no filme ficaram meio jogadas, sem uma explicação muito plausível ou então sem explicação nenhuma, como a procissão que Ellie e a mãe assistem no começo da história e que não serve de muita coisa para o enredo. O personagem de Obssa Ahmed, Victor Pascow, também poderia ter sido bem mais aproveitado. Mesmo assim, acredito que ficou melhor que a versão de 1989. O clima de terror, pelo menos, é muito mais palpável e as cenas bizarras, exageradas até mesmo para esse gênero, estão em menor número.

Ademais, não posso deixar de ressaltar a incrível atuação de Jeté Laurence. O elenco infantil está ficando cada vez mais inacreditável. Podemos citar aqui as crianças de Stranger Things, Jackson Robert Scott, de Maligno, Violet McGraw, Julian Hilliard, Paxton Singleton, Mckenna Grace e Lulu Wilson, de A Maldição da Residência Hill, e até mesmo o elenco infantil de It: A Coisa. Se não pela história em si, vale a pena assistir a essas produções somente para presenciar esses pequenos trabalhando.

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