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Crítica #3: Brightburn - Filho das Trevas

Ajudado pela boa ideia e algumas cenas de terror realmente eficientes, Brightburn ousa ao tentar agregar o público de filmes de herói e do cinema de horror, mas a ousadia para na ideia e deixa um pouco a desejar ao executar uma fórmula muito quadrada.

Produzido por James Gunn (Guardiões da Galáxia) uma versão alternativa do maior escoteiro dos quadrinhos, esse é o chamariz do longa Brightburn: Filho das Trevas, obra que re-imagina a ideia de um bebê caindo numa fazenda do Kansas após uma chuva de meteoros. A princípio, o mote parece semelhante ao do quadrinho de Mark Millar Entre a Foice e o Martelo, mas a execução de Brightburn ousa a decisão de ir pelo caminho do horror.

Brandon (Jackson A. Dunn) é um garoto que chegou na terra a bordo de uma nave espacial, ao cair na fazenda Bryers, o garoto é adotado por Tori (Elizabeth Banks) e David Denman (Kyle), no seu aniversário de 12 anos, o garoto passa a entrar no período da adolescência, isso aliado ao fato do garoto alienígena ouvir vozes e ter episódios de sonambulismo, desencadeia uma transformação macabra na vida da família.

Uma vez que a trama está estabelecida, o longa recebe uma melhora considerável em sua ação e tensão, mas até encontrar seu caminho a película sofre com o mais do mesmo em seu ato inicial. A história do Superman já é conhecida, mas nesse caso precisa ser recontada, pois se trata de uma versão alternativa do personagem, é compreensível, mas essa primeira parte não deixa de ser maçante e cheia de clichês de gênero, se houvesse uma cartilha com todos os clichês do Terror, Brightburn teria gabaritado todos em apenas vinte e cinco minutos.

O roteiro da obra peca ao ser muito simplista e com conveniências injustificadas. Além da parte inicial apostar em jumpscares para tentar criar uma atmosfera familiar, mas com problemas, ainda é abrupto ao não saber equilibrar a origem do personagem com a descoberta de seus poderes e a transformação de inocência para o lado mais sombrio do personagem. Se por um lado gastamos muito tempo aprendendo que o jovem Brandon possui um bom coração, a obra se apressa ao dar habilidades sobre humanas ao mesmo, não sobra muito tempo para simpatizar com o garoto.

A partir do segundo ato o filme melhora, mas ao mesmo tempo as decisões dos pais de Brandon se tornam cada vez mais irritantes. Jackson A. Dunn convence no papel de Brandon, o garoto consegue transitar entre a ingenuidade e altruísmo heroico do azulão e a perversidade dessa versão. Com ajuda do bom trabalho da direção de fotografia, seu personagem consegue se tornar cada vez mais assustador no decorrer do filme.

Elizabeth Banks tem como personagem uma mãe protetora, nos momentos mais familiares em que a personagem demonstra afeto ao filho, Banks supera as expectativas, mas o roteiro prejudica a interpretação dramática da atriz.

David Denman, assim como sua companheira de cena, entrega as nuances necessárias para seu personagem funcionar, Denman consegue inserir a parceria de pai e filho ao longa de maneira natural, seu personagem de sobressai por compreender melhor o que está acontecendo com Brandon, ele consegue se comportar de maneira mais sagaz que Tori, o roteiro atrapalha menos sua interpretação.

A direção de fotografia traz tons de azuis e vermelhos como referências ao uniforme do Filho de Krypton, o bom trabalho de luzes e sombra ajudam a criar impacto quando o vilão do longa é mostrado, mas a cinematografia funciona também nos momentos diurnos e mais sentimentais da obra, trazendo contemplação e paz a obra.

A direção de arte também acerta ao conceber um visual plausível de ser criado por uma criança, a iconografia do personagem, o figurino, todos esses elementos são muito bem executados, Brandon é mostrado sempre utilizando trajes azuis e vermelhos, e a direção de arte acerta ao aumentar cada vez mais a quantidade da segunda cor em cena, trazendo mais peso ao protagonista.

A direção de David Yarovesky comete erros no primeiro ato, mas também é capaz de gerar ao menos uma ótima cena de horror, a cena em questão é agoniante e até mesmo mais gráfica que o restante do filme. Yarovesky mostra que sabe filmar tanto o segmento familiar mais aconchegante, quanto o horror, e ele se sai melhor na segunda opção.

Os dois atos finais seguem cheios de clichês do horror, os personagens começam a se comportar de maneira estúpida e algumas incoerências começam a surgir, entretanto incomodam menos que no primeiro terço da obra, a ideia interessante e a boa execução salvam o segundo ato. O problema residente em Brightburn é a ausência de ousadia, tirando uma ou outra cena, o longa não se arrisca a fugir de uma fórmula simples, não é ruim, pelo contrário, é bem competente, mas falta o algo mais.

Ajudado pela boa ideia e algumas cenas de terror realmente eficientes, Brightburn ousa ao tentar agregar o público de filmes de herói e do cinema de horror, mas a ousadia para na ideia e deixa um pouco a desejar ao executar uma fórmula muito quadrada.


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