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Crítica #2: Rocketman

Rocketman é capaz de captar a essência de seu protagonista com estilo espalhafatoso, não se atrapalha na escolha das canções e se torna funcional para quem gosta e para quem não gosta de musicais.
Rocketman

A vida de um dos maiores ícones da música internacional é retratada no cinema através do longa metragem Rocketman, obra que mostra a jornada de um homem atrás de sua auto-aceitação através do amor próprio enquanto ganha o mundo por meio de seu talento.

É bom não depender dos sentimentos de outras pessoas para se construir quem você é, algo que o protagonista pena para perceber e finalmente encontra em si os sentimentos que ele sempre procurou nos outros.

Elton John (Taron Egerton), ou Reginald Dwight como seu nome de batismo diz, é um ser humano com um talento fora do normal, alguém capaz de tocar as canções mais complicadas logo depois de ouvi-las pela primeira vez, e até mesmo compor obras fascinantes, como as que até hoje são lembradas. O longa aproveita bem esse fator, todos os aspectos que moldam um pequeno gênio indomável estão presentes em Rocketman, retratando a ascensão e o auge da carreira de Elton John seguindo a cartilha de uma cinebiografia de um Rock Star, porém o longa de se diferencia da maioria por conta de seu carisma.

O primeiro grande acerto da obra está no fato de não temer o brega, cafona ou seja lá como queira chamar, Rocketman não liga muito para esse rótulo e aposta no exagero da personalidade de Elton John para fazer um musical biográfico que se comparado com Bohemian Rhapsody, sobra em qualidade. O segundo, é ser mais ousado que a maioria, o longa não se preocupa com reações negativas e não mede as consequências do que é mostrado em cena.

A cinematografia faz um bom uso de cores para destacar Elton do restante do elenco, por exemplo, no primeiro número musical os demais personagens ficam com uma saturação bem baixa destacando os cabelos ruivos do personagem, mas não apenas a fotografia como também o figurino do personagem é diferente desde quando ele é pequeno, até sua maturidade. O bom trabalho de fotografia e direção de arte fazem ao mesmo tempo que o destaque de Elton John sirva como uma maneira de isolá-lo dos demais.

Diferente de grande parte das cinebiografias, Rocketman assume o direito de ser um musical no melhor estilo do gênero, com coreografias e canções que explicam o sentimento das personagens. Aliás, as canções são muito bem escolhidas e pontuam exatamente o que está sendo mostrado em cena, dando um aspecto meio de videoclipe para as músicas.

O diretor Dexter Fletcher (Voando Alto) compreende as deficiências de seu elenco, Taron Egerton não é um exímio dançarino (pelo menos é o que parece no filme), nem por isso o ator não deixa de fazer isso durante os inúmeros musicais presentes na obra, ao invés disso as cenas cantadas apostam na beleza de suas canções e na magia dos musicais, as coreografias estão presentes, porém são mais evidentes em outros personagens. A obra possui alguns efeitos visuais que não são dos melhores, mas combinam com o filme, talvez em outra produção fosse um demérito, mas não aqui.

Taron Egerton incorpora ao menos duas ótimas versões de um só personagem, o Reginald Dwight, um jovem com sonhos, talento, timidez e com problemas com seus pais. A outra é a celebridade que se comporta como um pavão a frente da platéia, mas que possui certa dose de solidão. O personagem que Egerton dá vida exige carisma e diversas mudanças, o ator entrega tudo que precisa para retratar Elton John nas telas do cinema, ele faz um movimento com a boca para encurtar os lábios, demonstra nervosismo antes de subir no palco, e uma vez que está sobre ele encanta.

O restante do elenco está muito bem, se destacam Jamie Bell que vive o letrista Bernie Taupin. Bell passa o aspecto de fascínio que o personagem tem com o mundo rockstar, ele também serve com voz da razão de Elton e o melhor amigo do cantor. Jamie Bell e Taron Egerton possuem química em cena, a parceria que Taupin e Elton John possuem na vida real é bem transposta para as telas. Richard Madden, que interpreta o empresário e namorado do protagonista, John Reid. tem o charme e a sedução necessária para conquistar o personagem principal, e apesar de suas atitudes se tornarem reprováveis a medida que o relacionamento avança, quando os dois iniciam o romance é carinhoso e avassalador.

O roteiro não consegue fugir muito da estrutura de Ascensão, Queda e Redenção, mas aposta em gastar mais tempo na ascensão do artista, e retrata o seu declínio de maneira mais gradativa conforme o personagem vai se envolvendo com drogas e álcool. O texto também vai bem na questão da ousadia, mesmo que boa parte das ações de Elton John se justifiquem por conta de seu relacionamento, o roteiro não passa pano para a vida inconsequente do protagonista. Nas questões de sexualidade, consumo de drogas e idéias, Rocketman é muito mais ousado do que o esperado.

Rocketman é capaz de captar a essência de seu protagonista com estilo espalhafatoso, não se atrapalha na escolha das canções e se torna funcional para quem gosta e para quem não gosta de musicais.


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