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Crítica #2: Cemitério Maldito

O remake é extremamente bem produzido e apresenta uma direção preocupada em apostas seguras, o que não decepciona, de fato.
Cemitério Maldito

Cemitério Maldito é a nova aposta em adaptações das obras do lendário autor de horror Stephen King, tão falado novamente nos últimos anos após o sucesso de It – A Coisa (2017). Dirigido por Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, e adaptado do livro Pet Sematary, de 1983, o longa conta a história da família Creed que, após a recente mudança para uma pequena cidade no Maine, começa a viver experiências sobrenaturais relacionadas à terra em que agora habitam. Após a morte de seu gato Church, por atropelamento, Louis (Jason Clarke), o pai da família, o enterra no solo “amaldiçoado” que segue além de um estranho cemitério localizado no quintal do terreno. Eis que o gato acaba ressuscitando misteriosamente, o que alerta Louis não apenas para os poderes sinistros daquela terra, como para o perigo que sua família pode estar correndo.

Para os amantes da obra original, a mudança de grandes arcos da história pode parecer um ponto negativo a princípio. Detalhes importantes da trama, como a personagem da família na qual a trama principal se centra, são completamente alterados, buscando permitir que o longa não precise se arriscar tanto com ideias ousadas que funcionam bem nos livros, mas que possam acabar não cooperando com a adaptação cinematográfica.

E tal escolha acaba se mostrando constante ao longo do filme: o cuidado para não ousar. Tramas são simplificadas, personagens são excluídos, e criaturas sobrenaturais são descartadas da trama original para que o filme possa focar numa história mais simplória que a do livro, focada no núcleo familiar e sem expandir a mitologia do universo. Embora seja uma escolha segura da equipe de roteiro e direção, o fato é que o clima sombrio e instigante do filme não coopera para que tal “falta de ousadia” seja bem aceita. Ao longo de várias cenas, são deixadas pistas, indícios e referências que indicam que a história pode tomar um rumo maior do que apenas um enredo centrado na família protagonista, mas isso jamais acontece. Um ser mitológico com real potencial para a função de antagonista do longa chega a ser mencionado, mas tal menção é praticamente esquecida e descartada com o desenrolar do roteiro.

Ainda assim, Cemitério Maldito cumpre bem sua função enquanto horror, não dependendo de cenas de jumpscare nem apelações medíocres para causar medo e agonia. A direção tem um tom certeiro entre o horror visual e os estímulos sonoros, capazes de nos deixar aflitos durante diversas sequências de cenas.

O elenco, principalmente no que diz respeito a Jason Clarke (O Primeiro Homem) e Amy Seimetz (A Rota Selvagem) é mediano, mas não chega a atrapalhar. Em diversas cenas, é possível sentir a falta de empatia e desenvolvimento de conflitos no interior do personagem de Clarke, que parece não se encontrar tão bem ao longo da trama em meio a suas cenas de repleta confusão com o desenrolar dos acontecimentos. Mas a atriz mirim Jeté Laurence cumpre perfeitamente seu papel, trazendo um ar dócil e familiar para a primeira metade do longa, e um clima tenso e aflitivo para o restante.

No mais, o remake é extremamente bem produzido e apresenta uma direção preocupada em apostas seguras, o que não decepciona, de fato. A sensação gerada pelo horror é constante durante boa parte do longa, e o sentimento de aflição chega ao ápice com a cena final que deixa o espectador espantado por breves minutos após o final da sessão.



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