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Crítica #2: Brightburn - Filho das Trevas

Brightburn transita entre duas tonalidades e propostas completamente distintas, indo do Céu ao Inferno dentro de um mesmo minuto. Brandon, o garoto endiabrado que provoca interferências elétricas, é quem deveria percorrer esse arco, da bondade à maldade.
Brighburn - Filho das Trevas

A premissa de Brightburn– Filho das Trevas (Brightburn, 2019) é bastante engenhosa: como seria se Kal-El, o filho de Lara e Jor-El, não fosse a figura messiânica que aterrissou no quintal dos Kent, mas, sim, uma figura perigosa, sádica e inabalável, uma máquina de matar consciente e implacável? É exatamente o que o casal Tori e Kyle Breyer (Elizabeth Banks e David Denman) acaba descobrindo: o filho deles, Brandon (Jackson A. Dunn), também veio parar na Terra após a queda de um meteorito e, agora, no início da pré-adolescência, começa a demonstrar os sinais de sua ancestralidade extraterrestre, trazendo consequências tenebrosas para os moradores da pequena Brightburn, no Kansas.

Esta história de origem de um monstro incontrolável tem a aura ingênua dos filmes de terror B, seja pela simplicidade dos efeitos visuais, pela virulência quase surreal das mortes ou pela qualidade de interpretação do elenco coadjuvante (que é involuntariamente cômica, em determinadas passagens). Sendo assim, em seus melhores momentos, Brightburn evoca um pouco da atmosfera de desconhecimento, sanguinolência e bizarrice que James Gunn, produtor deste longa-metragem, construiu no cult delicioso Seres Rastejantes (2006), sua estreia como diretor. Entretanto, para equalizar a balança, o diretor David Yarovesky confere à produção um senso inadequado de autoimportância no desespero de criar uma atmosfera bombástica que impressione a plateia.

Neste processo dúbio, os sustos mostram-se igualmente tateantes. Ainda que algumas sequências sejam habilmente construídas (como aquela em que vemos a ameaça pelo ponto de vista de uma personagem relativamente cega), a maioria significativa dessas cenas é carregada por uma trilha sonora totalmente anticlimática, que serve apenas para antecipar os sustos e os desfechos de inúmeros instantes. O diretor também investe em recursos mais burocráticos, apostando em pannings que não encontram nenhuma figura humana e que, ao retornar, se deparam com a tal ameaça acachapante em uma posição bastante próxima ao nosso herói.

Ademais, nem o roteiro de Brian e Mark Gunn (irmão e primo de James, respectivamente) ou a condução de Yarovesky parecem interessados em explorar as ideias do texto, esquecendo-se até mesmo de traçar paralelos com o simbolismo inerente e óbvio da história de Clark Kent. Logo, a riqueza das situações e a dualidade dos personagens são praticamente inexistentes, tornando a experiência menos transgressora do que aparentava ser.

Brightburn – Filho das Trevas transita entre duas tonalidades e propostas completamente distintas, indo do Céu ao Inferno dentro de um mesmo minuto. Brandon, o garoto endiabrado que provoca interferências elétricas, é quem deveria percorrer esse arco, da bondade à maldade. Já o filme precisava apenas ser mais consistente e oscilar menos entre luz e trevas, diversão e mediocridade.


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