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Crítica: Shazam!

O filme aponta para um futuro luminoso à DC Comics e tem tudo para se juntar à Mulher-Maravilha e ao Aquaman no grupo dos novos sucessos deste vacilante universo.
Shazam!

Você talvez não saiba, mas o herói Shazam nasceu como “Capitão Marvel” (a palavra “Marvel” significa algo como maravilha em inglês) em 1940 e de lá pra cá sofreu uma série de desventuras (inclusive perdendo na justiça o direito de usar seu nome original para uma certa heroína que acabamos de ver nos cinemas). Sua origem – que se mantém inalterada no novo filme – ocorre quando órfão Billy Batson é escolhido pelo Mago Shazam, último protetor da magia no nosso mundo, para ser o campeão da Terra contra as forças do mal. Ao dizer o nome do mago, o garoto se transforma num homem adulto com o poder de seis figuras mitológicas para cumprir sua missão (o S da sabedoria de Salomão, H da força de Hércules, A da coragem de Aquiles, Z do raio de Zeus, A da resistência de Atlas e o M da velocidade de Mercúrio: S-H-A-Z-A-M!). Depois de uma reformulação recente nos quadrinhos, Billy Batson ganhou uma família de outros órfãos com quem compartilha suas aventuras e é esta versão que o diretor David S. Sandberg (de Annabelle 2, 2017) junto com Zachary Levi (que se diverte o tempo todo em tela com o uniforme vermelho clássico agora modernizado) e uma escolha de elenco que foi um acerto completo.

Shazam! (assim, com exclamação mesmo) é um filme simples. Seu vilão é brega e ressentido como um bom vilão da era de ouro dos quadrinhos (interpretado pelo ótimo Mark Strong) e toda a produção tem plena noção do público que quer atingir o tempo todo – as crianças. É justamente esta noção tão clara da mensagem que quer passar que faz com que seja este o filme que quebra definitivamente – e irreversivelmente – com a atmosfera sombria e pesada de seus antecessores como Batman vs Superman (2016) e Liga da Justiça (2017). Embora se passe no mesmo universo – com centenas de referências e citações aos filmes anteriores – Shazam! é colorido e despretensioso, preocupado em mostrar exatamente o que é: como seria para uma criança se poder se tornar um super-herói ao dizer uma palavra mágica? Esta é a premissa que fez o herói tão popular décadas atrás e mostra ainda possuir um apelo gigante conosco. Qualquer criança desejaria ter o poder de Billy Batson (Asher Angel que está marrento e frágil na medida) e, por isso, é capaz de se relacionar diretamente com ele.

O filme possui uma inspiração clara no famoso sucesso da Sessão da Tarde Quero ser Grande (de 1988 com um ainda jovem Tom Hanks), onde uma criança acorda adulta magicamente, e também lembra um pouco os filmes do Homem-Formiga, no sentido de fazer parte de um universo maior, mas ser focado numa história mais contida e menos séria, com o ousado intuito de não mudar sua vida, mas apenas te fornecer entretenimento de qualidade. Em tom, clima, piadas e até no estilo de direção e efeitos, Shazam! lembra um filme dos anos 90. Para muitos, o rótulo de “Sessão da Tarde” pode soar como um demérito ou se referir a algo “de menor importância” ou qualidade inferior. Para outros, porém – eu incluso – qualificar um filme como digno da clássica faixa das tardes da Globo remete a produções divertidas e cheias de lições, que eu assistia ao chegar da escola quando criança e me lembro até hoje. Karatê Kid (1984), Riquinho (1994), Conta Comigo (1986) ou Um Ninja da Pesada (1997) são alguns bons exemplos. Pois é este sentimento nostálgico e leve que Shazam! traz de volta a cada um de nós, aliando um humor sincero com lições bem desenvolvidas sobre família, paternidade e responsabilidade. Muitas foram as vezes em que ri genuinamente durante a sessão, e outras em que a gravidade de algumas situações foi passada com muita emoção graças ao mérito dos atores.

Aliás, o coração do longa está na família de Billy Batson. Há que se fazer um destaque merecido ao excelente Freddy do ator Jack Dylan Grazer (que já havia roubado a cena em It: A Coisa de 2017), mas seria injusto não mencionar as outras 4 crianças que completam a família adotiva do protagonista. Shazam! não é isento de erros e a maior parte deles está na sua parte “super-heróica”. Os efeitos deixam a desejar em alguns aspectos e ação ocorre numa escala pequena, o que ainda que seja um acerto, poderia ser mais empolgante – o mesmo ocorreu em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, de 2017, onde ação é eficiente, mas simplória na maior parte do tempo.

Mesmo assim, Shazam! é um bom filme e sabe a que veio. Escancara a diferença entre um produto pensado desde o começo para ser divertido e um que é remontado sem muito critério para se tornar assim com o bonde já andando (como foi com Esquadrão Suicida e Liga da Justiça). Feito para ser visto em família e revisto em infindáveis reprises na TV, o filme aponta na direção de um futuro luminoso para DC Comics e tem tudo para se juntar à Mulher-Maravilha e ao Aquaman no grupo dos novos sucessos deste vacilante universo.



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