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Crítica: A Cinco Passos de Você

A Cinco Passos de Você culmina numa obra sobre estar próximo, estar junto, em níveis belos e subjetivos, mesmo que seu título sugira o contrário.
A Cinco Passos de Você

Amor e perda costumam andar juntos nos romances concebidos desde a aurora dos tempos. Histórias de amores fulgurantes assombrados pelo perigo da morte e pelas dificuldades de se viver o amor nascente estão impressas bem fundo no nosso imaginário desde Romeu e Julieta de William Shakespeare até A Culpa é das Estrelas de John Green. O romance como metáfora para o amadurecimento e como fantasia para suportar sofrimentos, portanto, não é novidade, mas quando uma história se propõe a recontar esta mesma balada optando por fugir de algumas obviedades, aí somos capazes de nos emocionar uma vez mais com algo que já sabemos de cor.

A Cinco Passos de Você já nasce com o frescor de uma linguagem contemporânea e ao mesmo tempo traz consigo um combo de “primeiras vezes”. O livro, de mesmo nome (cuja publicação data de janeiro deste ano ainda), é o primeiro romance de sua autora, Rachael Lippincott, assim como o primeiro longa-metragem escrito pela dupla de roteiristas Mikki Daughtry e Tobias Laconis e, para completar, também é o primeiro filme dirigido pelo americano Justin Baldoni (tanto roteiristas quanto diretor possuíam apenas experiência em televisão até então).

Embora seja tão recente, a produção já foi veiculada no mercado como “o novo A Culpa é das Estrelas”. Não sou o maior fã de comparações assim – a cada dois anos alguém, promete ser “o novo Matrix” ou “o novo O Sexto Sentido” e nunca é - , mas a relação neste caso é justa e imediata. O que compramos a princípio é um romance adolescente com jovens bonitos e famosos (aqui temos Will que é interpretado pelo astro da série teen Riverdale, Cole Sprouse) e protagonistas com doenças terminais. Nesta linha temos o já referido bestseller de John Green e outros filmes como Como Era eu Antes de Você (2016) e Se Eu Ficar (2014) apenas para citar os mais recentes.

Somos, dado o histórico do nicho ao qual a produção pertence, a esperar uma trama doce e clichê que terminará com alguma morte e com as lições deixadas por um grande amor. Ocorre que, desta expectativa, brota o sutil trunfo do longa que decide, a partir do seu terceiro ato, falar sim de amor e perda, mas de forma mais subjetiva e menos literal. Resumidamente, posso dizer que o filme narra a história do amor improvável entre Will e Stella (Haley Lu Richardson, que segura o peso da trama nas costas com segurança), dois jovens portadores de fibrose cística, uma doença pulmonar e altamente debilitante que os impede de ter qualquer contato físico para evitar pôr em risco as vidas um do outro. Presos numa condição ingrata, os dois protagonistas possuem jeitos bem diferentes de lidar com as incertezas de seus próprios futuros e é no aprendizado mútuo que em ambos floresce um amor tão impossível quanto previsível.

Pois é nos desafios que enfrentam os jovens apaixonados que está a maior lição do longa. A Cinco Passos de Você ainda é sim um romance adolescente, mas fala sobre amor de uma forma madura, dialogando com temas como a necessidade de deixar o outro ir, de se ter a esperança como força e não como cegueira para a realidade e de se entender que amar é, acima de tudo, compartilhar – talvez a maior das mensagens propostas. Dou algum destaque também para os excelentes coadjuvantes interpretados por Moises Arias (Poe) e Kimberly Hebert Gregory (Enfermeira Barb) que dão carisma e senso de gravidade ao filme quando é preciso. Damos ainda mais valor ao seu poder de cativar e emocionar com tanta competência quando consideramos que a produção é um trabalho de “iniciantes”. Sem apelações invasivas, nos ganhando aos poucos, A Cinco Passos de Você culmina numa obra sobre estar próximo, estar junto, em níveis belos e subjetivos, mesmo que seu título sugira o contrário.



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