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Crítica: Suprema

Com um elenco afiado, habilmente dirigido por Leder, fornecendo material e carga de apoio para cada um dos atores em suas funções tão específicas no roteiro, a história flui prendendo o espectador em todas as cenas.
Suprema

Em um mês onde tanto falou-se sobre Capitã Marvel e empoderamento feminino no cinema, é muitíssimo satisfatório recebermos uma obra de qualidade certa que nos transporta à história de uma heroína da vida real. Ruth Bader Ginsburg é a primeira mulher a fazer parte da Suprema Corte dos Estados Unidos, e sua história representa parte importantíssima na luta pelos direitos da mulher e no reconhecimento da discriminação de gênero no meio judiciário. Enquanto no ano passado o documentário RBG buscou fascinar o público com todos os detalhes de sua trajetória, o longa “Suprema” traz na brilhante atuação de Felicity Jones uma bela homenagem à Juíza, capaz de emocionar e inspirar o público.

O enredo principal acompanha a história de Ruth desde seus primeiros anos na faculdade de Direito, quando precisava dar conta de seus estudos, dos estudos do marido (que sofria com um grave câncer e precisava de auxílio para se formar), e ainda cuidar das tarefas domésticas e da filha recém-nascida. Acompanhamos então a trajetória da recém-formada advogada tentando construir uma carreira e falhando por diversas vezes devido ao explícito machismo que é apresentado das mais diversas formas, até o momento em que Ruth percebe em um caso de direito tributário uma excelente oportunidade para trabalhar sobre discriminação sexual e abrir precedentes para mudanças no meio jurídico norte-americano.

Sabiamente, o roteiro do novato Daniel Stiepleman evita cair no clichê de biografia de um ícone histórico e não se preocupa em acompanhar todos os míseros detalhes de sua trajetória até os dias atuais. Pelo contrário, o filme dá uma pincelada em seu primeiro ato na passagem dos anos que formaram o conhecimento e especialidades de Ruth e depois busca focar no seu grande feito que a permitiu conseguir reconhecimento no meio jurídico. O roteirista compreende que é mais sensato prender o público a um instigante confronto num tribunal do que explorar todos os acontecimentos da vida da protagonista.

Já a direção de Mimi Leder escorrega vez ou outra, por insistir em excessivas tentativas de cenas onde uma música triunfal coloca a personagem com um sorriso confiante em movimento, tentando buscar a sensação de grandiosidade de uma heroína. O filme coloca um peso social tão grande nas mão de Ruth que, com sua vitória no caso ao final do plot principal, as últimas cenas dão ao público uma noção de derrota total do patriarcado e do machismo, como se o feminismo ainda não fosse precisar lutar por anos (e persistir na luta hoje em dia) pela igualdade de gênero. Mas, por outro lado, entende-se que o foco de Leder era também produzir um feel good movie, o que, de fato, costuma resultar numa obra mais acessível ao grande público, e garante que mais pessoas irão ter contato com a história de Ginsburg.

É possível presumir que, se “Suprema” tivesse sido lançado no auge dos anos 90, teria sido o tipo de filme que provavelmente não só seria indicado, mas ganharia o Oscar. O que não tira de forma alguma o mérito que ainda merece hoje em dia. Com um elenco afiado, habilmente dirigido por Leder, fornecendo material e carga de apoio para cada um dos atores em suas funções tão específicas no roteiro, a história flui prendendo o espectador em todas as cenas. Ao final do filme, é quase impossível acreditar que toda essa emoção e sentimentos positivos vieram de um longa que trata sobre um caso de direito fiscal.



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