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Crítica: A Rebelião

Dependendo de suas expectativas para com o longa, a sua aceitação aos furos do roteiro podem ser maiores, deixam A Rebelião um pouco melhor. No geral, o filme começa com uma boa ideia, traz boas reviravoltas e encerra bem, mas poderia ser muito melhor.
A Rebelião

Na cidade de Chicago em meados de 2021 uma invasão ao planeta se inicia e humanidade tem em mãos mais um problema. Ou seria uma oportunidade de se unir em prol de uma causa?

A premissa inicial é incrível, ao invés de uma luta épica pela sobrevivência da humanidade ou até mesmo uma aniquilação, como é visto em Guerra dos Mundos, A Rebelião de Rupert Wyatt começa com a rendição de uma das maiores forças militares do mundo.

O início promissor reserva um thriller sobre revolução e espionagem em que o povo se volta contra o estado, o erro porém é de que em nenhum momento a ideia de um povo unido em prol de uma causa é de fato perceptível pela audiência.

A estrutura de A Rebelião é um tanto quanto diferente, ao se utilizar de um primeiro ato didático e quase descartável, o roteiro aposta em uma segunda parte mais tensa e cheias de armadilhas em que um gatilho vai ativando o outro, tudo “por debaixo dos panos”, todos esses gatilhos porém, não são satisfatórios por conta da ausência de percepção de comunidade, são poucas as vez em que vemos a cidade de Chicago reagindo ao seu novo governo pelo olhos do garoto Gabe, ou até mesmo em uma cena da policia invadindo um apartamento.

O título original Captive State, até combina com a sensação de estar sempre sendo vigiado, mas essa vigilância atrapalha mais do que ajuda a trama, é só pensar que os moradores das regiões mais pobres já estariam acostumados com o tipo de vigilância,que alguns erros do protagonista não aconteceriam. O uso da tecnologia até cria uma boa sequência de ação, mas quase que na mesma medida vai criando pequenos buracos na narrativa que pesam contra o filme quando analisado o todo.

Ambientação do longa é atrapalhada, vemos diversos núcleos de ambientes que não parecem se conectar, a zona rica da cidade, a zona pobre e os bairros, não parecem pertencerem a mesma cidade, deixando os núcleos um pouco distantes.

A direção de fotografia é terrível, em 3D deve ser impossível de ser assistido, as cenas noturnas são mal iluminadas para facilitar os efeitos visuais da espécie de extraterrestres, algo que de fato poderia ajudar ser ajustado com um contra-luz em torno dos seres. A ideia até ocorre, mas a câmera inquieta do diretor Rupert Wyatt deixa a ação com os seres praticamente incompreensíveis e escuras, não fica claro do que é composto o corpo das criaturas, a forma e não é identificável se eles utilizam armaduras ou se “aquilo” são suas peles. A dificuldade de retratar os invasores é tamanha, que o longa chega a colocá-los sempre muito distantes e com a câmera desfocada.

O roteiro tenta de uma forma ou de outra dar peso ao universo que está sendo mostrado ao público, alguns códigos, pequenos sinais e pichações, anúncios em jornais, pequenos detalhes que tentam deixar o cenário de uma rebelião mais palpáveis, o longa até consegue, porém se atrapalha ao ter elementos demais para pouco tempo de explicação, algumas coisas ficam apenas na boa vontade da audiência em comprar aquela ideia.

As falhas do roteiro não se limitam pelo excesso de informações, mas também pela tentativa de ser mais do que realmente é, e por suas tramas irrelevantes. O amigo de Gabe do ato inicial, some e só volta aparecer em uma cena ao final do segundo ato, e some novamente e cai no esquecimento. A personagem Rula de Madeline Brewer, tem duas cenas e novamente são descartáveis, é como se o roteiro tivesse uma história para esses personagens, mas no final elas foram descartadas na versão que foi às telas.

A edição e montagem são razoáveis, os dois primeiros atos são tensos e o terço final até ajuda a consertar alguns equívocos da obra, mas as barrigas narrativas com cenas irrelevantes e ausência de algumas explicações, fazem esse quesito perder alguns pontos.

No final, numa tentativa de amarrar as pontas, o longa acaba tirando ainda mais o peso das mãos do povo da cidade e deixando a rebelião como uma atitude de um pequeno grupo de pessoas, não dá para dizer que existe uma incoerência, pois durante toda a projeção, o filme repete de maneira incansável que é necessário riscar um fósforo para que uma chama se inicie e o motim enfim comece.

Dependendo de suas expectativas para com o longa, a sua aceitação aos furos do roteiro podem ser maiores, deixam A Rebelião um pouco melhor. No geral, o filme começa com uma boa ideia, traz boas reviravoltas e encerra bem, mas poderia ser muito melhor.



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