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Crítica #2: Escape Room

Com a premissa que vende uma ideia nada original e inovadora, Escape Room é, logo de cara, um filme do qual já se duvida da qualidade antes mesmo de ir assisti-lo.
 Escape Room

Com a premissa que vende uma ideia nada original e inovadora, Escape Room é, logo de cara, um filme do qual já se duvida da qualidade antes mesmo de ir assisti-lo. A repetição de plots que já vimos por diversas vezes no cinema, somado aos trailers e materiais de divulgação que pouco cativam nossa atenção, são capazes de desconvencer um potencial espectador a pagar pelo ingresso do cinema.

Talvez por isso seja importante iniciar dizendo que o mais novo longa de terror/thriller do ano supera as expectativas, e garante bons momentos frente à telona.

A sinopse entrega o já esperado prometido pelo título: um misto de jogos de lógica e tortura no melhor estilo inspirado em Cubo (1997) e Jogos Mortais (2004).

Seis personagens aleatórios são misteriosamente convidados a participar de um desafio da Minos Escape Room, no qual o grande vencedor, que se mostrar capaz de escapar primeiro das salas, será premiado com 10 mil dólares. Zoey (Taylor Russel McKenzie), uma universitária com problemas de timidez, Ben (Logan Miller), um jovem alcoólatra viciado com dificuldades financeiras, e Jason (Jay Ellis), um corretor de ações competitivo, ansioso por se mostrar, formam o trio de protagonistas que conduz a história até a escape room, e mais tarde se juntam aos demais jogadores, Danny, Amanda e Mike.

Quase não há outros atores em tela ao longo do filme que não esses, e o roteiro e a direção perdem tempo e oportunidade de se aprofundar na personalidade de cada um. Do início ao fim do longa, os personagens não possuem profundidade e parecem artificialmente não-tridimensionais. Ainda assim, cada um dos seis participantes do jogo possui um inegável carisma que nos leva a se afeiçoar por suas ações, e torcer a favor de sua vitória. McKenzie, que já havia entregado um bom trabalho na releitura de Perdidos no Espaço, da Netflix, mantém aqui a sua capacidade de cativar o público com seus trejeitos naturais que se intercalam entre uma garota tímida e uma mulher forte.

A questão de não se aprofundar nos personagens não é, de fato, a maior preocupação de um filme que se inspira em Jogos Mortais. O foco do longa está em criar armadilhas interessantes e salas com puzzles empolgantes para causar o efeito agonizante nos espectadores. E isso é feito de forma satisfatória. Nenhum dos puzzles nas salas é extremamente original, mas todos são criativos e empolgantes, te mantendo vidrados na história até o final.

E é aí que a grande reviravolta da história entrega ao filme um fechamento duvidoso, podendo agradar a alguns e desagradar outros por completo. Os 10 últimos minutos de filme fogem completamente do que é entregado ao longo da trama, e a história termina não apenas te apresentando confusas informações incompletas, mas também deixando abertura para uma aposta ousada de uma sequência. Embora apostar na ideia de uma série de filmes, para uma história que se encaixa tão bem em apenas um único longa, pareça algo arriscado, as chances da ideia agradar o público são grandes, já que, ao contrário de Jogos Mortais, Escape Room abre uma possível franquia young adult, já que utiliza dois jovens como protagonistas da história e não investe em mortes explícitas ou pesadas – posso dizer que não me lembro de uma gota de sangue sequer nas cenas – o que faz com que a censura do filme permita a ida de mais adolescentes ao cinema.

A questão é que, mesmo com escolhas duvidosas, o diretor Adam Robitel, de Sobrenatural: A Última Chave, sabe como dar vida ao longa, entregando um filme que conecta bem a estética, o clima e o enredo, tão bem quanto as pistas de cada sala da Escape Room. Não será um dos melhores filmes do ano, mas definitivamente abre o ano de forma agradável.





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