Loucos por Filmes

Loucos por Filmes

Destaques

Últimas

Navegue aqui

Reflexões de uma Cinéfila: Bohemian Rhapsody

Fã de Queen ou não, conhecedor da banda ou não, a sequência final do filme transporta o espectador. A genialidade vem de conseguir colocar cada um no meio da plateia do show entre aqueles tantos espectadores de 1985 que estavam aplaudindo, vibrando, cantando abraçados e até chorando ao ver a banda se apresentar.
 Bohemian Rhapsody

Se você assistiu ‘Bohemian Rhapsody’ entende quando digo que o filme transmite uma emoção que poucas obras cinematográficas conseguem através de uma tela. As duas horas e meia se transformam em uma delicada composição que vai crescendo até que culmina com a apresentação do Queen no palco do Live Aid – um momento em que você como espectador nem sabe mais ao certo porque está arrepiado, mas continua a ter essa sensação ascendendo por dentro.

Depois de assistir ao filme (e passar bons minutos recapitulando tudo o que tinha visto), a atmosfera da sequência do Queen no Live Aid foi a que mais me impressionou. Por isso mesmo acho que é uma das principais sacadas que fez Bohemian Rhapsody ser Bohemian Rhapsody.

Fã de Queen ou não, conhecedor da banda ou não, a sequência final do filme transporta o espectador. A genialidade vem de conseguir colocar cada um no meio da plateia do show entre aqueles tantos espectadores de 1985 que estavam aplaudindo, vibrando, cantando abraçados e até chorando ao ver a banda se apresentar.

Bohemian Rhapsody coloca o espectador como parte da plateia e o faz sentir brevemente o que aqueles que estavam ali sentiram. Ao mesmo tempo, a sequência dá a cada um que assiste um leve destaque de protagonista – é o que ele sente quando vê essa sequência, depois de acompanhar toda a história da banda, que faz com que o momento seja tão cru e poderoso.

No fundo, são quatro artistas no palco fazendo o que amam e toda uma multidão – na qual você se inclui – participando do momento. É uma cena que provoca um efeito tão poderoso que, arrisco dizer, nem mesmo vídeos do Queen original no Live-Aid são capazes de produzir.

São os “desajustados” tocando para os outros desajustados, no qual você se inclui.

É o momento em que a composição trabalhada perfeitamente encontra o público ao qual está destinado, que é capaz de interpretá-la sem muita explicação e deixar que qualquer sentimento que venha seja a explicação. É o momento em que a frase que Freddie Mercury (Rami Malek) diz logo no começo do filme faz sentido e torna Queen e espectador uma unidade capaz de mostrar para aqueles que não viveram na época de Freddie Mercury o que era pertencer ao mundo desses desajustados.

Um grande fã do Queen que cresceu ao som das músicas me fez mais uma observação: a delicadeza que envolve a sequência e todo o filme poupa o espectador dos momentos mais cruéis e difíceis que a banda certamente passou, mas é esse o ponto. Bohemian Rhapsody é um resgate poético para quem viveu o período e quem gostaria de ter vivido. E, no final, compõe uma rapsódia da atmosfera que envolveu Freddie Mercury e o Queen.

Somos quatro desajustados que não pertencem juntos e estamos tocando para outros desajustados. Eles são os excluídos, bem no fundo da sala. Temos certeza que eles também não pertencem. Nós pertencemos a eles


Deixe sua opinião:)

Mostrar comentários 💬