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Crítica: Como Treinar o Seu Dragão 3

Encerrando a exitosa trilogia após uma gestação consideravelmente longa, Como Treinar o Seu Dragão 3 procura manter a excelência dos antecessores, alcançando novos horizontes do universo previamente estabelecido e fechando os arcos dramáticos iniciados há quase dez anos.
Como Treinar o Seu Dragão 3

Nos idos de 2010, nem a crítica nem o grande público esperavam ser surpreendidos pela amizade entre um adolescente viking franzino e um dragão banguela, mas poderoso. Como Treinar o Seu Dragão tinha a essência de uma história já vista, no entanto, sua estética apurada e o grande senso de empatia gerado pelos personagens tornavam-se o seu diferencial. A sequência, lançada quatro anos depois, ampliou essas características já bastante louváveis ao expandir sua mitologia (tanto geográfica quanto íntima) e trazer um antagonista forte, cujas ações levaram a reviravoltas emocionalmente arrebatadoras.

Encerrando a exitosa trilogia após uma gestação consideravelmente longa, Como Treinar o Seu Dragão 3 (How to Train Your Dragon: The Hidden World, 2018) procura manter a excelência dos antecessores, alcançando novos horizontes do universo previamente estabelecido e fechando os arcos dramáticos iniciados há quase dez anos. Felizmente, o diretor e roteirista Dean DeBlois consegue esse efeito, ainda que não haja um aumento de criatividade ou uma escalada emocional mais urgente.
Um ano após a ameaça representada pelo soturno Drago Bludvist (Djimon Hounsou), a população de Berk vive em paz com seus “animais domésticos”, sob o comando de Hiccup/Soluço (Jay Baruchel) e Toothless/Banguela. O panorama torna-se desfavorável quando Grimmel (F. Murray Abraham), um implacável caçador de dragões contratado por contrabandistas, surge disposto a capturar Banguela, que, líder do bando, pode conduzir todas as criaturas diretamente para as gaiolas. Para isso, o vilão usará uma fêmea para atrair o Fúria da Noite, na esperança de que ele traia o amigo e seja, assim, preso.

DeBlois continua demonstrando perícia admirável no desvelo em sua condução da relação entre Hiccup/Soluço (Jay Baruchel) e Toothless/Banguela, tratando os dois com carinho, paciência e seriedade, fazendo com que ajam ou se comportem de acordo com o período e a situação que estão vivendo. Também é fundamental, dada a previsibilidade da premissa, que o roteirista não use a paixão de Banguela para abalar a amizade deste com Soluço, o que comprova a maturidade e o entrosamento da dupla, uma consequência do tempo decorrido entre os filmes e dentro da lógica dramatúrgica.

É igualmente interessante como essas evoluções psicológicas ocorrem também – guardadas as devidas proporções – com Astrid (America Ferrera) ou com o recém-chegado Eret (Kit Harington), que parecem mais meticulosos e diligentes, sintonizados às mudanças provocadas pelos acontecimentos do segundo capítulo, porém, sem perder os traços do humor particular que os caracterizou.

Se esse tratamento dramático é sutil e sua força escancara-se para quem ainda mantém os dois primeiros filmes guardados na memória, a abordagem visual deste último capítulo, entretanto, é sólida e galvanizante por si própria: desde o plano aéreo que descortina uma neblina ao encontrar barcos escandinavos até a passagem em que Banguela e Fúria da Luz voam próximos a uma aurora boreal, o design de produção é hábil ao unir elementos históricos concretos (os navios, o interior das casas vikings) a outros mais fantasiosos (o Mundo Escondido, por exemplo, é mesmerizante), apostando na dicotomia entre tons claros e escuros, assimilando e assumindo, de certa maneira, as cores do casal de dragões principais.

Por mais impressionante que seja a concepção visual aqui, todavia, há uma sensação constante de deja vü, seja pela ideia de um paraíso exclusivo para dragões, pela insegurança interna de Soluço ao mostrar-se como líder ou pela motivação do vilão Grimmel (F. Murray Abraham), cuja falta de profundidade o torna maniqueísta, portanto, menos interessante, fator agravado pelo desfecho anticlimático que recebe. Ademais, o enredo leva certo tempo até devidamente começar, consumindo boa parte do tempo como preparação para a metade do segundo ato.

Entretanto, quando se aproxima de seus minutos finais, Como Treinar o Seu Dragão 3 entrega instantes absolutamente tocantes e significativos, que fazem jus ao predecessores e constroem uma despedida efetiva, coerente e simbólica. Pode até não ser inesquecível ou impactante como deveria, mas certamente tocará a alma da plateia.





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