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Crítica: As Viúvas

Com um desenrolar bem estruturado e um desfecho satisfatório, As Viúvas enquadra-se como um longa que ganha destaque principalmente por seu talento, visto que a história por si só poderia não se sustentar caso não contasse com os nomes de peso e talento dando vida a suas mulheres.
 As Viúvas

As expectativas para um longa do mesmo diretor do aclamado 12 Anos de Escravidão tendem a ser elevadas. Ainda mais quando Steve McQueen se une na escrita do roteiro à talentosíssima escritora Gillian Flynn, responsável pelos best-sellers Garota Exemplar e Sharp Objects. É possível dizer que o talento criativo dessas duas mentes brilhantes se une para criar uma das mais interessantes obras lançadas em 2018.

Antes de mais nada, é necessário entender que As Viúvas é um filme “vendido” fora de suas reais nuances. Enquanto o marketing coloca-o como um filme de assalto convencional, com uma equipe desajustada se unindo e se conciliando em prol de um crime, as escolhas do roteiro impedem que sua história se enquadre nos moldes esperados de tal gênero, o que pode vir a decepcionar aqueles que venham ansiosos pelos clichês norte-americanos.

A questão é que a abordagem dos principais plots de tal história está no background do crime: nos dramas, conflitos e abusos sofridos pelas quatro personagens principais. O roubo a ser executado chega a funcionar como um segundo plano no enredo, visto que a importância está de fato na crítica passada através dos pontos trabalhados em torno de cada uma das protagonistas.

Viola Davis encabeça o elenco, interpretando a esposa de um ricaço mandante do crime que, numa tentativa de roubo junto a seus parceiros, acaba sendo morto por uma explosão que atinge ele e os demais. Após sofrerem ameaças e precisar lidar com uma dívida deixada pelos falecidos maridos, as quatro mulheres tomam para si a responsabilidade de concluírem o crime que eles não foram capazes de completar.

Não é possível dizer que Davis entrega uma atuação original ou diferenciada, visto que seus trejeitos, entonação e olhares cortantes são os mesmos, desde os papéis de destaque como Annalise Keating de How to Get Away with Murder, até as participações em obras de qualidade questionável como Esquadrão Suicida. Ainda assim, as emoções intensas sempre transpassadas nos olhos e na respiração pesada da atriz nos convencem, nos fazendo ignorar completamente o fato de que não passa da mesma atuação de sempre, uma vez que o trabalho se encaixa perfeitamente com o longa como um todo. É o típico caso de escolha de direção, onde sabe-se que determinado ator ou atriz entregará uma performance estonteante se dado a ela um papel sem desafios distantes do que já é acostumada a fazer.

A personagem de Viola é quem conduz o filme, carregando consigo um drama pesado que se interliga com os demais dramas de suas companheiras, e dialoga com temáticas importantíssimas como racismo, machismo, violência policial, corrupção política e empoderamento feminino. Embora o filme chegue a desacelerar seu ritmo por diversas vezes na tentativa de abordar com propriedade tais aspectos, essa velocidade reduzida não atrapalha o seu ritmo. É um longa que funciona bem sem a necessidade de correr com a história.

Determinadas escolhas da edição e montagem contribuem para que tal ritmo seja mantido, como os raccords constantemente usados na intenção de conectar cenas que dialogam entre passado e presente, utilizando-se de elementos sonoros e visuais que transportam o espectador de uma cena a outra, seja com a água da torneira, seja com o roçar de um corpo no lençol da cama. A mixagem de som delicada trabalha em conjunto, garantindo uma sonoridade dramática e simultaneamente singela, capaz de prolongar a angústia transmitida na pele das personagens.

Com um desenrolar bem estruturado e um desfecho satisfatório, As Viúvas enquadra-se como um longa que ganha destaque principalmente por seu talento, visto que a história por si só poderia não se sustentar caso não contasse com os nomes de peso e talento dando vida a suas mulheres. O novo trabalho de McQueen merece ser assistido, indicado e comentado, servindo como ponto ao apelo por mais filmes de assalto que apostem em dramas bem-estruturados do que em comédias vazias.



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