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Crítica #2: Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro

Inspirado por filmes dos anos 80 e 90, Exterminadores do Além tem um visual convincente, e mesmo que cometa deslizes no roteiro, acerta no que mais importa para o longa, ele faz rir.
Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro

Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro tem como protagonista o apresentador de um dos Talk Shows de maior audiência do país, Danilo Gentili, é ele também quem assina o roteiro do longa em trabalho conjunto com Fabrício Bittar, completa o elenco Léo Lins, Murilo Couto, Dani Calabresa, Sikêra Jr., Bárbara Bruno, Matheus Ueta e Pietra Quintela.

A trama do longa traz como vilã uma velha lenda conhecida do populismo brasileiro, Catarina, a garota conhecida por Loira do Banheiro. Jack (Gentili), Fred (Léo Lins), Caroline (Calabresa) e Túlio (Couto) formam um grupo de Youtubers caçadores de assombrações, depois de um dos alunos do Colégio Isaac Newton invocar a loira do banheiro, os quatro são chamados para mandar a garota de volta para onde nunca deveria ter saído.

Dotado de um saudosismo por filmes dos anos 80/90 o longa possui diversas homenagens à Caça-Fantasmas (1984), e com o excesso de sangue gore digno dos filmes de Sam Raimi como The Evil Dead (1980), o longa dirigido por Fabrício Bittar é dotado de vida própria apesar da quantidade de piadas e referências a outras produções e comete muito mais acertos do que erros, o diretor demonstra muita habilidade ao lidar com dois tipos distintos de elencos, um composto por atores profissionais e outro com pouco ou nenhuma experiência em atuação.

Fabrício porém não consegue apresentar um tipo de terror consistente ao longa, deixando tudo na mão de jump scares previsíveis e até irritantes, a obra também ostenta uma trilha sonora incomoda que raramente dá sossego e vez ou outra está mais alta que o devido. O longa, como grande parte dos filmes nacionais, sofre com o orçamento limitado e a solução da direção para o problema em cenas de ação é incômodo, Bittar pega a “lente nervosa” dos longas de ação e transporta para Exterminadores do Além deixando praticamente impossível identificar o que está acontecendo em determinadas cenas

O resultado do elenco é satisfatório mesmo havendo uma clara diferença entre atores e não-atores, mas isso não impede Sikêra Jr e Léo Lins de darem conta do recado, o primeiro, inclusive, é quem parece se sair melhor em cena, o jeito autoritário do intérprete dá peso ao personagem, parece até que Sikêra improvisou seus diálogos, pois passam longe de alguns mais afetados que são ditos ao longo dos noventa minutos de filme. O tom canastrão do longa dá suporte ao elenco não profissional da obra, nos momentos em que são mais exigidos o humor contorna o que seriam falhas do elenco. O ponto baixo das interpretações fica a cargo de Dani Calabresa que embora seja uma excelente humorista, possui diálogos fracos e os entrega como se fossem lidos.

O segundo ato do longa é quando as matanças e possessões iniciam de verdade, é quando entra em cena o maior desafio dessa produção, as cenas possuem litros e mais litros de sangue, diversos efeitos visuais e especiais, cenas de ação, e diálogos que deveriam encontrar uma linha tênue entre humor e terror. Tanto as cenas de ação quanto o gore são excelentes, o longa acerta na forma como as pessoas morrem causando surpresa ao público, e se diverte com algumas atitudes tomadas pelos personagens.

No terceiro ato existem duas cenas emblemáticas, do tipo que ou o espectador desiste de vez do longa, ou aceita a maluquice proposta pelos realizadores. A primeira cena se mostra muito divertida e bem executada, a segunda serve para aumentar o absurdo e a escatologia presente do longa.

O maior ponto de desequilíbrio do filme passa pelo roteiro. Existem um segmento inteiro do longa que não contribui para a trama, mesmo que sirva como homenagem aos filmes de Wes Craven em que as personagens possuem consciência do que é um filme de terror, e mesmo que seja uma tentativa de dar respiro para a maluquice que as outras personagens estão vivendo, infelizmente parece avulso e preenche um tempo desnecessário no longa. Embora alguns diálogos soem cafonas de propósito, outros são ruins, principalmente os de Caroline.

Talvez mais que o resultado do filme em si, o novo filme de Danilo Gentili possui mais valor pelo o que representa, a realização de obras diferentes, uma tentativa de fazer comédia dentro do terror, algo que vá além do que já é realizado no país.

Inspirado por filmes dos anos 80 e 90, Os Exterminadores do Além tem um visual convincente, e mesmo que cometa deslizes no roteiro, acerta no que mais importa para o longa, ele faz rir.


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