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Crítica: Tudo Por um Pop Star

Bruno Garotti entrega novamente um potencial sucesso de bilheteria para os adolescentes, e Thalita Rebouças demonstra que ainda possui a habilidade de dialogar com a faixa etária, mesmo que os espectadores do momento sejam de uma nova geração.
Tudo Por um Pop Star

Desde 1999, a escritora Thalita Rebouças é referência na literatura infanto-juvenil e destaque entre o público jovem, que sempre enxergou suas histórias como um diálogo divertido com a realidade dos adolescentes. Os livros de Thalita, que marcaram uma geração, sobrevivem com o passar dos anos ganhando sempre novas roupagens e se atualizando com os novos costumes, interesses e realidades da juventude.

Após ter sido atualizado pela primeira vez em 2012, tornando-se peça musical (com direção de Pedro Vasconcelos e roteiro de Gustavo Reiz), Tudo por um Pop Star, considerado um marco na carreira da autora, ganha agora uma nova versão para os cinemas, como um longa-metragem dirigido por Bruno Garotti, que já assina longas populares entre os jovens como Eu Fico Loko (2017), Amor.com (2017) e Confissões de Adolescente (2014).

O enredo acompanha a história de três garotas, Manu (Klara Castanho), Gabi (Maísa Silva) e Ritinha (Mel Maia), que fazem de tudo para convencer os pais a permitirem uma viagem acompanhadas pela prima mais velha de Manu (Giovanna Lancellotti) para o Rio de Janeiro, onde pretendem conhecer os ídolos da banda teen Slavabody Disco Disco Boys.

A história não é complexa, chamativa, nem mesmo original. Assemelha-se, inclusive, em diversos pontos, ao roteiro do filme Confissões de uma Adolescente em Crise (2004), comédia da Walt Disney estrelada por Lindsay Lohan que, junto com outros longas teen, marcou uma geração de adolescentes.

Ainda assim, o enredo é capaz de entreter, visto que apresenta diálogos com o mundo contemporâneo e com a cultura jovem atual, e constrói relações de família e amizade cativantes, capazes de divertir até mesmo os adultos que levarão os filhos ao cinema.

É notável como a produção faz uso de algumas celebridades teen com o simples intuito de atrair o público juvenil, como no caso de Maísa que, embora não seja a protagonista do longa (visto que quem carrega o plot principal é a personagem de Klara Castanho), é quem estampa o centro do pôster principal de divulgação, assim como quem mais ganha destaque nos trailers promocionais. Outro atrativo para jovens é o youtuber Felipe Neto, que embora não tenha muita relevância na trama, também não chega a incomodar.

Os atores mirins são, em sua maioria, críveis. Embora Maísa e Mel Maia entreguem atuações medianas, Klara Castanho convence com seu carisma, transparência nas expressões e habilidade com o ukulele. João Guilherme, responsável por dar vida ao astro que tanto apaixona as garotas na trama, não é nada além de um rostinho atrativo para as adolescentes, visto que quase não se vê diferença nenhuma de sua atuação para sua apatia na vida real. O restante do elenco apresenta atuações satisfatórias, mas que muitas vezes recorrem a caricaturas e estereótipos, o que infelizmente é recorrente por diversas vezes em comédias nacionais. Ainda assim, a personagem de Giovanna Lancellotti garante ao público boas risadas, que disfarçam bem alguns momentos de “vergonha alheia” do longa.

Em suma, por mais que possua defeitos, a atuação e construção de personagens não entrega nada que não se espere de uma produção voltada para o público adolescente.

Destaque aqui para um ponto positivo que torna o filme ágil e, muitas vezes, divertido: a edição trabalha em agradável sintonia com o roteiro. Como exemplo, a cena do primeiro ato, onde cada uma das garotas do trio tenta convencer os pais a autorizar a viagem, apresenta um intercalar de takes, de forma a unir pedaços de falas de cada um dos adultos, dando novos sentidos ao que é dito pelos personagens e arrancando boas risadas da plateia. Da mesma forma, as cenas em que a personagem de Klara Castanho constantemente sonha com o seu ídolo teen, e de repente acorda diante da realidade, funcionam bem.

O filme peca, entretanto, ao optar por utilizar efeitos visuais precários (sim, devemos compreender a falta de orçamento das produções nacionais, mas...) em cenas nas quais os mesmos não eram necessários. Como exemplo, a cena em que a personagem de Mel Maia queima as credenciais penduras no varal com um secador de cabelo, na qual até uma criança é capaz de perceber que as chamas são geradas por computador, o que podia ser facilmente consertado utilizando efeitos práticos com fogo de verdade.

Por fim, nenhum dos defeitos tira o fato de que o longa funciona bem para seu público alvo. Felizmente, não faz nenhum tipo de desserviço como alguns antecessores nacionais fizeram aos jovens nos últimos anos (Danilo Gentili que o diga). Pelo contrário, entrega uma mensagem positiva, e reforça seu foco por diversas vezes na amizade construída entre as personagens, deixando a idolatria pelas celebridades apenas como pano de fundo divertido.

Bruno Garotti entrega novamente um potencial sucesso de bilheteria para os adolescentes, e Thalita Rebouças demonstra que ainda possui a habilidade de dialogar com a faixa etária, mesmo que os espectadores do momento sejam de uma nova geração.


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