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Crítica #2: Buscando...

Buscando... é um daqueles filmes que acerta ao fazer muito com pouco, pois embora sua trama não seja inovadora e siga caminhos previsíveis, a construção da ação e a direção fazem o resultado ser satisfatório e uma grata surpresa do ano.
Buscando...



Utilizando-se do mesmo estilo apresentado em Amizade Desfeita (2014) e no curta-metragem Noah (2013), no qual toda ação acontece na tela do computador, o “Mock-Screen” Buscando…, longa-metragem de estreia Aneesh Chaganty, dá um ótimo passo ao trazer algo que seus antecessores estéticos não obtiveram êxito: emoção.

Mesmo que exista uma tela de separação entre a ação e a vida das personagens, é agoniante ver o desespero de David Kim (John Cho) e da Policial Vick (Debra Messing) diante das descobertas da investigação.

A história do longa é simplista. Depois de conversar e perder uma chamada de vídeo com sua filha Margot (Michelle La), David Kim tenta descobrir o paradeiro da jovem, até ligar para a polícia e iniciar uma investigação sobre o seu desaparecimento.

Embora o roteiro não seja dos mais inovadores, sua estrutura segue a mesma linha de episódio de séries criminais como Without a Trace. Uma pista nova é descoberta, as horas vão passando, a policia começa a ficar sem tempo, as notícias não são animadoras, o primeiro suspeito é encontrado e por aí vai, ainda resta ao público a surpresa de como a história vai se encerrar.

Se a história parece meio batida, a forma como ela é contada não segue a mesma previsibilidade, a opção do longa de se passar em telas de computador, ajudam e muito na construção de tensão, mesmo que algumas vezes o longa “roube” um pouco, ao exibir imagens de telejornais na tela do computador, é bem interessante observar as soluções encontradas para manter a ação no ambiente de desktop.

O trabalho de direção é impressionante, os créditos iniciais já dão os tons do longa, e mostram a qualidade que o filme ostentará até o final. Tudo começa com a tela de um Windows XP iniciando, e aos poucos aquele ambiente vai ganhando vida ao receber fotos e vídeos de uma família feliz. Vemos os primeiros passos de Margot na internet, ela tocando piano, sua mãe cozinhando, seus pais levando-a à escola no primeiro dia de aula. Nem uma frase é dita nos minutos iniciais, vemos apenas a evolução das personagens do filme através de uma série de vídeos e fotografias. Existe uma daquelas regras não escritas do cinema que diz “Não me conte. Me mostre”, e Aneesh Chaganty a segue com afinco nos primeiros minutos.

Edição e montagem são também competentes, acelerando a trama nos momentos necessários criando bastante apreensão ao público, e também fica mais cadenciada nas horas em que a David se entrega, ou descobre mais sobre sua filha. A equipe de edição tem um trabalho a mais ao precisar traduzir para diversas línguas o que está em tela. Embora o longa seja legendado, a tela do computador está toda em português facilitando bastante para o público a compreensão e ajuda na hora de pôr o espectador dentro de um ambiente que já está familiarizado.

A trilha sonora assim como o roteiro não traz surpresas, mas serve bem seu propósito e ajuda na ambientação.

John Cho vive o protagonista David Kim, e ele aguenta a pressão de ter que carregar um filme como Buscando..., David é um daqueles caras que merece o prêmio de Pai do Ano a primeira vista, mas aos poucos vemos as diversas camadas de seu personagem e a forma como ele esconde de sua filha a dor de um trauma do passado. A relação de David Kim com sua filha Margot é linda, e o que vemos em cena é aquela frase que nossos pais dizem “Mesmo com 30 anos, você sempre será minha criança”.

Debra Messing interpreta a Detetive Vick, responsável por investigar o desaparecimento da jovem Margot. Messing tem a difícil tarefa de ser o ponto de apoio de David, mas que precisa manter-se mais profissional dentro da investigação. Sua personagem tem ao menos duas cenas que exigem um pouco mais de sua performance, e em apenas uma delas é convincente, mas a atriz se esforça e no fim o resultado é mais positivo.

Michelle La tem pouco tempo de cena e em sua cena principal ela consegue demonstrar seu peso emocional ao expectador.

Buscando... é um daqueles filmes que acerta ao fazer muito com pouco, pois embora sua trama não seja inovadora e siga caminhos previsíveis, a construção da ação e a direção fazem o resultado ser satisfatório e uma grata surpresa do ano.


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