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Crítica: Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas

Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas é uma grata surpresa da DC em buscar caminhos para um gênero que, por muitas vezes, é visto como descartável e sem inteiramente algo a dizer, trazendo uma arriscada e deliciosa decisão do alto rir de si mesma e de onde está colocada.
Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas
Com o passar das gerações, o mundo do entretenimento tem se modificado constantemente para sempre procurar meios de manter-se relevante às diversas mudanças causadas por fatores socioculturais. Partindo disso, o gênero cinematográfico pode ser considerado um receptor catártico das muitas reações proporcionadas ao público e a como suas empreitadas são vistas no sentido mercadológico, adaptando-se com os anseios e, por muitas vezes, riscos tomados com novas ideias, assim trazendo um novo período inesperado com o surgimento avassalador da feitura contínua de longas sobre super-heróis.

Nesse meio tempo, desde o lançamento do impulsionador dessa febre cinematográfica, com o ótimo Homem de Ferro (2008), as produções heroicas têm se mantido atentas à criação de padrões que prezam pela mastigação no contar de novas histórias e um retorno esperado na eficiência que estas causam quando são assistidas, o que infelizmente pode causar uma certa repetição não desejada da fórmula. Porém, certas inclusões narrativas causam um certo burburinho por esquecerem da homogeneização que estão inseridas gerando um interesse mais latente pelo apresentado, o que acontece com Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (Teen Titans Go! To the Movies, 2018).

No longa, os Titãs seguem naturalmente sua vida de combate ao crime quando percebem que não possuem um próprio filme, em um universo onde os longas sobre super-heróis são o principal atrativo dos cinemas. Sendo tratados como desdém pelo desconhecimento de Hollywood sobre seus atos, os heróis buscam mostrar sua importância em busca de um arqui-inimigo, Slade, ocasionando em uma série de aventuras. Sendo uma adaptação do grupo da DC Comics, criado em 1964, tendo como base o bom seriado Os Jovens Titãs em Ação (2013 – Presente), um spin-off da icônica Os Jovens Titãs (2003-2006), os 88 minutos de duração são recheados de uma ótima dose de referências a cada cena e de mostrar-se extremamente irreverente.

Por utilizar um estilo de animação (muito bem utilizado com texturas mais vibrantes misturadas ao estilo 2D) mais voltado a um público mais infantil, em um primeiro momento possa parecer colorido e artificial demais com a eficiente ação apresentada, porém ao longo da projeção essa ilusão vai desaparecendo pela forma em que os roteiristas Michael Jelenic e Aaron Horvath, também na direção juntamente com Peter Rida Michail, vão acrescentando camadas carismáticas aos protagonistas, por meio de números musicais muitos divertidos, quebras pontuais da 4ª parede e à química entre o grupo ser orgânica, destacando o ótimo trabalho de dublagem brasileira. Acrescentando que um ponto altíssimo serem os diálogos com Deadp... Ops, Slade, serem hilariantes.

Mas, sem sombra de dúvidas, o charme do longa transparece quando a metalinguagem utilizada para brincar com os tempos atuais das grandes produções de Hollywood é trazido sem medo de tornar-se ridícula ou enfadonha, apontando as inúmeras referências para diversos estúdios conhecidos indo até personagens mais conhecidos do grande público, tanto da própria editora, quanto de concorrentes em outros universos cinematográficos. Nesse ponto, a progressividade da narrativa vira uma faca de dois gumes, isto é, criar um humor natural que agradará tanto adultos, principalmente nas citações à cultura pop atual e passada, quanto às crianças com piadas de sentido mais físico com entendimento mais diretos, mas que não mudam a questão de a história ser diferente ou imprevisível.

Quando os rumos dos acontecimentos vão se intensificando para uma conclusão, a sensação de ter visto anteriormente aquilo vai, aos poucos, gerando uma ambivalência do longa de querer manter-se em uma pequena zona segura em sua construção que já prezava desde o começo como uma brincadeira desafiadora aos padrões já conhecidos. Nada que possa desmerecer as intenções dos realizadores em fazer uma longa quase totalmente diferente da normatividade do seriado, mas que em um sentido mais específico no processo de produção continuou com as bases solidificadas de diálogos muito expositivo e com a falha de não se desprender totalmente de amarras comerciais.

Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas é uma grata surpresa da DC em buscar caminhos para um gênero que, por muitas vezes, é visto como descartável e sem inteiramente algo a dizer, trazendo uma arriscada e deliciosa decisão do alto rir de si mesma e de onde está colocada. A metalinguagem apresentada pela editora tornar-se uma lição muito intrigante para a convivência do entretenimento atual: viver com senso de humor sobre os ambientes ao redor não dói, cria novas intenções mais necessárias de entender as possibilidades da pura intensidade do transformar.


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