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Crítica: O Candidato Honesto 2

O filme fica no meio do caminho entre ser uma crítica satírica à política nacional, como ocorre em bons quadros do programa televisivo “Zorra” e do canal do Youtube “Porta dos Fundos”, ou de ser uma comédia que realmente consegue extrair risadas como “O Auto da Compadecida” e, em menor escala, em “Minha Mãe é Uma Peça”
O Candidato Honesto 2

Seguindo a história do primeiro filme, sucesso comercial em 2014, “O Candidato Honesto 2” mostra novamente Leandro Hassum na pele do deputado João Ernesto, que se candidatou à presidência da república. Ele foi desonesto em boa parte de sua carreira e se viu foi obrigado a dizer apenas a verdade por conta de uma “maldição” de sua avó no leito de morte. Acontece que a maldição persiste e fez João ser condenado a quatro anos de prisão ao relatar os diversos crimes cometidos.

Em “O Candidato Honesto 2”, vemos o que ocorre após a saída de João Ernesto da prisão, ainda incapaz de dizer mentiras, e sua nova tentativa de se tornar o chefe de estado do Brasil. Repleto de gags e piadas semelhantes ao seu antecessor, o filme tem tudo para ser um blockbuster e agradar ao público que fez de Hassum um sinônimo de grandes bilheterias. É superior ao primeiro em diversos aspectos, mas ainda continua longe de ser um grande filme.

O roteiro novamente fica a cargo de Paulo Cursino (Até que a Sorte nos Separe 1, 2 e 3) e tem diversas novas ideias que dialogam com muito do que ocorreu entre 2014 e 2018 no Brasil. Há paródias para representar Michel Temer, Bolsonaro, Alckmin, Dilma e Lula. Mesmo que em proporções desiguais, esses figurões da política nacional estão na tela e são mostrados com as suas piores facetas. Aliado a isto, são expostos momentos chave da política nacional como os tragicômicos discursos do Impeachment, debates, propagandas políticas e gravações da Lava Jato. A história de Cursino tem mérito ao conseguir reunir a verdadeira novela que é a política brasileira com muita criatividade, mas não em conseguir extrair um humor de qualidade disso.

Na direção de Roberto Santucci (Até que a Sorte nos Separe 1, 2 e 3) há referências a clássicos do cinema. Tem momentos que remetem a “Drácula de Bram Stoker”, de Francis Ford Copolla, ao apresentar um certo personagem soturno, de aparência vampiresca, que desliza ao invés de andar, e “O Grande Ditador”, de Charles Chaplin, em uma cena no gabinete da presidência em que o personagem principal brinca com um globo terrestre. Se no primeiro filme a base foi “O Mentiroso”, protagonizado por Jim Carrey, aqui há estes momentos que não passam de curiosas referências/homenagens, e logo desembocam em repetições em excesso ou acompanhamento do humor exagerado do protagonista.

Existem, é claro, momentos divertidos como as brincadeiras que Hassum faz de si mesmo, uma outra sacada ao final do filme, e piadas com festivais de cinema e crítica especializada (talvez já antecipando uma recepção não muito positiva dos veículos de comunicação), mas eles são muito poucos para sustentar o tom cômico desmedido não só do protagonista, como de todo o humor da película.

Muitos filmes de comédia das duas últimas décadas seguem uma fórmula para manter o seu apelo popular: eles não se distanciam do que é produzido para a televisão, em especial para as novelas, são bastante óbvios em suas intenções e no tipo de humor, e levam diversos atores já conhecidos da telinha para a telona. Todos esses critérios são preenchidos por “O Candidato Honesto 2” com ressalvas, como a quantidade gigantesca de palavrões.

O filme fica no meio do caminho entre ser uma crítica satírica à política nacional, como ocorre em bons quadros do programa televisivo “Zorra” e do canal do Youtube “Porta dos Fundos”, ou de ser uma comédia que realmente consegue extrair risadas como “O Auto da Compadecida” e, em menor escala, em “Minha Mãe é Uma Peça”.

Leandro Hassum, realmente, continua o mesmo. Pro bem ou pro mal.

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