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Crítica: Escobar - A Traição

Escobar – A Traição se inicia com a promessa de trazer um ponto de vista diferente para uma história que já foi contada a exaustão, mas se perde no meio do caminho, e se torna pragmático e pouco inspirado.
Escobar - A Traição

Diversos atores, produções e histórias, todas sobre Pablo Emilio Escobar Gaviria, o famoso narcotraficante líder do Cartel de Medellín, e que a essa altura você já deve saber que não está vivo para dar sua própria versão dos fatos.

Escobar – A Traição, busca através dos relatos descritos no livro Amando Pablo, Odiando Escobar de Virgínia Vallejo, contar a história d’O Senhor da droga colombiana, história essa que já foi inúmeras vezes recontada e que recentemente ficou em alta com o seriado Narcos da Netflix, sendo assim, é quase que impossível a comparação deste longa com as demais obras televisivas ou cinematográficas baseadas na vida do criminoso. Mas, tentaremos aqui evitar comparações específicas com outros projetos, para que essa obra seja analisada como objeto único e não derivado de outros.

A grande inovação pretendida pelo roteiro é a da ser história narrada pela autora do livro, uma jornalista que teve um relacionamento com o narcotraficante. Virgínia Vallejo (Penélope Cruz), esteve um longo período de sua vida próxima a Pablo, os dois eram amantes, e por sua proximidade, ela viu e viveu os bastidores do Cartel de Medellín.

Apesar da narração ser pertencente a uma mulher, e uma que esteve vivendo os acontecimentos, a escolha de uma contar exatamente o que estamos vendo, não pode nem de longe ser considerada um estilo narrativo, é incômodo você ver e compreender a cena, e ter alguém a todo tempo tentando te explicar o que não necessita explicação. É como assistir ao filme com um colega chato que fica comentando todas as cenas para ter certeza que você compreendeu.

Penélope Cruz é a atriz escolhida para dar vida a jornalista e autora do livro, sua performance entretanto é atrapalhada pelas diversas decisões equivocadas do roteiro, e da própria atriz. Como diálogos que externalizam o que a personagem está sentindo, e a ideia de que na Colômbia todos falam inglês com sotaque espanhol. O carisma da atriz é cativante, mas a ideia de transformar Virgínia em uma caricatura destoa da produção que se leva a sério. Como se não fosse o suficiente, aos poucos sua personagem deixa de ser protagonista para se tornar o fio condutor, até se tornar apenas observadora de vida Pablo. Existem longos segmentos que a atriz nem sequer aparece em cena.

Javier Bardem é um ator que dispensa comentários, sua entrega física permite que vejamos em tela uma caracterização de excelente qualidade. O que visivelmente atrapalha sua performance é o idioma, apesar de sofrer menos que sua parceira de cena, a escolha faz com que as palavras em espanhol sejam estranhas quando ditas, e as em inglês sejam travadas por não combinar com aquele personagem. A maquiagem no rosto do ator também é bem pesada e em alguns momentos a face parece estar sempre num mesmo tom, sem ter grandes nuances de emoções, mas a imposição física consegue convencer como sujeito ameaçador.

Outro fator que se pode pôr na conta do casal protagonista e do roteiro, é a falta de química. Apesar de casados na vida real, Cruz e Bardem não têm uma cena que demonstra um laço afetivo forte entre os dois.

Se alguém se destaca no elenco, esse é Peter Sarsgaard, apesar de ter pouco tempo em tela, longe da barreira da língua, Sarsgaard dá a Shepard sobriedade, e a relação entre ele e Virgínia é mais interessante do que da atriz com Escobar.

A direção não consegue trazer inovações para uma história que já está saturada (ou quase). Com exceção de uma cena aterrorizante envolvendo uma loja de penhores, não existe nada em Escobar – A Traição, que se destaque perante a outras obras sobre o traficante. Um exemplo disso, é a cena em que Pablo presenteia Virgínia e explica a razão daquele presente, falta peso à cena.

A direção de arte não é ruim, mas não é capaz de criar a atmosfera oitentista requisitada para o longa. O figurino de Pablo e Virgínia até fazem isso com um pouco mais de cuidado, mas quando se trata dos familiares é bem inferior no tratamento, são poucos os momentos em que você se sente na época.

A fotografia não imprime o calor de Medellín, não é suja nos momentos mais impactantes, e é operante, simples e sem floreios, assim como o restante dos aspectos técnicos, é incapaz de criar a sensação de estarmos vendo a época citada nos letreiros. Falta assinatura e estilo ao trabalho técnico deste longa.

A montagem faz o que pode, mas a indecisão do roteiro prejudica também essa etapa, pois embora Virgínia seja quem narra a história, roteiro e montagem esquecem essa informação e voltam suas atenções a vida de Pablo Escobar. As duas horas de duração poderiam ser melhores aproveitadas caso víssemos a evolução do narcotraficante pela visão da amante.

Escobar – A Traição se inicia com a promessa de trazer um ponto de vista diferente para uma história que já foi contada a exaustão, mas se perde no meio do caminho, e se torna pragmático e pouco inspirado.

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