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Crítica #2: Slender Man - Pesadelo sem Rosto

Existem pequenos trechos que conseguem ser perturbadores, mesmo durando tão pouco. São raros os acertos, mas são bem vindos.
Slender Man - Pesadelo sem Rosto

Slender Man: Pesadelo sem Rosto, ou Slender Man: E a Indústria de corte e costura dos produtores de Hollywood faz mais uma vítima. Às vezes, mas só às vezes, um bom roteiro é capaz de salvar uma direção ruim, ou atuações engessadas, infelizmente a recíproca não é verdadeira, e quando o roteiro é ruim, nem mesmo bons movimentos de câmera, belas composições visuais e atuações razoáveis são capazes de salvar a produção. Quer um exemplo? Quarteto Fantástico (2015), tem atuações razoáveis graças ao bom elenco, referências interessantes ao cinema de horror, mas nada disso salva o longa de ser o fracasso que foi devido a sua edição confusa e roteiro desajeitado, recentemente o mesmo aconteceu com Esquadrão Suicida, mas nesse caso, nem a direção é tão competente assim.

Dirigido por Sylvain White (Os Perdedores), Slender Man: Pesadelo sem Rosto traz às telonas a lenda urbana que se tornou famosa na internet e disseminada através do jogo independente de mesmo nome. Na trama do longa, quatro amigas tomam conhecimento da lenda e decidem procurar em páginas pela internet uma maneira de evocar o tal Slender Man, eis que elas se deparam com um vídeo que após visto, o ritual está iniciado. Algo como Ringu (1998), no qual após assistir as fitas, Samara telefonara para o espectador e então quem atender terá pouco tempo de vida. Essa coincidência com o filme japonês não é à toa, o longa parece tomar emprestado diversas teorias de outros filmes do gênero de horror.

Tem um pouco de Hush: A Morte Ouve, O Chamado, A Bruxa, O Grito e muitos outros. Se a série de referências por hora parece bem vinda, na verdade mostra a ausência de uma base convincente para a história. Slender Man funciona quase como um Megazord de todos os filmes de horror, mas sem se parecer original e sem incomodar tanto quanto aqueles que ele usa como referência. A pobreza criativa não para por aí, o roteiro é completamente derivado e cansativo, uma porção de sustos previsíveis, e que não dão medo, qualquer longa é capaz de dar um susto em alguém, o desafio é criar Medo, e Slender Man, não o cria.

Com muita boa vontade é possível traçar um paralelo entre a disseminação do monstro, com os Fake News, mas só se você realmente estiver afim de tornar o roteiro do longa menos detestável. Entre as diversas falhas presentes na produção, existe a de um certo personagens que aparece, algo acontece com ele e não temos resolução para o mesmo. Isso acontece mais de uma vez, porém é capaz de aceitar nas primeiras duas. O filme também passa quase dois segmentos explicando regras, tentando criar uma mitologia para ser explorada em outro longa. Se o Tubarão de Jaws funciona por ser pouco mostrado, o Slender Man é exibido até perder a força de impacto, e o CGI não é o maior problema.

As atuações são qualquer coisa, culpa de diálogos expositivos e a ausência de evolução para a maior parte de suas personagens. Annalise Basso (Ouija 2) vive Katie e sua personagem é sub aproveitada, descobrimos mais sobre ela pelos diálogos de suas amigas, do que pelas cenas em que a personagem está presente. Joey King (Invocação do Mal) vive Wren, é quem tem uma pequena mudança ao decorrer da trama, a paranoia de sua personagem é crescente e funciona como fio condutor do longa, mas a interpretação é exagerada e aos poucos você não se importa com a personagem. Julia Goldani Telles (The Affair) é Hallie, sua personagem é quem protagoniza o filme, a relação dela com a irmã é interessante, mas pouco explorada, causando assim, ausência de emoção para o filme, que nem mesmo com uma relação familiar conseguimos nos importar. Os demais membros do elenco estão entre ruins e operantes. Destaque negativo para Jaz Sinclair (Cidades de Papel) que atrapalhada pela edição, surge com algumas caretas questionáveis.

A direção de fotografia, no entanto, é uma grata surpresa, embora durante a maior parte da obra ela seja desperdiçada, conforme a atmosfera de terror surge o trabalho de Luca Del Puppo melhora, fazendo um bom trabalho no desenho de luzes e escolha de cor, isso deixa a sensação de que em melhores oportunidades ele talvez possa conseguir melhor êxito. A direção Sylvain erra mais do que acerta, porém, quando acerta chama a atenção. Ele compõe movimentos de câmera circulatórios que ao mesmo tempo em que dão a sensação de perturbação, também ampliam ao público o senso que aquelas personagens estão sendo vigiadas de perto.

Existem pequenos trechos que conseguem ser perturbadores, mesmo durando tão pouco. São raros os acertos, mas são bem vindos. Se você viu ao trailer, vai estranhar a ausência de algumas cenas, aparentemente o filme foi retalhado e as cenas mais “perturbadoras” foram retiradas... É, então já dá pra imaginar o que sobrou deste corte. Slender Man não consegue cumprir o que promete, e não é assustador como o jogo que deu origem a lenda, também não se decide sobre qual seria a regra daquele mundo, e nem a boa direção e fotografia salvam o longa


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