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Crítica: Missão: Impossível - Efeito Fallout

Com uma direção habilidosa, uma atmosfera de espionagem que a tempos não era tão boa, e uma grandiosidade digna da franquia, pode ser cedo para atestar que este é um dos grandes filmes do ano
Missão: Impossível - Efeito Fallout

Uma das maiores franquias de ação atualidade está de volta para as telonas, novamente nas mãos do roteirista e diretor Christopher McQuarrie (Missão Impossível: Nação Secreta) o primeiro a ser mantido para mais de um longa da agora hexalogia - antes dele tivemos grandes nomes como J.J. Abrams (Star Trek e Star Wars: O Despertar da Força), Brian De Palma (Scarface) e Brad Bird (Os Incríveis) -, e mais uma vez ele demonstra que sabe o que está fazendo e sem medo de por vezes soar derivado.

Missão Impossível: Efeito Fallout começa com Ethan sendo assombrado pelas atitudes tomadas em seu passado recente, drama que assombra e dita o ritmo da evolução do personagem de Tom Cruise durante toda a trama. Ethan é avesso aos métodos de seus superiores, e por vezes descumpre as regras visando salvar a vida de uma única pessoa ou mesmo de algumas centenas, entretanto suas atitudes na visão de seus líderes o põe em questionamento. Seria Ethan um herói, anti-herói ou apenas um agente insubordinado? Tal questionamento traz vida e dualidade ao personagem mesmo diante de explosões e tiroteios, não só isso, mas a importância que se dá àqueles que o cerca, para ele, cada vida é importante, sendo esta parte do “esquema” de terror e espionagem do longa ou não.

Espionagem. McQuarrie dá uma aula de como utilizar as convenções do gênero. Evocando os melhores tempos da franquia de espionagem mais famosa do cinema (007), Efeito Fallout entrega tudo que se espera de um Thriller, personagens que viram a casaca, frases de efeito, acessórios mirabolantes, planos suicidas e principalmente, surpresas. Mesmo que a trama siga precisamente o que se espera, um leve frescor é sentido pelas mãos de um diretor habilidoso que tem tranquilidade para trabalhar tanto as sequências de ação quanto as que se utilizam mais do drama e suspense. Outro grande acerto da direção é o senso de humor, assim como em seu antecessor, o longa não se leva a sério, o tempo inteiro dando espaço para boas risadas ao longo de suas quase duas horas e meia.

As sequências de ação são lindas, e grandiosidade é quase um pleonasmo para descrevê-las, existe uma em que Ethan e Walker (Henry Cavill) pulam de paraquedas que é de encher os olhos, desde o corredor do avião com cores vermelhas, ao salto em si no olho de uma tempestade, a movimentação de câmera e a coreografia funcionam como um balé e a voz do equipamento dizendo a altitude em que eles estão, junto a trilha sonora é enervante, te sufoca. A direção opta novamente por beirar o absurdo, mas nunca perde a mão, por mais inverosímel que possam ser as cenas, ainda existe um pé na realidade. Entretanto existe espaço para cenas menores, como a que um banheiro inteiro é destruído numa luta corpo a corpo.



A cinematografia é das mais bonitas da franquia, o trabalho de Rob Hardy (Ex-Machina e Aniquilação) salta aos olhos, das sequências como o salto de paraquedas à cenas nos esconderijos e túneis, tudo junto ao bom trabalho de direção de arte, compõe um visual que traz elegância ao longa, não a mesma dos filmes de James Bond ou O Grande Gatsby, algo mais rústico, porém, ao mesmo tempo demonstra ser lapidado. Hunt é mais “porradeiro”, quando Viúva Branca (Vanessa Kirby) tenta ser sensual, ele responde de maneira agressiva, mas existe elegância aqui.

No elenco o destaque positivo é Simon Pegg, o ator é capaz de apresentar o seu humor característico visto no filme anterior, mas também se impõe como Agente Secreto quando exigido, mesmo que não seja quem vai para a ação, se precisar, ele estará pronto.

Tom Cruise não transparece todos os sentimentos que seu personagem precisa, por exemplo em uma cena em que diz algo como “Eu matei centenas de pessoas, eu não tenho limites”, era para soar como algo pesado, mas a impressão que fica é que nem mesmo Ethan Hunt acredita na frase, entretanto o principal para sua atuação está lá, o agente que se importa com o bem maior, o herói que se questiona, o homem por trás da missão.

Henry Cavill está melhor que o esperado, em suas primeiras cenas ele parece meio engessado, mas ao poucos entrega uma boa performance em cena, vale também ressaltar a parceria com Cruise, a dupla Walker e Hunt funciona em tela e as cenas dos dois juntos dão certo a ponto de você desejar que a parceria seja mais longeva.

Os demais membros do elenco estão bem, com destaque negativo para Alec Baldwin, que faz mais do mesmo, e Sean Harris que repete seu o seu Solomon Lane, mas não impõe a presença que seu personagem deveria ter.

A manutenção de McQuarrie a frente da produção deixa a sensação de estarmos acompanhando uma trilogia e que os personagens, mocinhos ou bandidos, podem e devem retornar na próxima sequência.

Com uma direção habilidosa, uma atmosfera de espionagem que a tempos não era tão boa, e uma grandiosidade digna da franquia, pode ser cedo para atestar que este é um dos grandes filmes do ano, é sempre difícil prever esse tipo de coisa, mas sem sombras de dúvidas Missão: Impossível - Efeito Fallout é um dos melhores, se não o melhor da franquia, além de um grande filme que para os amantes dos thrillers de espionagem e ação.


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