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Crítica: Gnomeu & Julieta: O Mistério do Jardim

As crianças devem se divertir e talvez aprendam uma mensagem bonita sobre como devemos tratar nossos amigos, e não só eles mas todos que nos cercam, mas ainda pode causar tédio nos pais.
Gnomeu & Julieta:

Filmes de animação são só para crianças? Filmes infantis precisam necessariamente terem resoluções óbvias? A reposta para essas perguntas é bem simples, mas porque é tão difícil quebrar essa obviedade e desleixo de produções infantis?

Gnomeu & Julieta: O Mistério do Jardim, é a continuação de Gnomeu e Julieta (2011), aqui temos personagens já estabelecidos, o que por hora evita explicações redundantes de quem são aqueles gnomos de jardim, mas que por outro lado não dá menção ao passado do vilão do filme, ele é simplesmente conhecido como Moriaty, rival de Sherlock Gnomes, e é isso. E só isso.

Na trama, Gnomeu está passando por dificuldades no relacionamento com Julieta, causadas pelo aumento de responsabilidades da dupla no jardim em que moram. Depois de ir atrás de um presente para sua amada, e posteriormente ser salvo pela mesma (numa cena que se repete ao menos três vezes ao longo de 90 minutos), eles voltam ao jardim e todos os seus amigos e familiares foram sequestrados, eis que surge Sherlock Gnomes e seu ajudante Watson, que procuram pistas para solucionar o mistério.

O grande problema do filme está em seu roteiro. Ora, se para cada duas crianças na sessão, tivermos um adulto os acompanhando, o minímo que se espera é que o filme também seja capaz de apresentar elementos suficientes para manter a atenção deste público, porém as únicas tentativas são fracas, como por exemplo a ideia de entrar na mente de Holmes (ou Gnomes), e virar uma animação dos anos 40 preto e branco, é interessante, mas cansativa depois de ser utilizada a exaustão. A repetição de momentos para criar uma conexão com o público também fracassa pelo exagero, e as reviravoltas são previsíveis. As motivações do vilão do filme são, inexistentes, e se você procurar vai encontrar uma infinidade de coincidências narrativas, e situações que já foram melhores abordadas em outras animações. Ao menos o relacionamento dos protagonistas é bom e consegue mostrar uma continuação ao que foi feito em seu antecessor.

A animação é eficiente, e o design de som é bem inventivo, pois evitam colocar a todo momento o som dos pés de gesso dos personagens, só o fazem em momentos específicos. A trilha sonora infelizmente não tem nada a acrescentar, nem ao menos na música que vai te perseguir depois dos créditos.

A sessão reservada à imprensa teve a exibição com o áudio original, o que é bom para observar o trabalho de voz, mas que não permite a avaliação da dublagem nacional, pois como sabemos, são raras as ocasiões que esse tipo de produção chega ao grande público com a opção do idioma de origem.

Apesar disso, o filme não é de todo falho, a personagem de Julieta é um retrato mais atual para personagens femininas, e em nenhum momento ela se torna omissa diante da arrogância de Sherlock, nem mesmo diante dos perigos enfrentados pelo grupo, ou nas DR’s com Gnomeu, é ela quem sempre busca tomar as rédeas da situação, até mesmo quando ela foge do controle. As motivações de Dr. Watson para continuar ao lado de Sherlock, e por suas ações, são convincentes, mas infelizmente previsíveis. Gnomeu é um cara inventivo, mas cabeça dura, já Sherlock, transborda tanta inteligência quanto arrogância, algo característico do personagem. As crianças devem se divertir e talvez aprendam uma mensagem bonita sobre como devemos tratar nossos amigos, e não só eles mas todos que nos cercam, mas ainda pode causar tédio nos pais.

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