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Na Netflix: Vende-se Esta Casa


Casa grande há tempos não habitada, novos moradores, cidade pequena, vizinhança esquisita. Esses são elementos que aludem a uma atmosfera de terror e suspense, devido a estereótipos construídos no imaginário coletivo. Seja pela possibilidade de o local ser assolado por forças sobrenaturais ou vítima de indivíduos mal-intencionados, no cinema, habitar uma nova casa, principalmente em um local mais afastado, sugere que acontecimentos tensos irão transcorrer nesse lugar. Essa é a premissa de Vende-se Esta Casa (The Open House), um dos mais novos longas Originais Netflix (o segundo lançado em 2018).

A trama conta a história da mudança residencial dos Wallace após uma fatalidade. Logan (Dylan Minnette) presencia o pai ser morto de forma esdrúxula: atropelado no estacionamento do supermercado. Após esse trágico e descabido acontecimento, ele e sua mãe Naomi (Piercey Dalton), desamparados e endividados, mudam-se para uma casa grande e numa cidade pequena e mais afastada cedida pela irmã de Naomi. Porém há um detalhe: a casa está à venda e, devido a isso, todos os domingos, ela é aberta à visitação, o que requer que os dois estejam ausentes durante esse período.

Sem muitas opções e recursos financeiros, Naomi convence o filho de que ambos precisam ir para a tal casa. Chegando lá, apesar do desconforto inicial, ela tenta se sentir em casa e fazer com que Logan reaja da mesma forma. Entretanto, ambos (principalmente o rapaz) passam a perceber que não só a cidade e seus habitantes são estranhos, como acontecimentos incomuns dentro da casa passam a gerar uma forte insegurança.

Escrito e dirigido por Matt Angel e Suzanne Coote, o filme se mostra um completo desastre. Vendido como um título de terror, não consegue instaurar a densidade necessária para isso, não chegando nem a construir um ar de suspense com as tomadas clichê feitas com esse intuito, porém malsucedidas. Prova da inabilidade da dupla para a produção de um terror congruente e assustador é o abuso de jump scare (forçado e clichê, diga-se), como se agitar o espectador (caso tenham conseguido com tantos recursos manjados) fosse o suficiente para compensar a ausência de elementos realmente apavorantes nessa trama.

Com uma narrativa extremamente arrastada e tediosa até praticamente a metade e repleta de componentes desnecessários ou sem sentido algum, é o tipo de produção que te faz questionar a sua criação. Ao final do filme, o espectador fica com a sensação de que a dupla responsável foi pegando aleatoriamente uma gama de elementos que tenham sido considerados interessantes, contudo sem terem a mínima ideia de como desenvolvê-los e fazer uma ligação entre eles (e sem se importar nada com isso também). A fim de evitar spoilers, daremos apenas dois exemplos: o personagem Logan é atleta, faz suas corridas, estava se preparando para as Olimpíadas, porém isso acaba por apenas mais um detalhe irrelevante e que em nada agrega à trama; do mesmo modo, Naomi era fotógrafa, mas havia abandonado a profissão e começa a ter o desejo de retomá-lo, algo que fica por isso mesmo, sendo apenas mais uma ficha lançada aleatoriamente sobre a malha do filme. E, como se não bastassem as várias lacunas no roteiro (não preenchidas de modo que se percebe a desorientação de Angel e Coote) e a miscelânea despropositada, cabe ressaltar as inúmeras falhas, que, de tão gritantes, não ocorrem por mera conveniência, mas por falta de lógica e bom senso.

Ademais, é relevante citar a fraca (para não dizer péssima) atuação, principalmente dos protagonistas, reforçada pela superficialidade da relação entre os personagens e pelos diálogos vazios e sem nexo. Dylan Minnette, conhecido por protagonizar a série Original Netflix 13 Reasons Why, entrega um personagem idêntico ao interpretado na série citada, com as mesmas expressões insossas e pouco convincentes, o que nos leva a questionar se ele realmente interpreta ou se é apenas isso que sabe fazer. Piercey Dalton também desponta em cena de modo pouco convincente, porém forçado, como se não tivesse conseguido compreender o estado de espírito da personagem que encarna, soando caricata. 

Esse conjunto desastroso, que não deixa de pecar em nenhum quesito, nem mesmo na fotografia, que surge escura demais para a pouca densidade transmitida (talvez para tentar transmitir, ao menos visualmente, um pouco do terror não obtido), transmite a sensação de que a dupla criadora estava unicamente interessada em experimentar diversos enquadramentos e movimentos de câmera, pois é isso que se percebe ao assistir. Há cortes e sequências a fim de testar possibilidades, levando o roteiro, inclusive, a transcorrer a fim de tornar isso possível, visto que inúmeras cenas, aparentemente sem função e desnecessárias, parecem ter sido rodadas com esse único intuito.

Fazendo uso de uma premissa com elementos clichês, mas que sugerem uma trama interessante (moradores novos em uma casa grande, localizada em uma cidade pequena, com vizinhos e cidadãos esquisitos), Vende-se Esta Casa corresponde a uma produção inconsistente e desnecessária. Transbordando monotonia, superficialidade e falta de sentido, o longa é um exemplo de como a Netflix é capaz de fazer um péssimo investimento (que, felizmente, não foi tão alto: 100 mil dólares).



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