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Crítica #2: NOÉ

Crítica #2: NOÉ
Como forma de tentar convencer os produtores da Paramount investirem no ousado projeto de adaptar a história bíblica de Noé para o cinema, o diretor Darren Aronofsky (Cisne Negro, 2010) se uniu ao colaborador de costume Ari Handel para adaptar o roteiro do filme em um graphic novel, que serviria de base para o desenvolvimento do filme.  Em seu primeiro filme de orçamento elevado, o diretor e a produção teriam um grande desafio ao escolher entre fazer uma adaptação fiel a bíblia, dar uma visão mais neutra e pessoal ao projeto, ou mesmo um equilíbrio entre as duas. Com a recente falta de exploração do gênero bíblico em grandes projetos comerciais, ficou mais claro que o filme não abandonaria certas referências religiosas, mas teria como objetivo principal o maior alcance de público, sem ter um argumento objetivo, deixando à interpretação de cada um.

“Noé” tem um visual estarrecedor, a tecnologia disponível foi muito bem empregada para dar com eficiência o ar apocalíptico e primitivo no qual a história se passa. O diretor teve a liberdade necessária para explorar sua criatividade e fez algumas escolhas que, se não chegam a ser “estranhas”, foram no mínimo “curiosas”, como animais de espécies desconhecidas e gigantes de pedra. No elenco, grandes nomes como Russell Crowe (Noé), Jennifer Connelly (Naameh) e Anthony Hopkins (Matusalém). É inegável o esforço e dedicação do casal principal, que já haviam trabalhado juntos em “Uma Mente Brilhante”, de 2001 e mais uma vez se destacaram, com fortes atuações.

O filme peca quando se encarrega em ter uma proposta de “multi-gêneros”, tentando ser de forma harmoniosa um filme sobre tragédia, religião (embora não claramente, mas sugere a força de um “poder maior”, que precisa ser obedecido), drama familiar, guerra e fantasia, entretanto, nenhum desses gêneros é forte o suficiente para convencer. “Noé” acerta quando se propõe unicamente a entreter, sem ter a pretensão de questionar  valores teológicos. E Aronofsky, acostumado a trabalhar com os dramas psicológicos de seus protagonistas, explora em Noé seu lado sombrio e complexo, levando em conta seu sentimento de culpa por ser “responsável” pelo fatídico destino da vida de milhares de pessoas. Nesse aspecto, Crowe volta a sentir dificuldades por não ser um ator de “sutilezas”, então se torna um Noé bruto e implacável, dando uma nova “cara” ao anti-herói . Quanto ao saldo final, digo que esperaria um Noé assim de Michael Bay, já Aronofsky, espero que volte ao baixo orçamento e continue o bom legado que tinha antes dessa aventura.

Mais: Leia a primeira crítica.

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