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Crítica: TRAPAÇA

critica TRAPAÇA
Em seu terceiro hit seguido em premiações, David O. Russell mostra, entre os decotes matadores de Amy Adams e as canções icônicas da trilha sonora de Trapaça, o glamour sedutor da década de 1970 e faz uma deliciosa homenagem aos filmes de crime e máfia. Uma obra que embora não seja tão consistente quanto outros candidatos a Oscar deste ano, é divertido e dramático na medida certa para conquistar o espectador e lhe render uma experiência no mínimo cativante.

Em Trapaça acompanhamos a história Irving Rosenfeld (Christian Bale) um vigarista que, se vê obrigado a trabalhar para o agente Richard DiMaso (Bradley Cooper) do FBI, após sua parceira e amante Sydney Prosser (Amy Adams) ser pega em um de seus golpes em conjunto. DiMaso coage os dois a utilizar seus dons de trapaça para figuras ilustres envolvidos em esquemas fora da lei. O primeiro envolvido é Carmine Polito (Jeremy Renner) bom político local. Aos poucos Irving e Sydney se veem envolvidos em uma trama que pode lhes proporcionar destino pior do que a prisão com que foram ameaçados, principalmente com a imprevisível mulher de Irving, Rosalyn (Jennifer Lawrence), tentando atrapalhar seus planos.

O destaque fica por conta das atuações, se por um lado é ótimo ver a flexibilidade para entrar e sair de forma de Christian Bale, Bradley Cooper faz novamente um tipo um tantinho desequilibrado. Porém, as lindíssimas Amy Adams e Jennifer Lawrence são definitivamente as estrelas. Uma representando quase o contraponto da outra, e quando a vemos contracenando pela primeira vez é simplesmente um estouro de beleza e talento, que rendeu as duas recentemente o globo de ouro. Ainda falando do elenco, não há como não notar a excelente ponta de Robert De Niro, como o mafioso Victor Teleggio, que imediatamente remete a filmes de máfia em que o ator esteve envolvido como Os Bons Companheiros (1991), Cassino (1995) e O Poderoso Chefão (1972).

Não por acaso dois dos filmes citados acima são de Martin Scorcese, afinal, em termos de construção Trapaça, lembra alguns trabalhos realizados pelo diretor, porém sem a mesma agressividade. Além de representar o mundo do crime como algo sedutor, os próprios personagens poderiam pertencer ao universo ‘Scorcesiano’, como Irving um homem de origem humilde, especificamente do Bronxs, que decidiu adotar uma vida fora da lei ao observar o efeito desta em seu meio ambiente, ou o estranho Richie, que quer alcançar reconhecimento a todo custo e se mostra muitas vezes um perfeito imbecil por não saber quando parar. E o comentário também vale para a dupla de mulheres fortes e perigosas.

A recriação de época, figura também entre as virtudes do filme, caraterizações inspiradas que complementam a personalidade dos personagens, o constante decote de Amy Adams é provocativo, mas nunca vulgar. A calvície de Irving é uma manifestação do passado humilde do qual tenta fugir e seu figurino quase sempre sóbrio é sinal da discrição com que leva seus negócios escusos. É uma reconstrução de época bastante notável considerando a quantidade de locações utilizadas durante o filme, quase totalmente urbanas.

Em um quadro geral, o único pecado de David O. Russell foi fazer de Trapaça um filme inofensivo demais, mesmo que possua certa irreverência no final das contas ele acaba aproximando-se mais de O Lado Bom da Vida, a vontade não dissimulada de agradar a gregos e troianos é manifestada no último ato do filme com um final para lá de feliz que parece mais ter sido retirado da cartola de algum mágico, isto é, claro, aspiração a prêmios. Mas não que se julgar em demasia O. Russell por isso, afinal, a despeito disso seu filme é deslumbrante, magnético e nunca chato. Diversão de alta classe.


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