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Crítica: A VIDA SECRETA DE WALTER MITTY


Em uma clara tentativa de ser levado definitivamente a sério como diretor, Ben Stiller quase erra a mão ao se esforçar demais, e acaba por apresentar um filme que, a despeito das boas ideias e intenções, é prejudicado por escolhas equivocadas que fazem muitas das boas mensagens do filme serem obscurecidas por uma estética genérica e às vezes cafona.

O filme baseado em um conto homônimo do americano James Thurber, conta a história de Walter Mitty (Ben Stiller) um homem que vive sonhando acordado e é empregado da revista Life no tratamento de negativos de fotografias. A revista está passando por um processo de reestruturação devido sua migração para o ambiente online. Walter se vê em apuros quando o negativo da foto que estampará a capa do último exemplar impresso da revista é perdido. Assim ele parte numa jornada em busca do fotografo aventureiro Sean O’Oconnell (Sean Penn) na tentativa de recuperar a foto e garantir seu emprego. Enquanto isso precisa lidar com a atração que sente por uma colega de trabalho Cherryl (Kristen Wiig) para a qual não consegue se declarar.

O filme é lotado de boas ideias que podem ser revertidas em mensagens universais sobre o homem moderno. Ele trata, por exemplo, da obsolescência das coisas e das relações pessoais atualmente. A tecnologia ao mesmo tempo em que torna as coisas mais fáceis, acaba distanciando em algum nível as pessoas da ação real na medida em que cria um intermédio para tudo o que se precisa fazer e comunicar. Na contramão desta nova configuração de mundo, está Sean O’Oconnell fotógrafo aventureiro que viaja o mundo inteiro em busca do registro dos mais inóspitos ambientes e eventos, e não por acaso é pessoa difícil de localizar, não possui telefone nem endereço, é a personificação do “gato fantasma” citado em determinando momento do filme, é a constatação de que pessoas que vão em busca da ação, estão em extinção em dias como estes.

Para Walter Mitty que viu sua vida tomar um rumo inesperado devido à morte de seu pai, Sean representa ao mesmo tempo o homem que gostaria de ser e o estímulo que o pai falecido foi. Assim ele vai atrás dele com a desculpa de recuperar a foto, mas na verdade está em busca de dar fim aos problemas não resolvidos com o pai, no qual colocava a culpa por não ter realizado seus sonhos, e consigo mesmo. Só assim, livre daquilo que o tornava um homem sem atitude, ele estará pronto para abraçar o que representa a maior aventura/desafio de sua vida, que é dar o primeiro passo no sentido de formar sua própria família.

Esses e outros significados são importantes reflexões sobre a vida urbana, mas são sobrepujadas por momentos de excessos estéticos que beiram a breguice, como por exemplo, quando vemos frases do lema da revista Life estampadas em vários lugares diferentes quando o personagem finalmente decide por aceitar o convite para a aventura. Outro deslize está no chefe babaca caricato como vilão que tem pouca justificativa no roteiro, pois as questões da natureza psicológica do personagem são por si só obstáculo suficiente para o filme, e apenas resulta em um  desfecho óbvio: a cena em que o protagonista enfrenta o chefe/bullie de cabeça erguida, coisa que já vimos um zilhão de vezes e de forma mais criativa.

Por essas escolhas infantis dentro de um material com tanto potencial, A Vida Secreta de Walter Mitty parece um produto um tanto estranho e sem um tom definido, toda a sua construção denota profundidade, mas a falta de sutileza tira grande parte do peso que o filme poderia ter. Mesmo assim, ficam aqui meus votos para Ben Stiller, sujeito que considero subestimado como diretor, para que não se esforce tanto para ser levado a sério, ele se saiu bem melhor em Trovão Tropical quando parecia estar bem mais relaxado para desenvolver seu trabalho.


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