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Crítica: Deadpool 2

Deadpool 2 tem êxito em superar seu primeiro filme, mas peca em um roteiro que tenta ter momentos de drama em um filme “despirocado”, além de cometer erros ao escantear algumas personagens.
Deadpool 2

Com a direção de David Leitch, responsável por Atômica (2017) e por matar o cachorro de Keane Reeves em John Wick (2014), Deadpool 2 tem a dificíl missão de superar o seu antecessor, um sucesso de público que deu novo respiro aos filmes baseados em heróis dos quadrinhos.

Antes de falar do filme, é importante ressaltar o trabalho de marketing realizado na promoção do longa, pois apesar de ter visto uma quantidade considerável de trailers e teasers, a trama não foi revelada em nenhum material de divulgação, nem mesmo a real sinopse do longa foi exposta, algo que não aconteceu no primeiro filme do herói. Por conta desse belo acerto do time de marketing, antes mesmo dos créditos iniciais o espectador já se vê completamente perdido e esperando que talvez essa sequência siga os passos de seu antecessor.

Neste longa Wade Wilson (Ryan Reynolds) tenta encontrar o sentido para a palavra família, um sentido que seja diferente do que ele aprendeu sua vida inteira. O roteiro do filme mantém a violência e humor característico do personagem, mas sem deixar que o filme seja apenas sangue e membros voando pela tela a todo momento, ele também acrescenta uma boa dose de drama, além disso é possível enxergar uma melhora grande em relação ao humor, se na primeira adaptação, o personagem cansava e até irritava mais que o necessário, nessa ele continua irreverente, mas sem deixar o público perder a paciência. A direção consegue repetir o êxito de brincar com os clichês do cinema, além de investir mais no humor de referência, contando com cutucadas ao universo da DC, e com Logan, também dos estúdios Fox.

Leitch se provou o nome certo para assumir a direção de Deadpool 2, por conseguir trazer equilíbrio para a trama, e por conseguir lidar com um orçamento maior, este filme é muito maior que o primeiro, tem muito mais espaço para erros, e a direção consegue evitá-los. Apesar de ter trazido movimentos de câmera mais dinâmicos e um equilíbrio maior, a ausência de um plano sequência como os que já executou em seus filmes anteriores é sentida.

É muito difícil falar da fotografia de um filme Blockbuster, são todas muito competentes, mas quase nunca tentam algo realmente diferente, e Deadpool não tenta, mas também não é o seu propósito. Por outro lado, a trilha sonora consegue fazer o que Esquadrão Suicida não conseguiu, ao equilibrar músicas conhecidas sem parecer uma grande playlist do Spotify tocada no modo aleatório

A edição e montagem do filme continuam eficientes, tem o tom certo para a ação e a comédia, e consegue dar respiros para os momentos de reflexão de seu protagonista, o único problema é que o artificio utilizado para esses momentos se torna um pouco preguiçoso e repetitivo.

Mesmo que não se leve a sério, o roteiro poderia ser um pouco melhor, alguns personagens por exemplo, estão lá apenas por estarem, a personagem Megassônico está praticamente ausente do filme, ela é só uma figurante Badass, para se ter noção, sua participação na pós créditos é mais relevante do que no restante da produção. Por outro lado, a personagem Dominó (Zazie Beetz) consegue alguns momentos de atenção e tem pelo menos duas boas cenas de ação. TJ Miller continua engraçado, mas o personagem que já era pequeno no longa anterior, acaba virando um alívio cômico (num filme de comédia?).

O coração bom de Colossus está no lugar de sempre, mas existe espaço para ele aceitar quebrar as regras e jogar sujo como Pool. Além de Beetz, Josh Brolin manda muito bem como Cable, ele convence em tudo que seu personagem precisa fazer. O vilão do filme tem uma motivação que não convence muito, e o seu “capanga” ao menos representa uma ameaça aos heróis. Também na conta do roteiro entra o drama. Não que seja descartável, se o primeiro Deadpool é um adolescente inconsequente, o segundo tenta ser mais adulto, o problema é que não combinou muito com o restante da produção, mesmo que sirva de alivio, parecia fora do encaixe.

No quesito computação gráfica, o aumento no orçamento proporciona efeitos visuais muito melhores, e convence na maior parte do tempo, com exceção de um trecho curto envolvendo a personagem Dominó. O visual de Colossus embora ainda seja ruim, não incomoda, pois passa a sensação de ser proposital.

Deadpool 2 tem êxito em superar seu primeiro filme, mas peca em um roteiro que tenta ter momentos de drama em um filme “despirocado”, além de cometer erros ao escantear algumas personagens. Mas o filme é bom, é engraçado, violento e mostra que pode render algo melhor no futuro. O filme tem duas cenas pós-créditos e a segunda é imperdível, além de participações especiais de vários personagens do universo X-Men e de atores bem conhecidos.

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