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Na Netflix: A Babá

Utilizando debochadamente não só inúmeros elementos, mas uma fórmula bastante conhecida no cinema só que de forma criativa e divertida, A Babá esbanja gritos, sangue e violência – tudo isso envolto em uma camada de humor.
Na Netflix: A Babá

Imagine ser um adolescente de 12 anos que tem uma babá que toma conta de você sempre que os seus pais saem. Além de não ser legal, é um pouco estranho. Imagine, então, que a sua babá realiza reuniões com membros de uma seita satânica na sua casa enquanto você dorme. Não apenas estranho, mas bizarro. Agora imagine presenciar uma pessoa sendo morta pela sua babá e os amigos na sala da sua casa em prol de um ritual. É mais do que simplesmente estranho ou bizarro, mas completamente assustador e insano. Essa é a premissa de A Babá, um dos filmes Originais Netflix lançados em outubro.

Cole (Judah Lewis) tem 12 anos, é um garoto pacato, doce e que sofre bullying. Nada muito diferente de uma parcela dos garotos da sua idade. O elemento diferente nesse caso é uma babá que toma conta dele na ausência dos pais, com quem ele cria grande afinidade. Cole e Bee (Samara Weaving), a babá, criam uma grande afinidade: riem, assistem a filmes de faroeste e conversam de forma amistosa e aprofundada sobre ficção científica, além de a babá defendê-lo dos babacas que o hostilizam. Ou seja, ela representa para ele mais do que uma simples babá, ocupando um lugar que oscila entre amizade e o desejo/paixão que o garoto alimenta por ela (aliás, como é típico de todo adolescente cultivar desejo/paixão por mulheres mais velhas e gostosas).

A guinada na trama se dá quando Cole decide passar a noite acordado a fim de descobrir o que Bee faz enquanto ele dorme. E o que ele descobre é assustador: escondido no patamar da escada, ele presencia sua babá reunida com cinco amigos, a princípio, jogando o famoso jogo da garrafa; até que Bee assassina um deles e recolhe o sangue para um ritual satânico da seita da qual todos os restantes participam. Assustado, o menino tenta fugir de forma sutil, mas acaba descoberto e, a partir de então, torna-se alvo do grupo.

Dirigido por McG (As Panteras) e escrito por Brian Duffield, o filme é ágil e objetivo, evitando se prolongar demais na contextualização, entretanto, ainda assim, apresenta de modo contundente os personagens e suas relações e conflitos. Com uma trilha sonora e um ritmo bons, configura-se como um trash contemporâneo, mas com um certo ar oitentista, o que, inclusive, confere-lhe um quê de nostalgia, apesar de novo.

Fazendo uso de diversos clichês propositadamente, o longa se estrutura como um típico terrir. O menino nerd que sofre bullying, a babá gostosa, um grupo de amigos reunido à noite, o icônico jogo da garrafa, aquele beijo picante entre duas mulheres, o malhadão que aparece forçadamente sem camisa apenas para que seu físico seja exibido, o cara reservado e com jeito de “virjão” que não sabe como reagir quando a gostosa dá em cima dele, o negro que integra o grupo, a típica perseguição, além de mortes inusitadas são elementos que marcam presença de forma a se notarem como os clichês que são. Ademais, a pegada slasher evoca não só o jump scare, mas, neste caso, o uso e abuso de gore, com bastante sangue e violência – sendo o exagero empregado justamente para tensionar a narrativa do horror à comédia. Como resultado, temos um Esqueceram de Mim versão slasher, com o garoto alvo dos vilões revidando às ameaças de forma mais hardcore do que Macaulay Culkin na franquia infantil.

Utilizando debochadamente não só inúmeros elementos, mas uma fórmula bastante conhecida no cinema só que de forma criativa e divertida, A Babá esbanja gritos, sangue e violência – tudo isso envolto em uma camada de humor. Corresponde a uma boa opção de entretenimento trash com pitadas de nonsense, tanto para quem se curte terror quanto para quem curte por comédia – e, principalmente, para aqueles que curtem a junção de ambos.


Divulgaí

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