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Na Netflix: Apostando Tudo

Por não se tratar de uma típica comédia, que se propõe a arrancar risos e gargalhadas do público, mas trazendo uma interessante história de transformação de realidade, Apostando Tudo surge como uma sugestão atrativa.

Receber uma bolsa de dinheiro pode não ser uma dádiva. Principalmente, se esse dinheiro não for seu. Ainda mais se você for um jogador compulsivo. Mais ainda se você for um jogador compulsivo que sempre perde dinheiro nos jogos e nas apostas que faz. Isso é o que descobre o protagonista do filme Apostando Tudo, uma das mais recentes produções Originais Netflix (lançado na plataforma de streaming no dia 07/04/17).

O longa apresenta Eddie Garrett (Jake Johnson), um cara com uma vida aparentemente sem perspectiva que, para completar, é um jogador compulsivo que sempre perde e que só procura o seu padrinho do programa de apoio a pessoas viciadas em jogos quando quer conselhos acerca de jogos e apostas (conselhos que, diga-se, ele nunca segue, pois quer apenas alguém que o incentive ou ao menos concorde com seus planos que envolvem jogatina). Sua vida segue a rotina de jogos, apostas, estacionar carros, frequentar um bar no final do dia com amigos... Até que um conhecido chamado Michael o procura com a seguinte proposta: se Eddie guardar uma bolsa em sua casa pelo período de seis a nove meses (tempo em que Michael ficará preso), quando este sair da prisão, lhe pagará dez mil dólares em troca do “favor”. Uma excelente proposta, que Eddie, sem titubear, aceita.

Entretanto, não se contendo de curiosidade quanto ao que há na bolsa, o protagonista a abre e descobre bolos e mais bolos de dinheiro. Ao ver uma enorme quantia de dinheiro “à sua disposição”, sua compulsão pela jogatina começa a afligi-lo até que ele se rende ao ímpeto de pegar US$ 500,00 “emprestados”. Mesmo sabendo-se (nas palavras do seu padrinho do programa de apoio) um “perdedor compulsivo”, sua lógica é a de que essa quantia retirada da bolsa lhe permitirá lucrar com as apostas, podendo, portanto, repô-lo a partir do lucro obtido. Graças a uma inexplicável sorte, ele consegue realmente lucrar e repor o dinheiro. Mas, sendo um jogador inveterado, ele não se satisfaz com apenas essa vitória, que, na verdade, estimula-o a querer continuar jogando. Aí vem a sua derrocada: ele perde mais de 27 mil dólares, só não perdendo mais por ser expulso do clube de jogos que frequenta.

Desesperado por conta da sua desmedida e decidido a colocar de volta na bolsa o dinheiro perdido antes que Michael saia da prisão, Eddie começa um processo de mudança de vida. Entra em contato com o irmão Ron (Joe Lo Truglio) para aceitar o emprego, que já havia recusado por diversas vezes, na empresa de jardinagem. Inicia um relacionamento amoroso com Eva (Aislinn Derbez), uma enfermeira de origem latina e mãe solteira. Volta a frequentar as reuniões do grupo de apoio a viciados em jogos. Ou seja, ele passa a buscar estabilidade em todas as áreas da sua vida a fim de reestruturá-la.

Sua nova realidade, porém, é abalada após quatro semanas, quando recebe a ligação de Michael, dizendo que em poucos dias estará em liberdade e irá buscar a bolsa deixada sob seus cuidados. Eddie chega à conclusão de que o único modo de recuperar a quantia perdida a tempo é utilizar o dinheiro que ainda está sob sua responsabilidade para jogar. Ele, então, parte para o tudo ou nada.

Apostando (para utilizar o verbo escolhido para compor o título em português) em um roteiro que sugere uma alta carga de comicidade, pela possível exploração dos azares de um jogador/perdedor compulsivo que se vê com uma bolsa repleta de dinheiro e acaba cedendo ao ímpeto de jogar com uma grana que não lhe pertence, o filme, na verdade, explora não o efeito cômico dessa situação, mas o drama que o personagem vive graças ao seu vício (sem, entretanto, apelar para um tom dramático).

Humanizando o protagonista, o longa mostra que a compulsão da qual ele sofre o leva a jogar não apenas pela esperança de ganhar dinheiro e mudar de vida, mas, principalmente, por necessidade, visto que o fato de não participar de jogos é uma abstinência que o perturba, até que ele estrutura sua vida sob novos alicerces, o que acaba o seu vício sob controle. O roteiro expõe as dificuldades de se mudar comportamentos (principalmente quando esses comportamentos são frutos de algo maior do que mero comodismo ou apatia), ou seja, que, para refazer sua vida, não basta simplesmente querer, mas é necessário ter uma força de vontade dia após dia para se assumir uma postura comprometida com a mudança.

Por não se tratar de uma típica comédia, que se propõe a arrancar risos e gargalhadas do público, mas trazendo uma interessante história de transformação de realidade, Apostando Tudo surge como uma sugestão atrativa. Com apenas 88 minutos, é um filme que não surpreende, mas apresenta uma trama objetiva, sem enrolações e pautada em uma boa proposta.

Divulgaí

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