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Crítica: Esquadrão Suicida

Individualmente, os personagens são muito divertidos, e o mérito disso é total dos seus intérpretes.
Crítica: Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida é uma equipe de criminosos que foi criada e unida para trabalhar a serviço do Governo dos EUA, em troca de alguns benefícios, como a redução da pena que cumpriam, por exemplo. Basicamente, existiram duas formações, a original, que usava apenas criminosos comuns em suas missões e a segunda, sob o comando de Amanda Waller, que era mais extrema, reunindo também supervilões do Universo DC. E é esta segunda versão que será explorada no filme do "Esquadrão Suicida", em cartaz essa semana nos cinemas.

A trama do filme também mostra a equipe formada por Amanda Waller (Viola Davis), que após os eventos de "O Homem de Aço (2013)" e das consequências de "Batman vs Superman (2016)", convence o governo de que toda força militar humana não seria suficiente para proteger o presidente de mais um possível ataque alienígena, se fazendo necessária a utilização desses supervilões para a segurança nacional.

Caso morressem ou falhassem, os próprios vilões seriam responsabilizados, daí o nome "Esquadrão Suicida". Os integrantes da equipe são: a Arlequina (Margot Robbie), o Pistoleiro (Will Smith), a Magia (Cara Delevigne), o Capitão Bumerangue (Jai Courtney), El Diablo (Jay Hernandez), além do Crocodilo, Katana e Amarra. Completam o elenco Jared Leto como Coringa e Joel Kinnaman como Rick Flag, o oficial encarregado de liderar o esquadrão durante a missão.

Dirigido por David Ayer, de filmes como "Corações de Ferro (2014)" e "Marcados para Morrer (2012)", o filme acerta bastante na forma como apresenta o tema do governo querer usar os meta-humanos (humanos com poderes especiais, sejam heróis ou vilões) em benefício próprio, como na cena em que o poder da Magia é apresentado, mostrando que, a bem da verdade, não há nenhum "mocinho" nessa história, cada um tem suas motivações e interesses próprios para agir - o que é uma ideia totalmente oposta ao heroísmo, que se sacrifica pelo próximo.

Outro ponto positivo é que em termos de Universo Cinematográfico da DC, as conexões que o filme faz com relação a eventos passados e outros personagens, especialmente o Batman, não parecem artificiais, mas pelo contrário, são alguns dos melhores momentos do filme e que ainda têm a capacidade de surpreender o espectador.

Como era de se imaginar, o filme gasta boa parte dos primeiros minutos apresentando todos os personagens, a maioria muito desconhecida do grande público. Praticamente cada personagem tem uma música própria - uma seleção de músicas excelente, diga-se de passagem - mas os que ganham mais destaque a princípio são o Pistoleiro e a Arlequina.

Com a equipe criada, naturalmente precisava surgir um problema para que pudéssemos ver os anti-heróis em ação. Talvez aí já surja o primeiro "problema" do filme, por mais que seja compreensível o motivo desse vilão surgir, suas ações no decorrer da história vão ficando um tanto confusas. Sem dar spoilers, é como se sua motivação fosse criada no meio da trama, e como é um filme de elipse curta (toda a ação se desenrola em três ou quatro dias), essa ameaça pode parecer bem pouco convincente.

O roteiro, também escrito por David Ayer, sofre praticamente do mesmo problema que o filme anterior da DC sofreu, a tentativa de mostrar muita coisa sem se preocupar com o básico, que é contar uma história. Ou seja, além de ter que lidar com seis ou sete novos personagens, ainda quis incluir cenas de Gotham e do Coringa, deixando boa parte do desenvolvimento do esquadrão, além de seus arcos e personalidades individuais, escritas de forma bem rasa e frágil (com exceção dos maiores astros, Will Smith e Margot Robbie, que têm muito mais tempo de tela).

Outro ponto que não ajuda muito o espectador a compreender e acreditar em tudo que está se passando, é a própria direção de David Ayer. Pode ter sido um problema de montagem, mas nos momentos em que o espectador ainda está absorvendo as conexões que o filme faz (muitas vezes alternadas entre flashbacks e a trama "real" do filme), o diretor foca em muitos momentos de ação, que distraem nossa atenção para o que está acontecendo. Em outras palavras, o espectador não pode tirar os olhos da tela para não perder nada, deixando o cérebro muito ocupado para compreender e ligar os pontos da trama.



Alguns podem estar se perguntando: Então, se não há coerência na história, o filme deve ser um desastre, certo? Na verdade não, e por um simples motivo, o elenco. Individualmente, os personagens são muito divertidos, e o mérito disso é total dos seus intérpretes. Will Smith é o mais engraçado e juntamente com Jai Courtney, são os que arrancam as risadas mais sinceras da platéia.

Além de seu Pistoleiro ser um dos personagens que têm o background melhor trabalhado - através da relação com sua filha - Will volta a atuar com vontade novamente, não se repetindo como vinha fazendo ultimamente, mas conseguindo demonstrar em quê realmente suas ações eram fundamentadas, coisa que - de novo, com exceção da Arlequina e do Diablo - os outros integrantes do esquadrão são subaproveitados.

O Coringa de Jared Leto é bem diferente do que já vimos e consegue ser muito bom. Qualquer comparação a Jack Nicholson ou a Heath Ledger é injusta, pois enquanto os outros dois foram vilões principais em seus filmes, o Coringa de Jared correu um forte risco de ser taxado como desnecessário para o filme, e tão somente graças a sua incrível performance como "psicopata", seu personagem não ficou "jogado" na trama. Mas devo dizer que todo o marketing de bastidores em cima dele, se mostrou desnecessário, pois o resultado final não é tudo aquilo que tentaram vender.

Margot Robbie é a Arlequina perfeita, uma mistura de mimada, sensual, irritante e perigosa. Foi um acerto de casting tão bom quanto a Marvel fez com o Capitão América e o Homem de Ferro, por exemplo.

O que normalmente pode ser visto como um ponto negativo, que é a inserção de vários clipes musicais no meio do filme, desta vez não incomoda tanto, pela forma como foi utilizada (não é um simples momento musical, mas também contribui para o impacto da apresentação dos personagens) e também pela excelente qualidade das músicas escolhidas.

Visualmente o filme é muito bonito, as cores são um elemento muito importante, como o contraste dos personagens mais coloridos e saturados com os cenários mais sombrios e apagados. Enquanto a personagem Magia tem um visual bem atrativo (apesar de parecer "fora de tom", em comparação aos outros personagens mais "reais"), um outro personagem que surge como antagonista, tem um aspecto robótico e muito artificial, mesmo naquele universo.

Concluindo, "Esquadrão Suicida" é um filme que tem seus problemas, foi prejudicado pela exposição exagerada dos trailers (embora ainda tenha um ou dois momentos em que surpreenda), mas ainda sim consegue divertir e não chega nem de longe a ser um desperdício de tempo e dinheiro. É uma pena que a direção de David Ayer tenha se focado muito na ação e se preocupado pouco com a história a ser contada, inclusive também deixou a desejar na antecipação antes de uma cena importante, não soube trabalhar o impacto da cena no espectador.

Há uns errinhos menores, como a tela de apresentação dos personagens, que passa muito rápido e mal dá para ler, ou um elemento que liga o Coringa a Arlequina, que abusa bastante da suspensão da descrença (quase como o email da Liga da Justiça), mas no geral, é muito legal ver todos esses personagens representados no cinema, além de ter momentos realmente bastante divertidos. Apesar da ligeira falta de coerência narrativa, é mais um passo da DCEU rumo a encontrar o caminho certo para sua franquia.

PS: Não senti que o filme quis "copiar" a Marvel em momento algum, e há uma cena pós-créditos.


Divulgaí

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