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Crítica: TRANSCENDENCE - A REVOLUÇÃO

Crítica: TRANSCENDENCE - A REVOLUÇÃO
Particularmente após os anos 1990, com a explosão da internet e o acelerado avanço tecnológico, a tecnofobia tornou-se tema recorrente nos meios de comunicação, apropriando-se desse discurso ao mesmo tempo velho e atual, Transcendence não consegue cativar e soa como a colagem de elementos que individualmente poderiam ter rendido um excelente filme, mas o resultado é um desperdício de ideias e talentos.

Num futuro próximo, o pesquisador Will Caster (Johnny Depp) empenha seus melhores esforços na tentativa de criar uma inteligência artificial que seja autoconsciente. Ele é baleado por um grupo terrorista insatisfeito com seus ideiais, os quais consideram um perigo para a humanidade. Embora sobreviva ao atentado, o veneno deixado pela bala o deixa com pouco tempo de vida. Sofrendo com a perspectiva de morte do parceiro sua mulher e também cientista, Evelyn (Rebecca Hall) com a ajuda de seu amigo Max (Paul Bettany) leva a cabo um plano para fazer o upload da mente de Caster em um supercomputador. Essa nova inteligência artificial composta pela mente excepcional do cientista, representa a redenção e uma ameaça para o futuro do mundo.

O medo do ser humano de ser suplantado por algo superior é expresso, supeito, desde que os meios mais rústicos de contar uma história surgiram, sendo inclusive um tema frequente na arte discutida aqui. Isso particularmente não é um problema, as mesmas histórias tem sido contadas a tempos, o diferencial está na forma como se conta.  Aí reside um dos problemas de Transcendente, cuja falta de ritmo provoca tal indiferença, que não é difícil prever os caminhos que a mente do espectador fará ao distrair-se buscando associações com filmes melhores que utilizam uma ou mais ideias levantadas durante a projeção, 2001- Uma Odisséia no Espaço (1968), O Exterminador do Futuro (1984; 1991), Matrix (1999), A.I. - Inteligência Artificial (2001), Her (2013).

A obra nunca passa perto de inspirar qualquer excitação ou medo, sensações estas que são esperadas numa trama que acena com a perspectiva da humanidade ser totalmente controlada por uma espécie de Brainiac humanizado. No lugar de um pouco de adrelina (é pedir demais?), o espectador é obrigado a testemulhar a várias e terrivelmente arrastadas cenas da vida doméstica entre o cientista computadorizado e sua esposa um tantinho biruta. Além de incontáveis cenas de Evelyn transitando pelos corredores da fortaleza tecnológica. Não que Rebeca Hall não seja uma figura simpática, ela é aliás, juntamente com a fotografia o melhor que o filme pôde oferecer. Johnny Depp mesmo competente, tem pouco tempo em tela até transformar-se numa cópia digital inexpressiva, e é até dispensável dizer que este filme faz nenhum bem a sua carreira.

Wally Pfister, mais conhecido pelo seu estonteante trabalho como diretor de fotografia, demonstra inexperiência na direção por falhar em conferir qualquer urgência a obra e perder a chance de explorar ideias que poderiam de fato somar algo ao velho discurso tecnofóbico, como por exemplo o conceito de inteligência ou consciência coletiva. Pfister pouco faz com a bela fotografia, o elenco cativante e as boas ideias e Transcende revela-se como um fantasma sem personalidade do que poderia ter sido.

Divulgaí

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