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Crítica: A Hora da Sua Morte

Em meio a tantas qualidades rasas, A Hora da Sua Morte, ainda assim, é divertido. Os jumpscares gratuitos funcionam em muitos momentos
A Hora da Sua Morte

Desde o início dos anos 2000, filmes de horror com fórmulas jovens, que geram momentos de tensão anteriores às mortes brutais de adolescentes, como Premonição de James Wong, ganham o gosto do público e se saem razoavelmente bem nas bilheterias. Esse poderia ser o caso de A Hora da Sua Morte, que segue uma vibe bem semelhante, mas não consegue se fazer suficientemente interessante.

O primeiro filme de Justin Dec como diretor e roteirista traz uma história completamente focada em críticas e contextos contemporâneos dos jovens alienados à internet e aplicativos inúteis instalados em seus smartphones. Como protagonista, temos a dedicada enfermeira Quinn Harris (Elizabeth Lail), esforçando-se para conseguir engrenar sua carreira, enquanto sofre abusos de um médico (Peter Facinelli) e tenta acalmar um de seus pacientes alarmado com a chance de morrer durante sua cirurgia. O jovem em questão baixou recentemente em seu telefone o aplicativo Countdown, que instala um timer regressivo, contando quantos dias, horas, minutos e segundos restam para o fim de sua vida. Ao saber que o cronômetro do garoto estava certo, e que tentar fugir de sua morte apenas o levou a um trágico destino, Quinn precisa procurar um jeito de se livrar dessa suposta maldição, já que ela também instalou o aplicativo e é, portanto, uma das próximas a morrer.

Em seus 90 minutos de duração, o longa apresenta uma esperada divisão de estrutura, com um primeiro arco onde é apresentado o funcionamento do aplicativo e a protagonista toma conhecimento sobre ele, um segundo onde os personagens tentam se livrar da maldição, sendo mostrados por diversas vezes que escapar parece impossível, e um arco final onde as vítimas se unem dispostas a tomar ações impensáveis para conseguir sobreviver. É o tipo de fórmula que não nos empolga por já ser batida, mas que ao mesmo tempo não deixa de entregar tudo que a proposta do longa tenha prometido. É certo dizer que existem longas que não se importam em ser obras de entretenimento esquecíveis, e A Hora da Sua Morte é um deles. E é possível julgar um filme por ser exatamente o que se propõe? Certamente que não.

Elizabeth Lail entrega uma personagem forte e carismática, sendo um dos pontos positivos que nos atrai ao longo da trama, já que os demais nomes do elenco chegam a ser insignificantes. A ambientação do longa chega a ganhar mais destaque do que os personagens, já que a direção acerta numa fotografia escura, com uma atmosfera sombria, embora muitos desses cenários não sejam bem justificados pelo roteiro – vide a ala abandonada do hospital, que em nenhuma situação real estaria tão facilmente acessível para os personagens, mas ali é um local perigoso perfeito para as cenas de clímax.

Em meio a tantas qualidades rasas, A Hora da Sua Morte, ainda assim, é divertido. Os jumpscares gratuitos funcionam em muitos momentos, o clima de perseguição gerado pelas aparições em frames da figura demoníaca gera a famigerada tensão, e o desenrolar da “corrida contra a morte” acontece de forma rápida e despretensiosa. Embora continue sendo um longa esquecível, vale como entretenimento para jovens dispostos a ir ao cinema em grupo em busca de um filme que os fará com certeza pensar duas vezes antes de baixar aplicativos suspeitos em seus smartphones.



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