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Crítica: Um Lindo Dia na Vizinhança

O que o filme captura é algo sutil e nãos se tratam de uma história em que o Sr. Rogers aparece na vida de Lloyd ensinando sabedoria e filosofia moral, embora possa facilmente se parecer exatamente com isso.
Um Lindo Dia na Vizinhança

Para quem procura um bálsamo cinematográfico na atmosfera atual de angústias e cinismo que permeiam a vida cotidiana, Um lindo dia na Vizinhança está à disposição. Dirigido por Marielle Heller (Poderia Me Perdoar?) e estrelado por Tom Hanks interpretando o apresentador de televisão Fred Rogers, o filme é um daqueles que você não sabia que precisava.

O longa traça um curso muito incomum para contar a história de Rogers, o anfitrião doce e gentil de Pittsburgh vestido com um casaco de lã, e um dos programas de televisão mais queridos pelas crianças nos EUA. Não é uma biografia abrangente de Rogers, mas foca em uma pequena história quando, no final dos anos 90, o jornalista americano Tom Junod foi designado para fazer o perfil de Rogers na edição “Heroes” da Revista Esquire. O repórter, interpretado pelo ator Matthew Rhys, cujo nome no filme foi alterado para Lloyd Vogel, é conhecido por construir histórias que deixam seus entrevistados irritados. Ele espera então encontrar alguns buracos no mito de Rogers, mas o encontro com o apresentador acaba ajudando-o a superar seus traumas e seu cinismo, tornar-se um pai melhor e reconciliar-se com seu pai embriagado e irreverente (Chris Cooper).

O filme é uma celebração a Rogers e as capacidades curativas de suas palavras e sua doutrina. E é assim que Hanks o interpreta, em uma performance que é mais uma recriação do que um ato de imitação fiel, o que seria o caminho mais fácil. A história começa com Hanks recriando o número de abertura do Sr. Roger, exibindo um sorriso e olhos enrugados, trocando sua jaqueta esporte por um suéter vermelho, seus sapatos sociais por um tênis, enquanto canta direto para a câmera como se estivesse falando para sua audiência.

Embora a publicidade e o marketing do filme terem se concentrado muito em Rogers, ele é mais um personagem de apoio do que protagonista. O filme é fiel ao seu legado e seus valores, e até recebemos um bom perfil sobre o apresentador, descrevendo como ele lidou com a pressão de ser o Sr. Rogers. Mas o personagem principal é realmente Lloyd Vogel, cujo processo de construção do artigo sobre sua experiência em conhecer Rogers e a jornada espiritual de cura e autodescoberta que o acompanha, fornece a base para o filme. O que se segue é o despertar de Lloyd, que o leva a enfrentar sua raiva de anos em relação ao pai distante enquanto a platéia vê Rogers através dos olhos céticos ​​do escritor.

As cenas mais emocionantes do filme geralmente giram em torno da descrença de Lloyd sobre a bondade sem fim do apresentador. Rhys interpreta bem o papel de um homem machucado pelo passado, com bloqueios emocionais para sobreviver, o que é quebrado aos poucos quando ele se envolve com Rogers. O filme dá a ele uma jornada emocional moldada pela filosofia do apresentador, priorizando o desenvolvimento de seu personagem em detrimento de outros arcos paralelos.

Embora não seja exatamente um perfil físico próximo do de Rogers, Hanks interpreta de maneira convincente os maneirismos do apresentador, consegue capturar sua voz suave e cantante sem cair na caricatura, e nos mostra que ele não está apenas interpretando um personagem em um programa de TV, mas uma pessoa com seus próprios medos e dores.

Juntamente com o diretor de fotografia Jody Lee Lipes, Heller equilibra os cenários bem iluminados utilizando closes intensos. A incorporação de referências do show de Rogers e as encarnações de seus bonecos se estendem por todo o filme, e as cenas de intervalos com cenários em miniatura de Nova York e Pittsburgh parecem conversar com as notas da música tema do programa.

O que o filme captura é algo sutil e nãos se tratam de uma história em que o Sr. Rogers aparece na vida de Lloyd ensinando sabedoria e filosofia moral, embora possa facilmente se parecer exatamente com isso. Ao contrário, é a história de como Rogers age como um catalisador que dá a chance a Lloyd de mudar, sem coagir a fazê-lo. Definitivamente, não é um filme biográfico de Fred Rogers. O filme é edificante, embora haja momentos de melancolia exagerada e às vezes fluindo como um sonho. Talvez seja até um tanto ambicioso demais em seus objetivos, falando mais do que harmonizando as ideias. Vale a pena ver pelas mensagens positivas e pelo notável desempenho de Hanks.


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