Loucos por Filmes

Loucos por Filmes

Destaques

Últimas

Navegue aqui

CCXP 2019 impressiona a todos, mas desagrada a alguns

Em sua sexta edição, o evento reuniu mais de 280 mil visitantes, que passaram pelo pavilhão ao lado de quatro dias recheados de programações dos mais diversos tipos, que iam desde estandes interativos belíssimos em estrutura até painéis com artistas internacionais, todos entremeados por filas gigantescas de horas de duração.
CCXP 2019

A Comic Con Experience já se consolidou há anos como o maior e mais abrangente evento de cultura pop da América Latina. Mas foi em 2018 que o festival definitivamente impressionou, recebendo 262 mil visitantes, batendo recorde de público e se estabelecendo como o maior de cultura pop do mundo. Agora, em 2019, esse número foi ainda maior. Em sua sexta edição, o evento reuniu mais de 280 mil visitantes, que passaram pelo pavilhão ao lado de quatro dias recheados de programações dos mais diversos tipos, que iam desde estandes interativos belíssimos em estrutura até painéis com artistas internacionais, todos entremeados por filas gigantescas de horas de duração.

Cada vez mais o público vem de outras regiões brasileiras para o evento, reunindo nerds e geeks não apenas do estado de São Paulo, mas principalmente também do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. E ao mesmo tempo em que a empolgação dos visitantes cresce a cada ano com a expansão do evento e artistas cada vez mais relevantes que são trazidos para os painéis, muitos são os que começam a se incomodar com a grandiosidade do público e despreparo das estruturas para lidar com o fluxo de pessoas. Por mais que, obviamente, todas as metragens e infraestrutura do evento estejam nos parâmetros exigidos pelas medidas de segurança legais, o fato é que, principalmente no sábado do evento, a quantidade exorbitante de pessoas já não permite mais que os pagantes aproveitem as atrações sem ter que gastar o dia inteiro aguardando em filas que nunca terminam. Isso faz com que muitos visitantes levantem a opinião de que nas próximas edições, a quantidade de ingressos disponíveis deveria ser reduzida e o planejamento de como as atrações são organizadas e executadas deveria ser adaptado. (Embora levantar comparações com a Comic Con de San Diego seja sempre desagradável e desnecessário, vale ressaltar que o público do evento norte-americano gira em torno de 130 mil visitantes, exatamente para que haja uma melhor distribuição da quantidade de pessoas pelos quatro dias de evento.)

Ainda assim, o grande público não deixou de aproveitar as ativações e estandes. Foram mais de 115 mil m² com ativações de quinze estúdios de cinema e plataformas de streaming, 35 lojas especializadas em produtos com temática geek e 55 marcas que, segundo estimativa dos organizadores, tiveram faturamento de R$ 52 milhões. Na boca do povo, o comentário geral era de que essa foi, de longe, “a Comic Con mais visualmente bonita”, visto que as empresas realmente se esforçaram para competir esteticamente pela atenção dos visitantes, tentando ampliar seus estandes, reproduzir na íntegra cenários de suas séries e promover interações entre os fãs.

Dentre os melhores estandes, os que receberam mais destaque foram os da Telecine, Netflix, Amazon Prime e Globo Play, que investiram pesado na divulgação de seus filmes e séries, ocupando espaços gigantescos entre os corredores. A Tele Cine trouxe uma proposta inovadora ao criar um circuito de ativações e desafios entre os diferentes gêneros cinematográficos. O estande era dividido em atividades que iam desde um túnel do terror, até uma escalada da aventura e um quiz ao vivo da comédia. Participando de todas as ativações, os visitantes ganhavam bottons que podiam ser trocados por brindes. Assim, de forma dinâmica e criativa, a empresa chamou a atenção como uma das mais originais e atrativas do evento, além de estimular a diversidade entre criadores de conteúdo de diversos tamanhos, ao providenciar um glass studio num mezanino disponível para youtubers e podcasters que desejassem realizar gravações no local.

Dentre divulgações de Black Mirror, El Camino, e um palco de atividades como karaokê, o destaque da Netflix era definitivamente o shopping Starcourt, cenário de Stranger Things, que levava os fãs para uma experiência imersiva com atores e cenários realistas, num tour pelas lojas do Starcourt Mall e por cenários importantes da série, como o laboratório russo e o mundo invertido.

Na Amazon Prime, a série American Gods encantou pela beleza do grandioso carrossel dos deuses, ao lado de ativações de Carnival Row e The Boys que contavam com atores completamente encarnados nos personagens e na ambientação das séries, proporcionando também uma experiência completamente imersiva.

Não tão animadora quanto essas duas, mas ainda assim, interessante, a Globoplay chamou a atenção com a sua “casa assombrada” da série Desalma, investindo pesado na caracterização do ambiente, mas utilizando a tecnologia, ao invés de atores humanos, apostando em várias interações que utilizavam óculos de realidade virtual.

No mais, os demais estandes do pavilhão, ainda que com visual espetacular para fotos e filmagens, continham atrações repetitivas em relação aos anos anteriores, com sistemas de agendamento através de aplicativos falhos, brindes nada animadores e tempos de espera tão longos que levaram muitos dos visitantes a saírem desanimados e insatisfeitos das atrações.

Um dos pontos que sempre recebe destaque graças aos fãs e visitantes são os cosplays, que como sempre estavam originais e criativos. O tradicional concurso de cosplayers contou com o voto popular para selecionar os 12 artistas que subiram ao palco. A vencedora foi Jaqueline Fernandes Santos, com o personagem Diablo Prime Evil, de “Diablo III”, levando como prêmio um carro 0 km e credenciais Full Experience da CCXP 2020. Também foram eleitos o Cosplayer Destaque (Nathália Casalecchi, como Winifred Sanderson de “Abracadabra”), Melhor inventividade (Rogerio Silva, como Davy Jones de “Piratas do Caribe”), Melhor Figurino (Rafael Silva, como Dovahkiin de “Skyrim”) e Melhor Apresentação (Bruno Leão, como Li Shang de “Mulan”).

Mas como de costume, a CCXP sempre vende sua imagem através das atrações e estreias que ocorrem dentro do Painel Cinemark, o qual apenas uma pequena parcela dos visitantes do evento consegue acesso devido à longa disputa. Esse ano, os quatro dias de evento foram marcados pela presença de celebridades de grande influência como Gal Gadot, Margot Robbie, Henry Cavill, Ryan Reynolds, John Boyega, Oscar Isaac, Daisy Ridley, o diretor J. J. Abrams e o elenco de “La Casa de Papel”, entre outros nomes aclamados.

Sobretudo os painéis de sábado e domingo, sempre os mais disputados, trouxeram atrações que levaram os fãs a passar 24 horas na fila (de forma mal organizada pelo pessoal do evento, deixando alguns destes que passaram a madrugada no estacionamento de fora e dando prioridade para os de credencial Epic que chegaram pela manhã). No sábado, o auditório foi dominado pela Disney: pré-estreia de “Frozen 2” e conteúdo exclusivo sobre “Dois Irmãos”, a próxima animação da Pixar; painel sobre “Free Guy – Assumindo o Controle”, que contou com a presença de Ryan Reynolds e Joe Kerry; novidades do Disney+ e os próximos lançamentos da Marvel em um painel com Kevin Feige; e o tão esperado encontro com o elenco de “Star Wars: A Ascensão Skywalker”.

No domingo, o ator Henry Cavill surpreendeu o público surgindo no painel de “The Witcher” da Netflix, sendo ovacionado pelos fãs, assim como o elenco da série “La Casa de Papel”. Ryan Reynolds também voltou no sábado, para divulgar “Esquadrão 6”, junto com os colegas de elenco. Mas o grande destaque ficou para as mãos da Warner, que fechou as atrações do auditório, com Gal Gadot e Patty Jenkins no painel de “Mulher-Maravilha 1984”. A atriz e a diretora revelaram detalhes ao público sobre a produção, e o painel com transmissão pelas redes sociais colocou a CCXP19 nos trending topics do Twitter.

Mas foi a Warner que comandou os dois últimos painéis do Auditório Cinemark XD neste domingo. Primeiro, o estúdio apresentou suas estreias de 2020 e projetos para os próximos anos como “Scooby! O Filme”, “Tom & Jerry”, “Space Jam 2”, “DC Super Pets”, “Em um Bairro de Nova York” e “Esquadrão Suicida”, filme que terá a brasileira Alice Braga no elenco. Fechando a noite, Gal Gadot e Patty Jenkins encontraram uma legião de fãs apaixonados. A atriz e a diretora contaram ao público um pouco sobre a produção de, em um painel que teve transmissão pelo Twitter e colocou a CCXP19 nos trending topics da rede social.

Assim, mais uma vez, a CCXP chega ao fim reforçando seus lemas. É sim um evento épico, assim como é, de fato, a maior Comic Com do mundo. Há assim espaços para artistas e também para diversidade – sobretudo nesse ano onde tanto os artistas quantos os painéis valorizaram ao extremo a questão do empoderamento feminino. O entretenimento e a paixão pela cultura geek continuam dominando o festival por completo. Contudo, os defeitos e pontos negativos continuam a perdurar, ano após ano, e para muitos fãs, já passou da hora da organização deixar de exibir com orgulho o título de “maior Comic Con do mundo”, e buscar trocar o adjetivo por “melhor”.


Deixe sua opinião:)

Mostrar comentários 💬