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Crítica #3: Coringa

Quem sabe agora que temos um Coringa tão mais intrinsecamente vilanesco, não ganhamos um Homem-Morcego mais inescrupuloso...
Coringa

A coisa ficou séria. Desde o ‘Batman’ (1989) de Tim Burton até a aclamada trilogia de Christopher Nolan (2005/2008/2012), Gotham City mudou muito, assim como vários outros aspectos também. Bruce Wayne se recolheu ainda mais em seu introspectivismo, os vilões se tornaram menos cômicos e mais vilanescos e o clima ficou mais pesado e sombrio. Mas agora, com o ‘Coringa’ de Todd Phillips, Gotham ficou suja e ainda mais perigosa.

Muitos duvidaram de que um filme inteiro dedicado ao maior inimigo do Homem-Morcego sem a presença do próprio Batman daria certo, e não sem razão. Seria arriscado. Mas contra todas as piores expectativas, fez-se o sucesso. Seja pela genialidade da atuação de Joaquin Phoenix, pela excelência do roteiro (com nostálgicas e pontuais referências à Chaplin), pela impecável trilha sonora ou pelo capricho do figurino, o fato é que ‘Coringa’ é uma das maiores produções do ano, quiçá dos últimos tempos.

Quem olha para a tela do cinema e vê os tons cinzentos, o lixo, a desolação e a decadência, sente instantaneamente o estado de espírito que Phillips queria que sentíssemos, esse estado que espelha tão fielmente os sentimentos de Arthur Fleck e que acabaria por transformá-lo em um dos maiores vilões do cinema.

Assim, o Coringa mesmo, o palhaço, aquele de cabelo verde, sorriso vermelho no rosto e terno roxo (e essas cores se destacam em meio às nuances mais escuras de todo o resto), só aparece no final. Este é um filme de origem, voltado para o homem problemático que lhe daria origem.

É incrível como somos levados a sentir pena de Arthur Fleck, extremamente magro, constantemente humilhado em sua tentativa de se tornar um comediante stand-up. E aqui, mais uma vez, há que se fazer notar o soberbo trabalho de Joaquin Phoenix, na maior atuação que já se viu nos últimos tempos. Genial, o ator parece desconstruir a si próprio enquanto vai construindo seu personagem, traçando a mudança do homem valoroso e meigo do início (que dá duro no trabalho e cuida da mãe doente), ao assassino frio e calculista do final.

Ao observar esse começo de tudo, parece que Phillips finalmente nos deu a solução da pergunta que o Coringa de Heath Ledger constantemente fazia às suas vítimas e ao público: “Por que tão triste, filho?” A resposta de Joaquin Phoenix foi violenta. Sua risada não é engraçada, pelo contrário, gela o sangue, dá medo. Sua aparência e maquiagem causa espanto, tão atrelada está ao contexto político e social construído brilhantemente à sua volta.

Além disso, o mais interessante é que tudo foi feito de maneira a levar a uma conclusão, mas com possibilidade de continuação. O filme teve um final, fechou, mas nada impede que seja usado como elo para uma nova franquia ou um novo longa, seja novamente solo, seja como parte do universo do Batman.

E quem sabe agora que temos um Coringa tão mais intrinsecamente vilanesco, não ganhamos um Homem-Morcego mais inescrupuloso...



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