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Crítica #2: Projeto Gemini

Projeto Gemini cumpre bem a função de ser um filme visionário na questão de efeitos especiais, se aproximando mais das ações de vídeo games o longa mostra a influência da mídia na sétima arte, porém sua história fraca tira boa parte do brilho que poderia ser essa experiência.
Projeto Gemini

Henry Brogan (Will Smith) é um assassino profissional que trabalha para o governo norte-americano. Cansado do trabalho onde tem que tirar a vida de pessoas em nome de sua pátria, ele decide se aposentar. Circunstâncias fazem com que sua aposentadoria seja mais difícil de se concretizar e ele precisa encarar seu clone mais jovem e mais habilidoso se quiser sobreviver.

O filme é dirigido por Ang Lee, ele é responsável por filmes excelentes como O Tigre e o Dragão, As Aventuras de Pi e O Segredo de Brokeback Mountain, mas quando a tecnologia é mais importante que a história, nem mesmo um bom diretor é capaz de salvar Projeto Gemini de ter uma história fraca e previsível. Lee até se esforça e o uso da tecnologia do filme até ajuda em alguns momentos de imersão, algumas cenas chamam mais a atenção como quando Henry vai visitar um amigo em um barco, a câmera fica baixa na altura das águas do mar e isso dá a sensação de que o público está ali na água acompanhando as ações, outro momento é quando dois personagens caem na água e o 3D com auxílio da alta taxa de quadros em que o longa foi captado, colabora e muito para a sensação de afogamento da cena.

Projeto Gemini foi gravado em 120 Frames Por Segundo (120 Fotos para cada segundo, no cinema são utilizados 24 frames por segundo) criando uma imagem hiper-realista que se assemelha mais a jogos de videogame do que produções da sétima arte, em momentos como os citadas no parágrafo anterior, até funciona de maneira interessante, mas em outros a movimentação de câmera sem o borrão tradicional do cinema parece estranha, por exemplo um diálogo em que se faz uso do chicote (movimento rápido de um personagem para o outro).

As cenas de ação do longa são muito boas, entretanto não conseguem parecer reais por conta de alguns exageros. A forma como Ang Lee decide filmar os momentos de luta e confronto do longa são interessantes, para quem é fã de jogos como Far Cry e Uncharted vai se sentir maravilhado com a produção. Lee coloca sua câmera na visão de Henry enquanto ele dirige uma motocicleta dando uma boa imersão ao público e simulando muito bem a ideia de um jogo de videogame.

E claro, não dá para deixar de comentar o grande chamariz do filme. A presença do jovem Will Smith (Júnior) é uma demonstração de que a tecnologia está quase no ponto perfeito para recriar personagens pelo computador. Apesar de sentir um pouco a falta de textura e em alguns momentos a movimentação parecer exagerada, os efeitos seguram muito bem o embate entre Henry e Júnior.

É impressionante ver a evolução da tecnologia. Se anos antes a WETA Workshop havia encontrado o melhor caminho para mostrar os símios em Planeta dos Macacos: A Guerra, a mesma empresa tentou em Blade Runner 2049 recriar digitalmente uma personagem e fracassou, e apenas dois anos depois, vemos um longa-metragem inteiro baseado neste efeito. É uma tremenda evolução para tão pouco tempo.

Ok, as cenas de ação são boas, os efeitos são legais, mas e o restante da história?

Essa parte fica devendo e muito. Se a gravação em 120 fps e os efeitos visuais surpreendem positivamente, o completo oposto pode ser dito de sua narrativa, com uma história completamente derivada e diálogos quase novelescos em que os personagens explicam coisas que aconteceram à duas cenas atrás, a trama parece que não evoluí nunca e o terceiro ato, embora seja o momento de grande conflito aposta de novo em ser mais videogame do que filme e se torna cansativo, além de reservar uma surpresa vergonhosa como “última grande reviravolta”.

Will Smith faz o possível para entregar os diálogos sofríveis da obra de maneira mais realista, mas existem momentos que nem ele é capaz de segurar a breguice de algumas falas. O ponto positivo de sua performance é conseguir criar dois personagens que se complementam, e a maneira como o ator consegue criar semelhanças e diferenças através do visual é boa de ser acompanhada.

No elenco de apoio o destaque fica para Mary Elizabeth Winstead que sofre dentro de um roteiro que lhe entrega diálogos subdesenvolvidos, mas a atriz consegue passar para a tela a confiança que sua personagem deveria ter, além de funcionar muito bem em ao menos uma cena de ação.

Benedict Wong serve como alívio cômico da obra, mas está fazendo basicamente mais do mesmo, ele é engraçado, tem umas piadinhas pontuais que funcionam, outras que não, mas o personagem é unilateral e não faz muita diferença dentro do roteiro, só não é pior que a aparição de Clive Owen. Owen tem um personagem caricato desde sua primeira cena, dizendo frases que envergonham, ele deveria ser visto como alguém manipulador, mas o roteiro não consegue dar material para que o ator demonstre essa faceta de seu personagem, e suas motivações são compreensíveis, mas novamente previsíveis.

Projeto Gemini cumpre bem a função de ser um filme visionário na questão de efeitos especiais, se aproximando mais das ações de vídeo games o longa mostra a influência da mídia na sétima arte, porém sua história fraca tira boa parte do brilho que poderia ser essa experiência.

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